Seder Kodashim · Massechet Midot · Perek Dalet · Mishná 3 de 7

As trinta e oito câmaras ao redor do Santuário

וּשְׁלֹשִׁים וּשְׁמֹנָה תָאִים הָיוּ שָׁם
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

As trinta e oito câmaras (taim) que cercavam o Heichal em três andares — quinze ao norte, quinze ao sul e oito a oeste — cada uma com três portas de comunicação, e os cinco vãos especiais da câmara do canto nordeste, por onde se acessava o Santuário

E trinta e oito câmaras (taim) havia ali: quinze ao norte, quinze ao sul, e oito a oeste. As do norte e as do sul: cinco sobre cinco, e cinco sobre estas. E as do oeste: três sobre três, e duas sobre estas. E três portas tinha cada uma: uma para a câmara à direita, uma para a câmara à esquerda, e uma para a câmara acima dela. E no canto nordeste havia cinco portas: uma para a câmara à direita, uma para a câmara acima dela, uma para a mesibá, uma para a portinhola (pishpash), e uma para o Santuário.

O edifício do Heichal era envolto, em três de seus lados, por um sistema de trinta e oito câmaras dispostas em três andares sobrepostos: ao norte e ao sul, cinco câmaras no térreo, mais cinco no segundo andar e mais cinco no terceiro, totalizando quinze de cada lado; a oeste, três no térreo, mais três no segundo e duas no terceiro, totalizando oito. Cada câmara comunicava-se normalmente com suas vizinhas por três portas — à direita, à esquerda e para a câmara situada logo acima. A exceção era a câmara do canto nordeste, ponto de acesso ao Santuário descrito na mishná anterior: ali havia cinco portas, pois além das comunicações laterais e superior, essa câmara se ligava também à mesibá (a rampa em espiral que será descrita a seguir), à portinhola de entrada, e diretamente ao próprio Heichal.

וּשְׁלֹשִׁים וּשְׁמֹנָה תָאִים הָיוּ שָׁם, חֲמִשָּׁה עָשָׂר בַּצָּפוֹן, חֲמִשָּׁה עָשָׂר בַּדָּרוֹם, וּשְׁמֹנָה בַּמַּעֲרָב. שֶׁבַּצָּפוֹן וְשֶׁבַּדָּרוֹם, חֲמִשָּׁה עַל גַּבֵּי חֲמִשָּׁה, וַחֲמִשָּׁה עַל גַּבֵּיהֶם. וְשֶׁבַּמַּעֲרָב, שְׁלֹשָׁה עַל גַּבֵּי שְׁלֹשָׁה, וּשְׁנַיִם עַל גַּבֵּיהֶם. וּשְׁלֹשָׁה פְתָחִים הָיוּ לְכָל אֶחָד וְאֶחָד, אֶחָד לַתָּא מִן הַיָּמִין, וְאֶחָד לַתָּא מִן הַשְּׂמֹאל, וְאֶחָד לַתָּא שֶׁעַל גַּבָּיו. וּבְקֶרֶן מִזְרָחִית צְפוֹנִית הָיוּ חֲמִשָּׁה פְתָחִים, אֶחָד לַתָּא מִן הַיָּמִין, וְאֶחָד לַתָּא שֶׁעַל גַּבָּיו, וְאֶחָד לַמְּסִבָּה, וְאֶחָד לַפִּשְׁפָּשׁ, וְאֶחָד לַהֵיכָל:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Midot 4:3
כבר אמרנו בתמיד שתא נקראת ההרחקה שיש בין שתי הכתלים…

Rambam recorda que, como já dissera em Tamid, o termo “” designa o espaço existente entre duas paredes. Observando a planta do Heichal, explica, encontram-se ao norte cinco desses espaços — a saber: a parede da mesibá, a mesibá, a parede da câmara, a câmara, e a parede do Heichal —, e outros tantos ao sul; por isso a mishná fala de cinco câmaras sobre cinco, e mais cinco sobre estas, formando três fileiras de câmaras, e do mesmo modo ao sul. Adverte que não se deve confundir: embora a mishná nomeie separadamente “parede”, “mesibá”, “parede da câmara”, “câmara” e “parede do Heichal”, e depois volte a chamar tudo de “câmaras”, é porque o espaço entre duas paredes quaisquer é, em si, uma câmara; mas a “parede da mesibá”, a “parede da câmara” e a “parede do Heichal” não eram paredes maciças isoladas, e sim pares de paredes com um espaço entre elas, como ilustrado na planta. Algumas dessas câmaras recebiam nomes próprios, como a fileira inferior, chamada mesibá e Beit Horadat HaMáyim, entre outros, como registrado na figura e mencionado adiante no capítulo. A oeste, do mesmo modo, há três espaços — a parede da câmara, a câmara, e a parede do Heichal —, sobre os quais se erguiam mais três câmaras, e sobre estas, mais outras. E quando a mishná fala em “uma porta para a portinhola”, refere-se à câmara que contém a portinhola norte, por onde se entra no Heichal — esta câmara ficava na fileira intermediária, exatamente sobre a mesibá.

Bartenura · Midot 4:3
תָּאִים. לְשָׁכוֹת…

Bartenura explica: “câmaras” — salas. Sobre “quinze ao norte”, remete à mishná 4:7 adiante, onde se ensina que, contando de norte a sul, a soma é de setenta côvados: parede da mesibá, cinco; mesibá, três; parede da câmara, cinco; câmara, seis; parede do Heichal, seis — e o mesmo se repete, correspondentemente, ao sul. Isso não significa que a espessura da parede da mesibá, da parede da câmara e da parede do Heichal ao norte fosse exatamente essa medida isolada; antes, contam-se juntos a espessura da parede e o espaço vazio entre ela e a parede seguinte. Em cada um desses cinco intervalos — os cinco côvados da parede da mesibá, os três da mesibá, os cinco da parede da câmara, os seis da câmara, e os seis da parede do Heichal — havia uma câmara; logo, cinco câmaras ao norte, e correspondentemente cinco ao sul. Sobre essas cinco erguiam-se outras cinco, e mais cinco sobre estas: quinze câmaras ao norte e quinze ao sul. Do mesmo modo a oeste, onde a mesma mishná 4:7 ensina que a parede do Heichal tinha seis côvados, a câmara seis, e a parede da câmara cinco; em cada um havia uma sala, pois a parede não tinha seis côvados de espessura maciça, mas a parede somada à câmara contida nela totalizava seis, e a câmara externa a ela também tinha seis, e a parede da câmara seguinte somada à câmara nela contida tinha cinco: três câmaras. E sobre essas três, mais três, e sobre estas, duas: oito câmaras a oeste.

Sobre “uma para a portinhola”, explica: refere-se à câmara que contém a portinhola norte, pela qual se entra no Heichal. E a mishná anônima segue a opinião dos sábios, que ensinaram acima (4:2) que se entrava na câmara e da câmara ao Heichal — e não segundo Rabi Yehudá, que disse que se caminhava dentro da espessura da parede.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli — é um tratado de mishnayot puras, dedicado à descrição arquitetônica do Segundo Templo, sem comentário talmúdico amoraico. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.