E trinta e oito câmaras (taim) havia ali: quinze ao norte, quinze ao sul, e oito a oeste. As do norte e as do sul: cinco sobre cinco, e cinco sobre estas. E as do oeste: três sobre três, e duas sobre estas. E três portas tinha cada uma: uma para a câmara à direita, uma para a câmara à esquerda, e uma para a câmara acima dela. E no canto nordeste havia cinco portas: uma para a câmara à direita, uma para a câmara acima dela, uma para a mesibá, uma para a portinhola (pishpash), e uma para o Santuário.
O edifício do Heichal era envolto, em três de seus lados, por um sistema de trinta e oito câmaras dispostas em três andares sobrepostos: ao norte e ao sul, cinco câmaras no térreo, mais cinco no segundo andar e mais cinco no terceiro, totalizando quinze de cada lado; a oeste, três no térreo, mais três no segundo e duas no terceiro, totalizando oito. Cada câmara comunicava-se normalmente com suas vizinhas por três portas — à direita, à esquerda e para a câmara situada logo acima. A exceção era a câmara do canto nordeste, ponto de acesso ao Santuário descrito na mishná anterior: ali havia cinco portas, pois além das comunicações laterais e superior, essa câmara se ligava também à mesibá (a rampa em espiral que será descrita a seguir), à portinhola de entrada, e diretamente ao próprio Heichal.
Rambam recorda que, como já dissera em Tamid, o termo “tá” designa o espaço existente entre duas paredes. Observando a planta do Heichal, explica, encontram-se ao norte cinco desses espaços — a saber: a parede da mesibá, a mesibá, a parede da câmara, a câmara, e a parede do Heichal —, e outros tantos ao sul; por isso a mishná fala de cinco câmaras sobre cinco, e mais cinco sobre estas, formando três fileiras de câmaras, e do mesmo modo ao sul. Adverte que não se deve confundir: embora a mishná nomeie separadamente “parede”, “mesibá”, “parede da câmara”, “câmara” e “parede do Heichal”, e depois volte a chamar tudo de “câmaras”, é porque o espaço entre duas paredes quaisquer é, em si, uma câmara; mas a “parede da mesibá”, a “parede da câmara” e a “parede do Heichal” não eram paredes maciças isoladas, e sim pares de paredes com um espaço entre elas, como ilustrado na planta. Algumas dessas câmaras recebiam nomes próprios, como a fileira inferior, chamada mesibá e Beit Horadat HaMáyim, entre outros, como registrado na figura e mencionado adiante no capítulo. A oeste, do mesmo modo, há três espaços — a parede da câmara, a câmara, e a parede do Heichal —, sobre os quais se erguiam mais três câmaras, e sobre estas, mais outras. E quando a mishná fala em “uma porta para a portinhola”, refere-se à câmara que contém a portinhola norte, por onde se entra no Heichal — esta câmara ficava na fileira intermediária, exatamente sobre a mesibá.
Bartenura explica: “câmaras” — salas. Sobre “quinze ao norte”, remete à mishná 4:7 adiante, onde se ensina que, contando de norte a sul, a soma é de setenta côvados: parede da mesibá, cinco; mesibá, três; parede da câmara, cinco; câmara, seis; parede do Heichal, seis — e o mesmo se repete, correspondentemente, ao sul. Isso não significa que a espessura da parede da mesibá, da parede da câmara e da parede do Heichal ao norte fosse exatamente essa medida isolada; antes, contam-se juntos a espessura da parede e o espaço vazio entre ela e a parede seguinte. Em cada um desses cinco intervalos — os cinco côvados da parede da mesibá, os três da mesibá, os cinco da parede da câmara, os seis da câmara, e os seis da parede do Heichal — havia uma câmara; logo, cinco câmaras ao norte, e correspondentemente cinco ao sul. Sobre essas cinco erguiam-se outras cinco, e mais cinco sobre estas: quinze câmaras ao norte e quinze ao sul. Do mesmo modo a oeste, onde a mesma mishná 4:7 ensina que a parede do Heichal tinha seis côvados, a câmara seis, e a parede da câmara cinco; em cada um havia uma sala, pois a parede não tinha seis côvados de espessura maciça, mas a parede somada à câmara contida nela totalizava seis, e a câmara externa a ela também tinha seis, e a parede da câmara seguinte somada à câmara nela contida tinha cinco: três câmaras. E sobre essas três, mais três, e sobre estas, duas: oito câmaras a oeste.
Sobre “uma para a portinhola”, explica: refere-se à câmara que contém a portinhola norte, pela qual se entra no Heichal. E a mishná anônima segue a opinião dos sábios, que ensinaram acima (4:2) que se entrava na câmara e da câmara ao Heichal — e não segundo Rabi Yehudá, que disse que se caminhava dentro da espessura da parede.