A [câmara] inferior: cinco [côvados de largura], e seu piso superior, seis. E a intermediária: seis, e seu piso superior, sete. E a superior: sete, conforme está dito: “O andar inferior tinha cinco côvados de largura, o do meio, seis côvados de largura, e o terceiro, sete côvados de largura” (I Reis 6:6).
Esta mishná breve fecha o tema das câmaras que envolvem o Heichal, detalhando como sua largura crescia a cada andar. A câmara do térreo tinha cinco côvados de largura, mas o piso construído sobre seu teto — já pertencente ao andar seguinte — alargava-se para seis; a câmara intermediária, por sua vez, tinha seis côvados, e seu piso superior, sete; e a câmara do topo tinha sete côvados de largura. Esse alargamento progressivo, côvado a côvado, resultava do recuo da parede externa em cada nível, técnica já descrita no relato bíblico da construção do primeiro Templo por Salomão, citado aqui como fonte e precedente direto para a arquitetura do Segundo Templo.
“O andar inferior tinha cinco côvados de largura, o do meio, seis côvados de largura, e o terceiro, sete côvados de largura.” O versículo descreve as câmaras laterais (yatzia) construídas ao redor do Templo de Salomão, cuja largura crescia côvado a côvado em cada andar, devido ao recuo da parede a cada nível — para que as vigas pudessem apoiar-se sem perfurar a própria parede do Santuário, como explicam Rambam e Bartenura. A mishná aplica a mesma estrutura ao sistema de câmaras do Segundo Templo.
Rambam explica que os “yatzia” são as galerias que envolvem o Heichal por fora; a galeria intermediária era mais larga que a inferior, e a superior, mais larga que a intermediária, para que não fosse possível encostar-se diretamente à parede do Santuário — é isto que está dito no versículo “pois recessos foram feitos para a casa ao redor”. E assim todo o Heichal era cercado por fora, até a parede da mesibá, por três galerias, conforme a figura correspondente.
Bartenura explica: por fora da parede da mesibá — que é a parede externa do Santo — havia galerias (yatzia), isto é, varandas que cercavam a casa em três lados: oeste, norte e sul; e essas galerias formavam três níveis: inferior, segundo e terceiro. A galeria inferior tinha cinco côvados de largura, e o piso construído sobre ela — ou seja, o teto da inferior, que servia de chão da intermediária — tinha seis côvados de largura, porque a parede da mesibá ia estreitando-se para cima; ao chegar ao piso situado sobre a câmara inferior, recuava um côvado para dentro, e sobre esse côvado saliente apoiavam-se as vigas da galeria. Assim, a galeria intermediária resultava um côvado mais larga que a inferior — exatamente aquele côvado em que a parede recuava. E, do mesmo modo, ao chegar ao piso situado sobre a intermediária, que era o chão da terceira, a parede voltava a recuar mais um côvado, para que a cabeça da viga se apoiasse sobre esse côvado, pois a parede intermediária sobressaía mais para fora do que a parede superior; resultando a galeria superior um côvado mais larga que a intermediária, e dois côvados mais larga que a inferior. E é isso que está dito (I Reis 6:6): “pois recessos foram feitos para a casa ao redor, para que não se agarrasse às paredes da casa” — isto é, diminuía-se e reduzia-se a espessura da parede por fora em um côvado no piso da intermediária, e mais um côvado no piso da superior, para que houvesse lugar onde apoiar as cabeças das vigas do piso, sem necessidade de perfurar as paredes da casa para nelas encaixar as vigas.