E havia câmaras sob o átrio de Israel, abertas para o átrio das mulheres, onde os levitas guardavam liras, harpas, címbalos e todos os instrumentos musicais. O átrio de Israel media cento e trinta e cinco côvados de comprimento por onze de largura. E assim também o átrio dos sacerdotes media cento e trinta e cinco côvados de comprimento por onze de largura. E cabeças de vigas salientes separavam o átrio de Israel do átrio dos sacerdotes. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: havia ali um degrau, alto de um côvado, sobre o qual estava colocado o estrado, e nele três degraus de meio côvado cada. Assim, o átrio dos sacerdotes ficava dois côvados e meio mais alto que o átrio de Israel. Todo o átrio media cento e oitenta e sete côvados de comprimento por cento e trinta e cinco de largura. E havia ali treze prostrações. Abba Yossei ben Chanan diz: correspondendo a treze portões. Os portões do sul, próximos ao oeste: o Portão Superior, o Portão da Fogueira, o Portão dos Primogênitos, o Portão das Águas — e por que se chamava Portão das Águas? Porque por ele traziam o jarro de água da libação na festa. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: nele as águas borbulhavam, e no futuro sairão de sob o umbral da Casa. E, correspondendo a eles, ao norte, próximos ao oeste: o Portão de Yechonyáh, o Portão da Oferenda, o Portão das Mulheres, o Portão do Canto. E por que se chamava Portão de Yechonyáh? Porque por ele saiu Yechonyáh para seu exílio. O do leste: o Portão de Nicanor, que tinha duas portas pequenas, uma à direita e outra à esquerda. E dois no oeste, que não tinham nome.
Encerra-se o Perek Bet com uma síntese das medidas finais do átrio — o átrio de Israel e o átrio dos sacerdotes, separados por uma leve elevação de vigas salientes, e depois pelo estrado dos levitas descrito por Rabi Eliezer ben Yaakov, que erguia o átrio dos sacerdotes dois côvados e meio acima do de Israel. A mishná fecha com o catálogo dos treze portões do átrio — quatro ao sul, quatro ao norte, um a leste (o de Nicanor, com suas duas portas menores) e dois sem nome a oeste — cada nome preservando uma função ritual ou uma memória histórica, como o Portão das Águas, ligado à libação da festa de Sucot, ou o Portão de Yechonyáh, que guarda a lembrança do exílio do rei.
Rambam explica que a expressão “o átrio”, empregada aqui como “todo o átrio”, refere-se ao chamado “átrio absoluto”: a área que começa no átrio de Israel e se estende até onze côvados atrás do Santuário, conforme se explicará ao final deste tratado. É esse o espaço cuja profanação intencional acarreta carét, e cuja profanação inadvertida acarreta oferta pelo pecado — sendo por isso chamado “santuário absoluto”. Rambam observa ainda uma divergência já mencionada por ele: o tanna anônimo desta mishná conta treze portões do átrio, enquanto os sábios contam sete; e a razão dada para as treze prostrações é que correspondiam às treze brechas que os reis gregos haviam aberto no Soreg, como já se mencionou neste capítulo.
Bartenura explica: “e cabeças de vigas salientes” — pontas de vigas que se projetavam para fora do muro, para separar o átrio de Israel do átrio dos sacerdotes. “Havia ali um degrau” — no átrio de Israel, “alto de um côvado”, com o comprimento equivalente a todo o comprimento do átrio.
“E o estrado” — dos levitas, construído sobre esse degrau, feito como uma espécie de banco elevado, com altura de côvado e meio. “E nele três degraus de meio côvado cada” — pelos quais se subia ao estrado.
“Todo o átrio” — desde o início do átrio de Israel até onze côvados de espaço livre atrás da Câmara do Propiciatório. “E largura” — de norte a sul.
“Treze portões” — conforme os enumera um a um a seguir. E quem afirma que o átrio tinha sete portões justifica as treze prostrações por corresponderem às treze brechas que os reis gregos abriram no Soreg, como se disse acima neste capítulo. E toda esta mishná já foi explicada no primeiro capítulo.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Bet, segundo capítulo de Massechet Midot. Se o Perek Alef percorreu os postos de guarda noturnos do Templo, o Perek Bet avançou para dentro do complexo, medindo-o camada por camada: as dimensões gerais do Monte do Templo e sua distribuição desigual de espaço (2:1); o sentido de circulação e a rota inversa reservada ao enlutado e ao excomungado (2:2); o Soreg com suas treze brechas históricas, o Chel e as medidas padronizadas de portas e portões (2:3); o muro oriental propositalmente baixo, ligado ao ritual da vaca ruiva (2:4); o átrio das mulheres, suas quatro câmaras funcionais e a sacada que separava os sexos durante a Simchat Beit HaShoeivah (2:5); e, por fim, as câmaras de instrumentos musicais dos levitas, as medidas finais do átrio de Israel e do átrio dos sacerdotes, e o catálogo dos treze portões (2:6).
Como em todo o tratado, Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli; por isso, este capítulo também se apoiou em Rambam e Bartenura como comentadores centrais, sem seção de mefarshim talmúdicos — com a exceção notável da mishná 2:4, cujo Perush HaMishná de Rambam não chegou até nós, sendo apresentado ali apenas o comentário de Bartenura. Segue-se, na ordem, o Perek Guimel, que continuará a descrição arquitetônica do Templo: o altar, a rampa, o Santuário e suas dependências.