Seder Kodashim · Massechet Midot · Perek Bet · Mishná 6 de 6 — última do capítulo

As câmaras dos levitas e os treze portões

וּלְשָׁכוֹת הָיוּ תַחַת עֶזְרַת יִשְׂרָאֵל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

As câmaras de instrumentos musicais sob o átrio de Israel, as dimensões dos átrios de Israel e dos sacerdotes, o estrado elevado dos levitas, e o rol dos treze portões do átrio, encerrando o capítulo

E havia câmaras sob o átrio de Israel, abertas para o átrio das mulheres, onde os levitas guardavam liras, harpas, címbalos e todos os instrumentos musicais. O átrio de Israel media cento e trinta e cinco côvados de comprimento por onze de largura. E assim também o átrio dos sacerdotes media cento e trinta e cinco côvados de comprimento por onze de largura. E cabeças de vigas salientes separavam o átrio de Israel do átrio dos sacerdotes. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: havia ali um degrau, alto de um côvado, sobre o qual estava colocado o estrado, e nele três degraus de meio côvado cada. Assim, o átrio dos sacerdotes ficava dois côvados e meio mais alto que o átrio de Israel. Todo o átrio media cento e oitenta e sete côvados de comprimento por cento e trinta e cinco de largura. E havia ali treze prostrações. Abba Yossei ben Chanan diz: correspondendo a treze portões. Os portões do sul, próximos ao oeste: o Portão Superior, o Portão da Fogueira, o Portão dos Primogênitos, o Portão das Águas — e por que se chamava Portão das Águas? Porque por ele traziam o jarro de água da libação na festa. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: nele as águas borbulhavam, e no futuro sairão de sob o umbral da Casa. E, correspondendo a eles, ao norte, próximos ao oeste: o Portão de Yechonyáh, o Portão da Oferenda, o Portão das Mulheres, o Portão do Canto. E por que se chamava Portão de Yechonyáh? Porque por ele saiu Yechonyáh para seu exílio. O do leste: o Portão de Nicanor, que tinha duas portas pequenas, uma à direita e outra à esquerda. E dois no oeste, que não tinham nome.

Encerra-se o Perek Bet com uma síntese das medidas finais do átrio — o átrio de Israel e o átrio dos sacerdotes, separados por uma leve elevação de vigas salientes, e depois pelo estrado dos levitas descrito por Rabi Eliezer ben Yaakov, que erguia o átrio dos sacerdotes dois côvados e meio acima do de Israel. A mishná fecha com o catálogo dos treze portões do átrio — quatro ao sul, quatro ao norte, um a leste (o de Nicanor, com suas duas portas menores) e dois sem nome a oeste — cada nome preservando uma função ritual ou uma memória histórica, como o Portão das Águas, ligado à libação da festa de Sucot, ou o Portão de Yechonyáh, que guarda a lembrança do exílio do rei.

וּלְשָׁכוֹת הָיוּ תַחַת עֶזְרַת יִשְׂרָאֵל, וּפְתוּחוֹת לְעֶזְרַת הַנָּשִׁים, שֶׁשָּׁם הַלְוִיִּם נוֹתְנִים כִּנּוֹרוֹת וּנְבָלִים וּמְצִלְתַּיִם וְכָל כְּלֵי שִׁיר. עֶזְרַת יִשְׂרָאֵל הָיְתָה אֹרֶךְ מֵאָה אַמָּה וּשְׁלשִׁים וְחָמֵשׁ עַל רֹחַב אַחַת עֶשְׂרֵה. וְכֵן עֶזְרַת כֹּהֲנִים הָיְתָה אֹרֶךְ מֵאָה וּשְׁלשִׁים וְחָמֵשׁ עַל רֹחַב אַחַת עֶשְׂרֵה. וְרָאשֵׁי פִסְפָּסִין מַבְדִּילִין בֵּין עֶזְרַת יִשְׂרָאֵל לְעֶזְרַת הַכֹּהֲנִים. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב אוֹמֵר, מַעֲלָה הָיְתָה שָׁם, וּגְבוֹהָה אַמָּה, וְהַדּוּכָן נָתוּן עָלֶיהָ, וּבָהּ שָׁלשׁ מַעֲלוֹת שֶׁל חֲצִי חֲצִי אַמָּה. נִמְצֵאת עֶזְרַת הַכֹּהֲנִים גְּבוֹהָה מֵעֶזְרַת יִשְׂרָאֵל שְׁתֵּי אַמּוֹת וּמֶחֱצָה. כָּל הָעֲזָרָה הָיְתָה אֹרֶךְ מֵאָה וּשְׁמוֹנִים וָשֶׁבַע עַל רֹחַב מֵאָה וּשְׁלשִׁים וְחָמֵשׁ. וּשְׁלֹשׁ עֶשְׂרֵה הִשְׁתַּחֲוָיוֹת הָיוּ שָׁם. אַבָּא יוֹסֵי בֶן חָנָן אוֹמֵר, כְּנֶגֶד שְׁלֹשָׁה עָשָׂר שְׁעָרִים. שְׁעָרִים דְּרוֹמִיִּים סְמוּכִים לַמַּעֲרָב, שַׁעַר הָעֶלְיוֹן, שַׁעַר הַדֶּלֶק, שַׁעַר הַבְּכוֹרוֹת, שַׁעַר הַמָּיִם, וְלָמָּה נִקְרָא שְׁמוֹ שַׁעַר הַמַּיִם. שֶׁבּוֹ מַכְנִיסִין צְלוֹחִית שֶׁל מַיִם שֶׁל נִסּוּךְ בֶּחָג. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן יַעֲקֹב אוֹמֵר, וּבוֹ הַמַּיִם מְפַכִּים, וַעֲתִידִין לִהְיוֹת יוֹצְאִין מִתַּחַת מִפְתַּן הַבָּיִת. וּלְעֻמָּתָן בַּצָּפוֹן סְמוּכִים לַמַּעֲרָב, שַׁעַר יְכָנְיָה, שַׁעַר הַקָּרְבָּן, שַׁעַר הַנָּשִׁים, שַׁעַר הַשִּׁיר. וְלָמָּה נִקְרָא שְׁמוֹ שַׁעַר יְכָנְיָה, שֶׁבּוֹ יָצָא יְכָנְיָה בְּגָלוּתוֹ. שֶׁבַּמִּזְרָח, שַׁעַר נִקָּנוֹר. וּשְׁנֵי פִשְׁפָּשִׁים הָיוּ לוֹ, אֶחָד מִימִינוֹ וְאֶחָד מִשְּׂמֹאלוֹ. וּשְׁנַיִם בַּמַעֲרָב, לֹא הָיָה לָהֶם שֵׁם:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Midot 2:6
העזרה מוחלטת, והוא שאמר עליה כאן כל העזרה וכו', הוא מתחלת עזרת ישראל ולמעלה...

Rambam explica que a expressão “o átrio”, empregada aqui como “todo o átrio”, refere-se ao chamado “átrio absoluto”: a área que começa no átrio de Israel e se estende até onze côvados atrás do Santuário, conforme se explicará ao final deste tratado. É esse o espaço cuja profanação intencional acarreta carét, e cuja profanação inadvertida acarreta oferta pelo pecado — sendo por isso chamado “santuário absoluto”. Rambam observa ainda uma divergência já mencionada por ele: o tanna anônimo desta mishná conta treze portões do átrio, enquanto os sábios contam sete; e a razão dada para as treze prostrações é que correspondiam às treze brechas que os reis gregos haviam aberto no Soreg, como já se mencionou neste capítulo.

Bartenura · Midot 2:6
וְרָאשֵׁי פִסְפָּסִין. רָאשֵׁי קוֹרוֹת בּוֹלְטִים וְיוֹצְאִים מִן הַכֹּתֶל...

Bartenura explica: “e cabeças de vigas salientes” — pontas de vigas que se projetavam para fora do muro, para separar o átrio de Israel do átrio dos sacerdotes. “Havia ali um degrau” — no átrio de Israel, “alto de um côvado”, com o comprimento equivalente a todo o comprimento do átrio.

“E o estrado” — dos levitas, construído sobre esse degrau, feito como uma espécie de banco elevado, com altura de côvado e meio. “E nele três degraus de meio côvado cada” — pelos quais se subia ao estrado.

“Todo o átrio” — desde o início do átrio de Israel até onze côvados de espaço livre atrás da Câmara do Propiciatório. “E largura” — de norte a sul.

“Treze portões” — conforme os enumera um a um a seguir. E quem afirma que o átrio tinha sete portões justifica as treze prostrações por corresponderem às treze brechas que os reis gregos abriram no Soreg, como se disse acima neste capítulo. E toda esta mishná já foi explicada no primeiro capítulo.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli — é um tratado de mishnayot puras, dedicado à descrição arquitetônica do Segundo Templo, sem comentário talmúdico amoraico. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.

Com esta mishná, encerra-se o Perek Bet, segundo capítulo de Massechet Midot. Se o Perek Alef percorreu os postos de guarda noturnos do Templo, o Perek Bet avançou para dentro do complexo, medindo-o camada por camada: as dimensões gerais do Monte do Templo e sua distribuição desigual de espaço (2:1); o sentido de circulação e a rota inversa reservada ao enlutado e ao excomungado (2:2); o Soreg com suas treze brechas históricas, o Chel e as medidas padronizadas de portas e portões (2:3); o muro oriental propositalmente baixo, ligado ao ritual da vaca ruiva (2:4); o átrio das mulheres, suas quatro câmaras funcionais e a sacada que separava os sexos durante a Simchat Beit HaShoeivah (2:5); e, por fim, as câmaras de instrumentos musicais dos levitas, as medidas finais do átrio de Israel e do átrio dos sacerdotes, e o catálogo dos treze portões (2:6).

Como em todo o tratado, Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli; por isso, este capítulo também se apoiou em Rambam e Bartenura como comentadores centrais, sem seção de mefarshim talmúdicos — com a exceção notável da mishná 2:4, cujo Perush HaMishná de Rambam não chegou até nós, sendo apresentado ali apenas o comentário de Bartenura. Segue-se, na ordem, o Perek Guimel, que continuará a descrição arquitetônica do Templo: o altar, a rampa, o Santuário e suas dependências.