O altar media trinta e dois côvados por trinta e dois. Subia um côvado e recuava um côvado — este era o fundamento (yessod). Restava, assim, trinta por trinta. Subia cinco côvados e recuava um côvado — este era o rebordo (sovev). Restava, assim, vinte e oito por vinte e oito. O lugar dos chifres tomava um côvado daqui e um côvado dali. Restava, assim, vinte e seis por vinte e seis. O lugar de passagem dos pés dos sacerdotes tomava um côvado daqui e um côvado dali. Restava, assim, vinte e quatro por vinte e quatro — o lugar da pilha de lenha (maaracháh). Disse Rabi Yossei: no início media apenas vinte e oito por vinte e oito, e recuava e subia nesta mesma medida, até que o lugar da pilha de lenha ficava em vinte por vinte. Mas quando subiram os filhos do exílio, acrescentaram-lhe quatro côvados do sul e quatro côvados do oeste, em forma de gama grega, conforme está dito: “E o altar-lareira terá doze côvados de comprimento por doze de largura, quadrado” (Yechezkel 43:16). Poder-se-ia pensar que media apenas doze por doze; mas quando diz “em seus quatro lados iguais”, ensina que se media a partir do meio, doze côvados para cada lado. E um fio de escarlate o cingia no meio, para separar entre os sangues superiores e os sangues inferiores. E o fundamento se estendia por toda a face do norte e por toda a face do oeste, e tomava do sul um côvado, e do leste um côvado.
Abre-se o Perek Guimel com a peça central de todo o átrio: o altar de sacrifícios, descrito camada por camada, de baixo para cima, como um edifício maciço de pedra que se estreita à medida que sobe — trinta e dois côvados na base, reduzindo-se a vinte e quatro no topo, onde ardia a pilha de lenha. A mishná registra também a divergência de Rabi Yossei sobre as dimensões originais, menores, do altar salomônico, e o acréscimo feito pelos que retornaram do exílio babilônico, apoiado na visão profética de Yechezkel sobre o altar do Templo futuro. O fio de escarlate no meio da altura do altar marcava a linha divisória entre as aspersões de sangue feitas na metade superior e as feitas na metade inferior, distinção central nas leis dos diferentes tipos de oferendas.
“E o altar-lareira terá doze côvados de comprimento por doze de largura, quadrado, em seus quatro lados iguais.” A mishná lê a expressão “em seus quatro lados iguais” como ensinando que a medida de doze côvados profetizada por Yechezkel para o altar do Templo futuro é contada a partir do centro do topo do altar para cada lado — e não como a medida total de um lado a outro — de modo que o verso confirma, e não contradiz, a medida de vinte e quatro côvados quadrados atribuída aqui ao lugar da pilha de lenha do altar construído pelos filhos do exílio.
Rambam observa que a mishná não menciona a altura total do altar porque ela era sabida e não mudou: o altar que fez Moshé tinha dez côvados, o que fez Shlomó tinha dez côvados, e o que fizeram os filhos do exílio tinha dez côvados. Ele remete ao Talmud (Zevachim), onde se detalha essa altura em côvados de seis e de cinco palmos conforme a peça, e recorda o ensinamento de que o altar construído não era oco como o de Moshé no deserto, mas maciço, feito de camadas sucessivas de pedras, cal e piche derretidos, cada camada com sua própria moldura de madeira. Rambam anuncia que desenhará a figura do altar, com suas medidas exatas em côvados e palmos, remetendo ao que já explicara no comentário a Massechet Tamid sobre o mesmo tema, e recorda o ensinamento talmúdico de que a precisão nas medidas e no local do altar era matéria de grande rigor, tendo três profetas subido com os que retornaram do exílio precisamente para atestar essas três coisas: o altar em si, seu local exato, e a permissão de oferecer sacrifícios mesmo antes da reconstrução do próprio Templo.
Bartenura descreve a construção camada por camada: traziam uma armação quadrada de quatro tábuas, cada uma com trinta e dois côvados de comprimento e um côvado de largura — essa largura sendo a altura da própria camada — e a enchiam de pedras, cal, piche e chumbo derretido, formando um bloco maciço de trinta e dois por trinta e dois côvados, com um côvado de altura: este era o fundamento. Depois de erguido o fundamento a um côvado, traziam outra armação de trinta côvados de lado e cinco côvados de altura, colocavam-na sobre o fundamento e a enchiam do mesmo modo, formando o rebordo (sovev), que ficava recuado um côvado de cada lado em relação ao fundamento. Em seguida traziam uma terceira armação de vinte e oito por vinte e oito côvados, com três côvados de altura, colocada sobre o rebordo — este era o lugar da pilha de lenha, o topo do altar. Por fim, para cada um dos quatro cantos, traziam uma armação de um côvado por um côvado, com um côvado de altura, formando os chifres do altar.
“O lugar de passagem dos pés dos sacerdotes” — para que os sacerdotes não precisassem caminhar entre os próprios chifres, deixava-se um côvado livre a partir do lugar dos chifres, para dentro, destinado à passagem dos seus pés. “No início” — nos dias de Shlomó, o altar media apenas vinte e oito por vinte e oito côvados, e as reduções sucessivas do fundamento, do rebordo, do lugar dos chifres e do lugar de passagem dos sacerdotes deixavam apenas vinte por vinte côvados para a pilha de lenha. E quando subiram os filhos do exílio e acrescentaram quatro côvados, como relatado em Zevachim, no capítulo Kodshei Kodashim: o termo “gama” refere-se à letra grega gimel, semelhante a um nosso nun invertido. Explica-se ali que, por causa dos orifícios de escoamento (shitin), por onde desciam as libações, estenderam o altar para o sul e para o oeste: originalmente, nos dias de Shlomó, interpretava-se o verso “altar de terra” como exigindo que o altar fosse maciço como a própria terra, sem cavidade; e quando se derramavam as libações no canto sudoeste, elas desciam do altar até o piso e escoavam para um poço cavado ali perto, fora do corpo do altar. Os filhos do exílio ampliaram a construção até que aquele poço ficasse englobado dentro do próprio altar, e abriram orifícios no topo, correspondentes a ele, por onde as libações pudessem descer — pois se ensinava que a bebida deve ser tratada como a comida: assim como a comida, isto é, as oferendas, se consome sobre o altar pelo fogo, também a bebida, isto é, as libações, deve ser absorvida dentro do altar.