De leste a oeste, cem côvados: a parede do Ulam, cinco; e o Ulam, onze; a parede do Santuário, seis, e seu interior, quarenta côvados; um côvado de traksin; e vinte côvados o Santo dos Santos; a parede do Santuário, seis; e a câmara, seis; e a parede da câmara, cinco. Do norte ao sul, setenta côvados: a parede da mesibá, cinco; e a mesibá, três; a parede da câmara, cinco; e a câmara, seis; a parede do Santuário, seis, e seu interior, vinte côvados; a parede do Santuário, seis; e a câmara, seis; e a parede da câmara, cinco; e o lugar do escoamento das águas, três côvados; e a parede, cinco côvados. O Ulam excedia-o em quinze côvados ao norte e quinze côvados ao sul, e isso se chamava Beit HaChalifot, pois ali se guardavam as facas. E o Santuário era estreito atrás e largo à frente, semelhante a um leão, conforme está dito: “Ai de Ariel, Ariel, cidade onde acampou David” (Isaías 29:1): assim como o leão é estreito atrás e largo à frente, também o Santuário era estreito atrás e largo à frente.
Fecha-se o Perek Dalet com o levantamento completo, parede por parede, das cem côvados de comprimento (leste-oeste) e das setenta côvados de largura (norte-sul) de todo o complexo do Heichal. No eixo leste-oeste, a mishná soma a parede e o corpo do Ulam, a parede e o interior do próprio Santuário, a parede divisória do traksin, o Santo dos Santos, e as câmaras e paredes do lado ocidental. No eixo norte-sul, soma a parede e o corpo da mesibá, as câmaras e paredes sucessivas de cada lado, o interior do Santuário, e o espaço de escoamento das águas. O Ulam, mais largo que o próprio Heichal, projetava-se quinze côvados além dele para cada lado — norte e sul —, formando um espaço conhecido como Beit HaChalifot, onde se guardavam as facas de abate ritual. A mishná encerra com uma imagem: o edifício do Santuário, mais estreito na parte de trás (a oeste, onde ficava o Santo dos Santos) e mais largo na parte da frente (a leste, onde ficava o Ulam), era comparado pelos sábios a um leão, cujo corpo é igualmente estreito na garupa e largo nos ombros dianteiros — imagem tirada da designação profética de Jerusalém como “Ariel”, literalmente “leão de Deus”.
“Ai de Ariel, Ariel, cidade onde acampou David.” O profeta Yeshayáhu abre seu oráculo contra Jerusalém chamando-a de “Ariel”, nome que os sábios associam à forma de um leão. A mishná retoma essa designação para descrever a própria planta do edifício do Santuário: assim como o leão tem o corpo estreito na parte de trás e largo na dianteira, também o Heichal era mais estreito do lado ocidental, onde ficava o Santo dos Santos, e mais largo do lado oriental, onde se abria o Ulam.
Rambam remete à figura do Heichal em comprimento e largura já apresentada no início do capítulo, onde essas medidas foram assentadas, observando que tudo o que está escrito nesta mishná se esclarece a partir daquela planta. Acrescenta que, segundo o que se escreveu a respeito do primeiro Templo, seu comprimento era de sessenta côvados e sua largura de vinte, sendo o Santo dos Santos um terço desse comprimento — assim como no Mishkan —, ou seja, vinte côvados, e o Heichal propriamente dito, quarenta. Quanto à parede que separava o Heichal do Santo dos Santos, chamada “traksin”, havia nela uma abertura, sobre a qual pendia um véu (paróchet). No Segundo Templo, surgiu dúvida sobre a espessura dessa parede do traksin: se deveria ser incluída nos quarenta côvados do Heichal — caso em que o véu ficaria a vinte e um côvados da parede ocidental —, ou se pertenceria à medida do Santo dos Santos, deixando a borda do véu exatamente no limite de um terço. Por isso, colocaram a espessura da parede fora da medida do Heichal e do Santo dos Santos, e penduraram um véu por dentro e outro por fora, ficando o traksin entre os dois véus, com um côvado de distância entre eles — como já explicado no quinto capítulo de Yoma. E o Heichal todo, medido por inteiro, era de cem por cem côvados; a construção inclinava-se ligeiramente para o lado ocidental, e, ao se estender para o lado oriental, alargava-se, à semelhança do leão, que é largo na dianteira e estreito na parte de trás, conforme ilustrado na figura correspondente.
Bartenura explica, medida por medida: a espessura da parede do Ulam do lado leste era de cinco côvados, e a da parede do Heichal, seis côvados, também do lado leste. “E seu interior” — o vão interno do Heichal media quarenta côvados. “E um côvado de traksin” — a parede que separa o Heichal do Santo dos Santos chama-se traksin, por “fechar” sobre a Arca e as Tábuas dadas no Sinai (a palavra aramaica “terak” significa fechamento, como em “fechar os portões”, e “sin” alude a Sinai); sua espessura era de um côvado. Os sábios não chegaram a decidir se sua santidade equivalia à santidade do interior ou à do exterior; por isso, no Segundo Templo, fizeram dois véus, um externo e um interno, com um côvado de ar entre eles, para abarcar entre ambos o espaço da parede que, no Primeiro Templo, tinha um côvado de espessura.
Sobre “a parede do Santuário, seis”, repetida várias vezes, explica que não se trata da espessura maciça da própria parede, mas da espessura da parede somada ao espaço vazio entre ela e a parede seguinte; e assim, os três espaços vazios entre as quatro paredes mencionadas correspondem às câmaras, sobre as quais se erguiam outras câmaras, como já ensinado. Sobre “quinze côvados ao norte”, explica que a espessura da parede do Ulam era de cinco côvados, e o próprio corpo do Ulam se estendia dez côvados além do Heichal, tanto ao norte quanto ao sul, totalizando os quinze côvados mencionados. “Beit HaChalifot” — por causa das facas ali guardadas, chamava-se assim, pois em língua romana as facas grandes eram chamadas “chalafim”. E sobre a comparação final — “estreito atrás”, do lado ocidental, e “largo à frente”, do lado oriental —, Bartenura observa, com honestidade, que não lhe ficou claro exatamente como se dava essa diferença, visto que, segundo a medida geral, o Heichal era de cem por cem côvados igualmente.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Dalet, quarto capítulo de Massechet Midot. Depois de o Perek Guimel medir o altar e o pátio ao seu redor, o Perek Dalet voltou-se para o próprio edifício do Heichal: o portal do Santuário e suas quatro portas, com a disputa de Rabi Yehudá sobre seu formato articulado (4:1); as duas portinholas do grande portão, a do sul jamais aberta por causa da profecia de Yechezkel, e o percurso do sacerdote até o Santuário (4:2); as trinta e oito câmaras que cercavam o edifício em três andares, com seus vãos de comunicação (4:3); a largura crescente de cada andar dessas câmaras, fundamentada no relato do Templo de Salomão (4:4); o percurso completo da mesibá em espiral até o portal do sobrado, e as claraboias pelas quais os artesãos eram descidos em caixas para não contemplar o Santo dos Santos (4:5); a altura total de cem côvados do Heichal, camada por camada, até o espanta-corvos de ferro (4:6); e, por fim, o levantamento horizontal completo de todo o complexo, encerrado pela imagem do Santuário estreito atrás e largo à frente, como um leão (4:7).
Como em todo o tratado, Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli; por isso, este capítulo também se apoiou em Rambam e Bartenura como comentadores centrais, sem seção de mefarshim talmúdicos. Segue-se, na ordem, o Perek Hei, quinto e último capítulo do tratado, que descreverá o Har HaBáyit, o pátio das mulheres, e a organização final dos sacerdotes e levitas em seus postos de serviço.