Seder Kodashim · Massechet Midot · Perek Hei · Mishná 1 de 4

As medidas do pátio de leste a oeste

כָּל הָעֲזָרָה הָיְתָה אֹרֶךְ מֵאָה וּשְׁמוֹנִים וָשֶׁבַע
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abertura do Perek Hei, último capítulo do tratado: as medidas totais do pátio (azará) do Templo, cento e oitenta e sete côvados de comprimento por cento e trinta e cinco de largura, e sua divisão de leste a oeste — pátio de Israel, pátio dos sacerdotes, altar, espaço entre o Ulam e o altar, o Heichal, e o espaço atrás do Kapórret

Todo o pátio tinha cento e oitenta e sete côvados de comprimento por cento e trinta e cinco de largura. De leste a oeste, cento e oitenta e sete: o lugar do pisar de Israel, onze côvados; o lugar do pisar dos sacerdotes, onze côvados; o altar, trinta e dois; entre o Ulam e o altar, vinte e dois côvados; o Heichal, cem côvados; e onze côvados atrás da Casa do Kapórret.

Abrindo o último capítulo do tratado, a mishná apresenta as medidas gerais de todo o pátio do Templo: cento e oitenta e sete côvados de comprimento (eixo leste-oeste) por cento e trinta e cinco côvados de largura (eixo norte-sul). Em seguida, decompõe o eixo leste-oeste em suas partes constituintes, somando exatamente aos cento e oitenta e sete côvados anunciados: o espaço onde os israelitas comuns podiam caminhar (o pátio de Israel), o espaço reservado ao pisar dos sacerdotes (o pátio dos sacerdotes), a largura do próprio altar, o intervalo entre o pórtico do Ulam e o altar, o comprimento do edifício do Heichal — já detalhado no capítulo anterior —, e, por fim, o espaço remanescente do lado ocidental, atrás do lugar correspondente ao Kapórret (o propiciatório da Arca), que ficava no Santo dos Santos do Primeiro Templo. Essa sequência de medidas, lida de leste para oeste, percorre visualmente todo o percurso que um sacerdote faria da entrada do pátio até o ponto mais interno e sagrado do complexo.

כָּל הָעֲזָרָה הָיְתָה אֹרֶךְ מֵאָה וּשְׁמוֹנִים וָשֶׁבַע עַל רֹחַב מֵאָה וּשְׁלֹשִׁים וְחָמֵשׁ. מִן הַמִּזְרָח לַמַּעֲרָב מֵאָה וּשְׁמוֹנִים וָשֶׁבַע, מְקוֹם דְּרִיסַת יִשְׂרָאֵל אַחַת עֶשְׂרֵה אַמָּה, מְקוֹם דְּרִיסַת הַכֹּהֲנִים אַחַת עֶשְׂרֵה אַמָּה, הַמִּזְבֵּחַ שְׁלֹשִׁים וּשְׁתַּיִם, בֵּין הָאוּלָם וְלַמִּזְבֵּחַ עֶשְׂרִים וּשְׁתַּיִם אַמָּה, הַהֵיכָל מֵאָה אַמָּה, וְאַחַת עֶשְׂרֵה אַמָּה לַאֲחוֹרֵי בֵית הַכַּפֹּרֶת:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Midot 5:1
כבר הקדמנו בתחלת מסכתא זו שהשער השלישי משערי העזרה שהיה בדרום נקרא שער המים…

Rambam recorda que já antecipara, no início deste tratado, que a terceira das portas do pátio, situada ao sul, chamava-se Porta das Águas (Shaar HaMáyim), e que se explica na Guemará de Yomá (31a) que sobre essa porta ficava o poço de imersão onde o sumo sacerdote realizava, no Dia do Perdão, sua primeira imersão; a água chegava até ali de uma fonte chamada Ein Eitam. Sobre essa imersão, diz-se em Yomá que ocorria ainda em dia comum, como ali se explicou, e que o sumo sacerdote possuía uma câmara junto a esse poço, sobre a porta do pátio. E, segundo o que se depreende do Talmud, a câmara da madeira, situada ao norte — que era a câmara do sumo sacerdote, como se ensinará adiante —, era também a câmara de Parhedrin mencionada no início do tratado Yomá; e a câmara aqui referida, ao sul, sobre a Porta das Águas, é a câmara de Beit Avtinas, onde faziam jurar seus membros na véspera do Dia do Perdão, como já explicado ali. Explica-se também na Guemará de Yomá que a câmara da pedra lavrada tinha metade sagrada e metade comum, com duas portas — uma aberta para o sagrado e outra para o comum —, sendo que a metade comum ficava do lado ocidental; e nessa metade era permitido sentar-se, pois já explicamos que não há assento permitido no pátio, exceto para os reis da casa de David.

Bartenura · Midot 5:1
כָּל הָעֲזָרָה. כָּל הֶקֵּף הָעֲזָרָה, שֶׁבְּתוֹךְ אוֹתוֹ הֶקֵּף נִבְנָה הַבַּיִת לְצַד מַעֲרָבוֹ…

Bartenura explica, frase por frase: “todo o pátio” — todo o perímetro do pátio, dentro do qual se construiu o Templo (Báyit) do lado ocidental, e o pátio propriamente dito e o altar, do lado oriental. “Cento e oitenta e sete côvados de comprimento” — de leste a oeste. “Por cento e trinta e cinco de largura” — de norte a sul. “O lugar do pisar dos pés de Israel” — que é o chamado pátio de Israel; e o lugar do pisar dos pés dos sacerdotes chama-se pátio dos sacerdotes. “O altar, trinta e dois” — já explicado acima, no início do Perek Guimel. “O Heichal, cem côvados” — a espessura da parede do Ulam, o vão interno do Ulam, a espessura da parede do Heichal, seu vão interno, um côvado de traksin, o vão do Santo dos Santos, a parede do Heichal do lado ocidental, a câmara e a parede da câmara — tudo somado, cem côvados, como já explicado no capítulo anterior. “E onze côvados atrás da Casa do Kapórret” — da parede externa do Heichal, do lado ocidental, até a parede ocidental do pátio, havia onze côvados de vão, incluindo a espessura da parede, chamados “atrás da Casa do Kapórret”.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli — é um tratado de mishnayot puras, dedicado à descrição arquitetônica do Segundo Templo, sem comentário talmúdico amoraico. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.