As do sul: a câmara da madeira, a câmara do exílio, a câmara da pedra lavrada. A câmara da madeira — disse Rabi Eliezer ben Yaakov: esqueci para que servia. Abba Shaul diz: era a câmara do sumo sacerdote, e ficava atrás das outras duas, e o teto das três era um só. A câmara do exílio — ali havia uma cisterna fixa, e a roda estava colocada sobre ela, e dali forneciam água para todo o pátio. A câmara da pedra lavrada — ali sentava o grande Sinédrio de Israel e julgava o sacerdócio; e o sacerdote em quem se encontrava desqualificação vestia-se de negro e se envolvia em negro, e saía e ia embora; e aquele em quem não se encontrava desqualificação vestia-se de branco e se envolvia em branco, entrava e servia com seus irmãos sacerdotes. E faziam um dia de festa, porque não se encontrara desqualificação na semente de Aarão o sacerdote, e assim diziam: bendito o Onipresente, bendito Ele, que não se encontrou desqualificação na semente de Aarão; e bendito Ele, que escolheu Aarão e seus filhos para estarem a serviço perante o Eterno na Casa do Santo dos Santos.
A mishná final do tratado completa o catálogo das seis câmaras do pátio, apresentando agora as três do lado sul. A câmara da madeira recebe, curiosamente, um testemunho de esquecimento genuíno — Rabi Eliezer ben Yaakov admite não recordar sua função exata —, ao qual se soma a opinião de Abba Shaul, segundo a qual essa câmara era, na verdade, a residência do sumo sacerdote, situada atrás das outras duas e coberta por um único teto contínuo com elas. A câmara do exílio guardava uma cisterna permanente, equipada com uma roda (provavelmente para operar um sistema de poleia ou nora), que abastecia de água todo o complexo do pátio — seu nome, segundo a tradição, remonta ao poço cavado pelos que retornaram do exílio babilônico. Mas é a terceira câmara, a da pedra lavrada (Lishcát HaGazit), que recebe a descrição mais extensa e mais significativa: nela sentava o grande Sinédrio de Israel, cuja função aqui descrita é especificamente judicial-genealógica — examinar e julgar a aptidão da linhagem sacerdotal. O procedimento descrito é solene e visual: o sacerdote cuja linhagem se revelasse desqualificada vestia-se de negro, cobria-se de negro, e retirava-se em silêncio; aquele cuja aptidão fosse confirmada vestia-se de branco, cobria-se de branco, e entrava para servir junto aos demais sacerdotes. E o tratado inteiro, dedicado do início ao fim à arquitetura precisa do Templo, encerra-se não com uma medida em côvados, mas com uma cena de celebração comunitária: um dia de festa proclamado sempre que se confirmava não haver mácula na descendência de Aarão, com uma bênção dupla — ao Onipresente, por preservar a pureza dessa linhagem, e Àquele que escolheu Aarão e seus filhos para o serviço eterno diante do Eterno, na Casa do Santo dos Santos.
Bartenura explica: “câmara do exílio” — assim chamada por causa do poço que os que subiram do exílio ali cavaram. Sobre a opinião de Abba Shaul, explica que essa mesma câmara da madeira era, de fato, a câmara do sumo sacerdote, sendo também a câmara de Parhedrin sobre a qual se ensina, no início do tratado Yomá, que sete dias antes do Dia do Perdão separavam o sumo sacerdote de sua casa para essa câmara. Sobre “e o teto das três era um só”, explica tratar-se de uma única cobertura contínua para as três câmaras. Sobre “ali sentava o grande Sinédrio de Israel”, precisa que se sentava no lado comum da câmara, pois a câmara da pedra lavrada tinha metade sagrada e metade comum, e na metade sagrada não era possível ao Sinédrio sentar-se, já que não há assento permitido no pátio, exceto para os reis da casa de David, como está escrito: “e entrou o rei David, e sentou-se perante o Eterno” (Shmuel Bet 7).
Com esta quarta mishná do Perek Hei, encerra-se o Perek “כָּל הָעֲזָרָה” — e com ele, toda a Massechet Midot. Como o tratado não possui Guemará no Talmud Bavli, não há aqui a fórmula amoraica tradicional de encerramento de daf; em seu lugar, adota-se a fórmula que abre este bloco — “hadran alach” (“voltaremos a ti”), nomeando o capítulo por suas palavras iniciais, seguida de “vessalika lah massechet Midot”, “e assim se encerra o tratado Midot” — o mesmo padrão adotado ao final de Massechet Eduyot, outro tratado sem Guemará.
Ao longo de seus cinco perakim e trinta e quatro mishnayot, Midot ofereceu algo único entre os tratados de Kodashim: não leis de sacrifício, pureza ou serviço, mas um levantamento arquitetônico completo do Segundo Templo, câmara por câmara e côvado por côvado. O Perek Alef (nove mishnayot) abriu com os postos de vigia noturna — três para os sacerdotes, vinte e um para os levitas —, os cinco portões do Monte do Templo, os sete portões do átrio, a Câmara da Fogueira com suas quatro salas internas, e o sistema noturno de fechamento das portas com sua rota subterrânea reservada. O Perek Bet (seis mishnayot) mediu o Monte do Templo, descreveu o Soreg e o Chel, o muro oriental baixo ligado à vaca ruiva, o átrio das mulheres com suas quatro câmaras, e o catálogo final de treze portões. O Perek Guimel (oito mishnayot) voltou-se para o altar de sacrifícios: suas camadas e medidas, o escoamento do sangue até o Kidron, a rampa de acesso, o matadouro com seus anéis e mesas, a bacia de água, e o portal monumental do Ulam com suas correntes de ouro e sua videira dourada de ofertas voluntárias. O Perek Dalet (sete mishnayot) descreveu o próprio edifício do Heichal: seu portal e portas, as trinta e oito câmaras em três andares ao seu redor, a mesibá em espiral, a altura de cem côvados camada por camada, e a imagem final do Santuário estreito atrás e largo à frente, como um leão. E este Perek Hei (quatro mishnayot), o mais breve do tratado, fechou o levantamento com as medidas totais do pátio nos dois eixos, e suas seis câmaras funcionais — três ao norte (sal, parvá, lavadores) e três ao sul (madeira, exílio, pedra lavrada) —, culminando na câmara onde o grande Sinédrio examinava a pureza da linhagem sacerdotal, e na celebração comunitária que fecha todo o tratado: a bênção pela ausência de mácula na semente de Aarão.
Com a conclusão de Massechet Midot, completa-se o décimo tratado da Seder Kodashim, a quinta das seis Ordens da Mishná. O estudo da Mishná prossegue agora para o último tratado desta Ordem, Massechet Kinim — o mais breve de toda a Mishná, dedicado às leis das oferendas de aves —, e, depois dele, para a Seder Tehorot, a sexta e última das seis Ordens.