Seis câmaras havia no pátio, três ao norte e três ao sul. As do norte: a câmara do sal, a câmara da parvá, a câmara dos lavadores. A câmara do sal — ali colocavam sal para o sacrifício. A câmara da parvá — ali salgavam as peles das ofertas sagradas, e sobre seu teto ficava a casa de imersão do sumo sacerdote no Dia do Perdão. A câmara dos lavadores — ali lavavam as entranhas das ofertas sagradas; e dali uma mesibá subia até o teto da câmara da parvá.
Depois de completar, nas duas mishnayot anteriores, o levantamento das medidas gerais do pátio, a mishná passa a descrever suas seis câmaras funcionais, três de cada lado. Nesta mishná, as três do lado norte: a câmara do sal, onde se guardava o sal usado tanto para temperar as ofertas quanto para salgar as peles dos animais sacrificados; a câmara da parvá, cujo nome os comentadores explicam de formas distintas, e que servia para salgar as peles dos sacrifícios, tendo em seu teto a instalação de imersão usada pelo sumo sacerdote em suas trocas de vestimentas ao longo do serviço do Dia do Perdão; e a câmara dos lavadores, onde se lavavam as entranhas dos animais antes de subirem ao altar, de onde partia uma passagem em espiral (a mesibá) que dava acesso ao teto da câmara vizinha, permitindo ao sumo sacerdote subir até lá sem atravessar o pátio.
Rambam explica que “Parvá” era o nome de um mago que escavou na parede do pátio, dentro dessa mesma câmara, para observar dali o serviço sacerdotal, e foi morto no local; por isso a câmara recebeu esse nome. Acrescenta então que, tendo já descrito a figura do altar e a precisão de suas medidas, bem como a precisão da medida do Heichal, deseja agora desenhar a forma de todo o pátio, seu tamanho e suas medidas em comprimento e largura, e tudo o que nele havia em câmaras, associando a ela também o pátio das mulheres e a Casa do Fogo (Beit HaMokéd); e que não voltará a tratar da medida do Heichal e do altar, mencionando-os apenas por seus nomes já apresentados, sem repetir a medida de cada uma de suas partes, pois já as antecipou. Esta, conclui, é a figura geral que prometera e à qual já se referira em muitos lugares da Mishná.
Bartenura explica: “câmara da parvá” — um homem feiticeiro chamado Parvá construiu essa câmara por meio de feitiçaria, e ela recebeu seu nome; assim encontrou escrito. Já o Rambam, observa, escreveu que ele cavava na parede para observar dali como o sacerdote realizava o serviço, e foi morto ali. Sobre “e sobre seu teto ficava a casa de imersão do sumo sacerdote no Dia do Perdão”, explica que as cinco imersões que o sumo sacerdote realiza no Dia do Perdão, ao trocar as vestes de ouro pelas vestes brancas e das vestes brancas de volta às de ouro, todas ocorriam sobre o teto da câmara da parvá, pois ela era santificada com a santidade do pátio; e as imersões realizadas por causa do Dia do Perdão exigem lugar sagrado, conforme está escrito: “e lavará seu corpo em água, em lugar sagrado” (Vayicrá 16) — exceto a primeira imersão, que não é motivada pelo Dia do Perdão em si, pois, como em qualquer outro dia do ano, ninguém puro entra no pátio sem antes imergir; por isso, a primeira imersão ocorria ainda em dia comum, sobre a Porta das Águas, a terceira porta do lado sul, para onde corria uma corrente de água vinda da fonte de Ein Eitam, e ali o sumo sacerdote realizava sua primeira imersão. Sobre “mesibá”, explica tratar-se de uma construção de pedra, com degraus curvos e giratórios, usada para subir ao teto da câmara da parvá por essa rampa em espiral.