E varas de cedro estavam fixadas da parede do Santuário à parede do Ulam, para que não cedessem. E correntes de ouro estavam fixadas no teto do Ulam, pelas quais os jovens sacerdotes (pirchei chehuná) subiam e viam as coroas, conforme está dito: “E as coroas serão para Chelem, e para Toviyáh, e para Yedayáh, e para Chen filho de Tzefanyáh, como memorial no Santuário do Eterno” (Zacarias 6:14). Uma videira de ouro ficava de pé sobre o portal do Santuário, presa sobre varas. Todo aquele que se comprometesse a doar uma folha, ou um grão, ou um cacho, trazia e pendurava nela. Disse Rabi Eliezer, filho de Rabi Tzadok: aconteceu um caso em que se contaram trezentos sacerdotes para ela.
Encerra-se o Perek Guimel com dois elementos decorativos e funcionais do pórtico do Santuário. Primeiro, varas estruturais de cedro atravessando o vão entre a parede do Ulam e a do Santuário, prevenindo que a grande altura das paredes as fizesse ceder para dentro. Depois, dois adornos de ouro: correntes penduradas no teto, usadas pelos sacerdotes mais jovens para subir e contemplar as coroas memoriais mencionadas pelo profeta Zacarias — relíquia histórica ligada à coroação simbólica do sumo sacerdote Yehoshua após o retorno do exílio —, e uma videira de ouro sobre o portal, à qual qualquer pessoa podia doar folhas, uvas ou cachos dourados, testemunho vivo da generosidade popular para com o Templo, a ponto de, segundo Rabi Eliezer filho de Rabi Tzadok, trezentos sacerdotes serem necessários para deslocá-la de tão pesada de ouro.
“E as coroas serão para Chelem, e para Toviyáh, e para Yedayáh, e para Chen filho de Tzefanyáh, como memorial no Santuário do Eterno.” O versículo original ordena a Zacarias que tome prata e ouro dos exilados retornados da Babilônia e faça coroas, coroando com elas Yehoshua, filho de Yehotzadak, o sumo sacerdote — e que essas coroas permaneçam como memorial no Santuário, guardadas em nome dos doadores mencionados. A mishná identifica essas mesmas coroas históricas como as que os jovens sacerdotes subiam para contemplar através das correntes de ouro fixadas no teto do Ulam.
Rambam explica que “para que não cedesse” significa: para que a parede não se inclinasse ao meio devido à sua grande altura; por isso fizeram apoios que se estendiam da parede do Ulam até a parede do Santuário, de modo que cada uma se apoiasse na outra. E fizeram a figura de uma videira de ouro sobre o portal do Santuário, para trazer bênção como uma videira, pois a assembleia de Israel é comparada a uma videira, como é sabido pela Escritura. “Todo aquele que doa ouro ao Santuário”, isto é, para que o próprio ouro doado fosse aplicado no esplendor do Santuário, já que este era todo revestido de ouro, fazia daquela quantidade doada a forma de uma folha, ou um grão, ou um cacho, e o pendurava ali. E o que se diz, “trezentos sacerdotes”, é uma forma de exagero retórico; quer-se dizer com isso que muitos se reuniam em torno dela, e já se havia acumulado nela o suficiente para exigir muitos sacerdotes para deslocá-la — esta é uma expressão de linguagem hiperbólica, entre as três coisas assim descritas, como já explicara no segundo capítulo de Midot.
Bartenura explica: “para que não cedessem” — para que as paredes não se inclinassem a cair devido à sua altura; e essas varas, estendendo-se de uma parede à outra, sustentavam ambas para que não caíssem. “E viam as coroas” — que estavam nas janelas do Santuário. “Todo aquele que se comprometesse a doar” ouro ao Santuário, e desejasse que o próprio ouro doado fosse colocado no Santuário — visto que este era todo revestido de ouro —, fazia daquele ouro doado a forma de um grão, ou uma folha, ou um cacho, e o pendurava ali.
“E se contaram trezentos sacerdotes para ela” — devido ao grande peso de ouro que nela havia, foram necessários trezentos sacerdotes para deslocá-la e removê-la de um lugar a outro. E este é um dos lugares em que os sábios falaram em linguagem de exagero, pois não eram literalmente trezentos sacerdotes; Rabi Eliezer, filho de Rabi Tzadok, teve apenas a intenção de informar que muito ouro ali se doava.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Guimel, terceiro capítulo de Massechet Midot. Depois de o Perek Alef percorrer os postos de guarda noturnos do Templo e o Perek Bet medir o Monte do Templo e o átrio camada por camada, o Perek Guimel voltou-se para o coração operacional do serviço sacrificial: as medidas exatas do altar e suas quatro camadas sucessivas — fundamento, rebordo, chifres e lugar da pilha de lenha — com a divergência de Rabi Yossei sobre suas dimensões originais e o acréscimo dos filhos do exílio (3:1); o escoamento do sangue pelo canto sudoeste até o vale de Kidron (3:2); a laje de mármore sobre o poço de limpeza e a rampa de acesso com sua janela para aves desqualificadas (3:3); a origem intocada por ferro das pedras do altar e da rampa, e a proibição simbólica de tocá-lo com ferramentas de ferro (3:4); os anéis e o matadouro ao norte do altar, com seus pilares, ganchos e mesas de mármore (3:5); a bacia de água e os doze degraus que subiam do altar ao Ulam (3:6); o portal monumental do Ulam com suas cinco vigas sobrepostas (3:7); e, por fim, as varas de sustentação, as correntes de ouro ligadas às coroas proféticas de Zacarias, e a videira dourada de doações voluntárias (3:8).
Como em todo o tratado, Massechet Midot não possui Guemará no Talmud Bavli; por isso, este capítulo também se apoiou em Rambam e Bartenura como comentadores centrais, sem seção de mefarshim talmúdicos. Segue-se, na ordem, o Perek Dalet, que continuará a descrição arquitetônica do Templo: o Santuário, suas portas, câmaras e o Santo dos Santos.