Rabi Meir diz: examinam-se as chagas no Chol HaMoed para aliviar, mas não para agravar. Mas os sábios dizem: nem para aliviar, nem para agravar. — Quando um cohen examina uma chaga suspeita de tzaraat, ele pode declará-la pura ou impura, ou aguardar em isolamento por mais uma semana. Rabi Meir permite esse exame no Chol HaMoed apenas quando o resultado provável for a pureza — trazendo alívio e alegria à pessoa —, mas não quando o resultado for a impureza, que a entristeceria justamente nos dias da festa. Os sábios discordam: uma vez que o cohen se dispõe a examinar, ele deve declarar o que de fato vê, seja pureza seja impureza, pois calar-se diante de uma impureza real não é uma opção válida — por isso preferem que ele simplesmente não seja procurado para o exame durante o Chol HaMoed.
E disse ainda Rabi Meir: recolhe-se os ossos do pai e da mãe, pois isso é uma alegria para ele. Rabi Yosei diz: é um luto para ele. Não se desperta o luto por seu morto, nem se faz seu elogio fúnebre, trinta dias antes da festa. — Recolher os ossos de um parente já falecido há tempo, para transladá-los a um sepulcro definitivo, é visto por Rabi Meir como motivo de contentamento — o filho vê seus pais finalmente enterrados junto aos ancestrais — e por isso permite fazê-lo no Chol HaMoed. Rabi Yosei discorda, pois considera esse ato um reavivamento do luto, e não uma alegria; a halachá não segue nenhum dos dois nesse ponto específico. Já a proibição final é consensual: nos trinta dias antes da festa, não se deve contratar quem provoque ou reavive o luto por um morto, para que a lembrança fresca do luto não interfira na alegria da própria festa quando ela chegar.
É este mandamento de alegria que fundamenta ambos os temas da mishná: o cohen se abstém de declarar impureza — o que traria tristeza — precisamente por causa desse versículo, e a proibição de reavivar o luto trinta dias antes da festa segue a mesma lógica. Rambam explica que Rabi Meir e os sábios concordam com o princípio de que a festa exige alegria plena; discordam apenas em como equilibrá-lo com o dever do cohen de declarar a verdade sobre a chaga. Quanto ao luto, a Guemará explica que a memória de um falecido permanece viva no coração por cerca de trinta dias após o elogio fúnebre — por isso a proibição se estende exatamente por esse período antes da festa, garantindo que a dor não esteja fresca quando "te alegrarás em tua festa" precisar se cumprir.
Rambam explica o mecanismo técnico do exame de chagas e por que a halachá não segue Rabi Meir em nenhuma das duas leis desta mishná.
Bartenura explica por que Rabi Meir prefere que o cohen não examine de forma alguma quando o resultado é incerto; Rashi traz a razão da Guemará para a janela dos trinta dias.
E, do mesmo modo, não se faz o elogio fúnebre trinta dias antes da festa, para que a festa não chegue enquanto a pessoa ainda suspira e se preocupa por causa da lembrança fresca de seu luto — pois a Torá disse "e te alegrarás em tua festa", um mandamento que exige alegria plena e não perturbada por dor recente.
"Nem para aliviar, nem para agravar" — pois, uma vez que o cohen se dispõe a examinar a fim de trazer alívio, ele fica igualmente obrigado a declarar a gravidade, caso a encontre, conforme está escrito "para declará-lo puro ou para declará-lo impuro" — o cohen não tem permissão de calar-se diante do que vê. Por isso os sábios preferem, de saída, que o cohen simplesmente não examine ninguém no Chol HaMoed, evitando toda a situação.
"Não desperta o luto por seu morto" — se um parente faleceu recentemente, meses antes da festa, não se deve contratar um pranteador para percorrer os parentes clamando "chorai comigo, todos os de coração amargurado". A Guemará dá dois motivos para a janela de trinta dias: um, que as pessoas costumam começar a juntar dinheiro para as despesas da festa trinta dias antes, e temem que esse dinheiro acabe sendo desviado para pagar o pranteador; outro, mais direto, que a memória do falecido só começa a se apagar do coração depois de trinta dias — por isso um elogio fúnebre feito dentro dessa janela ainda estaria "fresco" quando a festa chegasse, comprometendo sua alegria.