Seder Moed · Massechet Moed Katan · Perek Alef · Mishná 6 de 10

Cavar covas e fazer o caixão no Chol HaMoed

אֵין חוֹפְרִין כּוּכִין וּקְבָרוֹת בַּמּוֹעֵד
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná trata da preparação de sepulturas para o futuro — proibida por não responder a uma necessidade presente — em contraste com a construção do caixão para um morto que já está ali, diante de todos.

Não se cavam nichos nem covas no Chol HaMoed, mas ajustam-se os nichos já abertos no Chol HaMoed. E faz-se um tanque no Chol HaMoed, e o caixão com o morto no pátio. Rabi Yehudá proíbe, a menos que já se tenha as tábuas prontas.Cavar um nicho ou uma cova nova é um trabalho iniciado do zero, feito com antecedência para um morto futuro, e por isso é proibido — não há prejuízo iminente a evitar. Mas ajustar um nicho já aberto — alongá-lo ou alargá-lo — é permitido, pois é apenas uma continuação de um trabalho já começado. Um tanque de lavar roupa é permitido por não exigir esforço excessivo. Já fazer um caixão é permitido quando há, de fato, um morto no pátio, pois ali a necessidade é visível e presente, e ninguém suspeitará que se trata de outro tipo de trabalho; mas Rabi Yehudá restringe ainda mais: só permite serrar as tábuas do zero se o morto estiver ali, exigindo que, de outro modo, as tábuas já estejam prontas de antes da festa.

אֵין חוֹפְרִין כּוּכִין וּקְבָרוֹת בַּמּוֹעֵד, אֲבָל מְחַנְּכִים אֶת הַכּוּכִין בַּמּוֹעֵד. וְעוֹשִׂין נִבְרֶכֶת בַּמּוֹעֵד, וְאָרוֹן עִם הַמֵּת בֶּחָצֵר. רַבִּי יְהוּדָה אוֹסֵר, אֶלָּא אִם כֵּן יֵשׁ עִמּוֹ נְסָרִים:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim (Deuteronômio) 16:8
שֵׁשֶׁת יָמִים תֹּאכַל מַצּוֹת וּבַיּוֹם הַשְּׁבִיעִי עֲצֶרֶת לַה׳ אֱלֹהֶיךָ
Seis dias comerás pães ázimos, e no sétimo dia haverá assembleia solene para o Eterno, teu Deus.

O mesmo critério que abre o tratado — trabalho evitável é proibido, trabalho que responde a uma necessidade presente é permitido — governa também esta mishná sobre sepulturas. Cavar uma cova nova para um morto futuro não responde a nenhuma necessidade atual, e por isso não recebe a leniência que o Chol HaMoed concede ao trabalho urgente; mas fazer o caixão diante do próprio morto, ou ajustar uma cova já existente, atende a uma necessidade visível e imediata, dentro do mesmo espírito que autorizou a irrigação do campo sedento na primeira mishná do tratado.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam distingue nicho de cova em construção, e explica que a halachá não segue Rabi Yehudá.

Rambam · Perush HaMishná, Moed Katan 1:6
כּוּכִין הוּא שֶׁחוֹפְרִין בַּקַּרְקַע קְבָרִים. וּקְבָרוֹת הוּא שֶׁבּוֹנִין קֶבֶר עַל גַּבֵּי קַרְקַע... וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה.
"Nichos" (kuchin) são covas escavadas sob a terra; "covas" (kevarot) são sepulturas construídas sobre a terra, em alvenaria. É proibido preparar qualquer uma delas para sepultar um morto que só falecerá depois da festa. "Ajustar" significa alongar ou alargar um nicho que já havia sido cavado antes. E a halachá não segue Rabi Yehudá — permite-se fazer o caixão inteiro no Chol HaMoed, mesmo serrando as tábuas do zero, contanto que o morto já esteja no pátio.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica por que o caixão só se faz no próprio pátio do morto; Rashi acrescenta, da Guemará, por que essa restrição existe.

Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Moed Katan 1:6
וְנִבְרֶכֶת הִיא חֲפִירָה כְּאוֹתָן שֶׁשּׁוֹרִין בּוֹ אֶת הַפִּשְׁתָּן וְדוֹמֵיהֶן.

"Tanque" (nivrechet) é uma escavação semelhante àquelas em que se deixa o linho de molho, e obras equivalentes — um trabalho de escala modesta, sem o esforço considerável de uma cova funerária, e por isso permitido mesmo sem uma necessidade tão urgente quanto a de um morto presente.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Moed Katan 1:6
וְאָרוֹן עִם הַמֵּת בֶּחָצֵר. שֶׁמֵּת שָׁם, מֻתָּר לְנַסֵּר הַנְּסָרִים וְלַעֲשׂוֹת לוֹ אָרוֹן... אֲבָל בְּחָצֵר אַחֶרֶת לֹא, שֶׁלֹּא יֹאמְרוּ מְלָאכָה אַחֶרֶת הוּא עוֹשֶׂה.

"O caixão com o morto, no pátio" — quando o morto está ali naquele pátio, é permitido serrar as tábuas do zero e construir o caixão inteiro, pois qualquer pessoa que veja o trabalho entenderá imediatamente sua finalidade. Mas fazer o mesmo trabalho em outro pátio, longe do morto, não é permitido, para que os que passam não pensem que se trata de outro tipo de obra comum, disfarçada de necessidade funerária.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Moed Katan 8b
אֵין חוֹפְרִין כּוּכִין וּקְבָרוֹת - לְצֹרֶךְ מֵתִים שֶׁדַּרְכָּן לַחְפֹּר כּוּכִין וּקְבָרוֹת לְזַמְּנָן לְצֹרֶךְ מֵתִים שֶׁיָּמוּתוּ, דְּטִרְחָא יְתֵרָה הוּא.

Rashi confirma que a proibição visa quem tem por hábito cavar nichos e covas de antemão, reservando-os para futuros mortos — um trabalho evitável e, portanto, considerado esforço excessivo para os dias do Chol HaMoed. Sobre o caixão, Rashi acrescenta que "ninguém dirá que se trata de outro tipo de trabalho" apenas quando o morto está visivelmente ali, no mesmo pátio; e nota ainda que essa leniência vale sobretudo para uma pessoa comum — para alguém de renome público, permite-se fazer o caixão até na rua, pois todos já sabem do falecimento e não haveria suspeita alguma.