Instalam-se forno, fogão e moinho no Chol HaMoed. Rabi Yehudá diz: não se picam as pedras do moinho pela primeira vez. — Como esses fornos e fogões eram, na época da mishná, feitos de barro e movidos de um lugar a outro, "instalar" significa montá-los e prepará-los para o uso imediato — uma necessidade direta e visível durante os próprios dias da festa, quando a família precisa assar e cozinhar. Da mesma forma, instalar o moinho é permitido. Mas Rabi Yehudá traça um limite: picar — entalhar sulcos nas pedras do moinho quando elas ficam lisas demais para triturar bem o grão — ele proíbe fazer pela primeira vez no Chol HaMoed, considerando esse ajuste fino um trabalho evitável, já que o moinho pode ser usado, ainda que de forma menos eficiente, sem esse reparo.
A própria obrigação de comer durante os dias da festa fundamenta, no plano prático, a permissão desta mishná: forno, fogão e moinho são os instrumentos que tornam possível cumprir "seis dias comerás" — sem eles, não haveria como preparar o alimento diário da família. É exatamente essa necessidade imediata e recorrente, dia após dia da própria festa, que justifica instalá-los no Chol HaMoed; o mesmo não se aplica ao ajuste fino das pedras do moinho, segundo Rabi Yehudá, pois o pão ainda pode ser produzido, ainda que com mais esforço, sem esse reparo específico.
Rambam confirma que a halachá não segue Rabi Yehudá nesta mishná.
Bartenura explica por que a mishná usa o verbo "instalar" em vez de "construir"; Rashi acrescenta, da Guemará, a razão técnica de picar as pedras.
A permissão de instalar esses três instrumentos no Chol HaMoed decorre diretamente da necessidade de preparar o alimento durante os próprios dias da festa — um caso claro da regra geral do capítulo, segundo a qual o trabalho que atende a uma necessidade presente e recorrente é permitido, mesmo quando envolve montar ou construir algo do zero.
"Instalam-se" — constroem-se, montam-se e ajustam-se o forno necessário para uso no Chol HaMoed. E como os fornos daquela época eram móveis, transportados de um lugar a outro conforme a necessidade, a mishná usa o verbo "instalar" — e não "construir" —, pois a ação descrita é mais próxima de posicionar um objeto já pronto do que de erguer uma estrutura permanente do zero.
Rashi explica que "picar" o moinho é um reparo necessário quando a pedra, com o uso contínuo, se torna lisa demais e o grão de trigo já não é triturado com eficácia sob ela; entalha-se então a superfície, tornando-a deliberadamente irregular, para que volte a moer bem. A Guemará debate se essa expressão de Rabi Yehudá se refere apenas ao entalhe da pedra em si ou também ao ajuste do orifício central por onde o trigo desce — mas em ambos os casos, conclui-se que a halachá permite o reparo, contrariando a restrição de Rabi Yehudá.