E do mesmo modo, quem tinha seu vinho dentro do poço e lhe sobreveio luto ou força maior, ou os trabalhadores o enganaram, derrama, termina e sela como de costume — palavras de Rabi Yossei. Rabi Yehudá diz: faz para ele suportes provisórios, para que não azede. — O "poço" é o recipiente junto ao lagar que recolhe o vinho que escorre das uvas prensadas. Assim como no caso do azeite, aqui também Rabi Yossei permite completar todo o processo — recolher o vinho, terminar de prensar e selar as jarras normalmente — pois o prejuízo já começou por circunstâncias alheias ao dono. Rabi Yehudá, porém, inverte sua posição em relação ao caso anterior: para o vinho, basta um remédio provisório — tapar o poço com tábuas soltas, sem selar de vez — suficiente para impedir que o vinho azede, sem realizar o trabalho completo de engarrafamento, que pode esperar até depois da festa.
Este segundo caso, irmão gêmeo do primeiro, mostra que a mesma leniência de davar ha-aved vale para qualquer processo agrícola interrompido por circunstâncias alheias à vontade do dono — seja o azeite, seja o vinho. A inversão das posições de Rabi Yehudá e Rabi Yossei entre os dois casos ensina que a medida exata da leniência depende da natureza técnica de cada prejuízo: o que basta para impedir a perda do vinho — um remédio provisório — não é o mesmo que basta para impedir a perda do azeite, e vice-versa, cada mestre calibrando sua posição segundo o risco real envolvido em cada produto.
Rambam explica o termo técnico "limudim" e confirma que aqui, ao contrário do caso anterior, a halachá segue Rabi Yossei.
Bartenura identifica o poço do lagar e o material dos suportes provisórios; Rashi confirma a leitura técnica dos mesmos verbos usados na mishná anterior.
O paralelo entre azeite e vinho é explícito na própria mishná — "e do mesmo modo" —, mas a solução técnica se inverte: onde no azeite o mínimo necessário era completar a primeira prensagem, no vinho o mínimo necessário é apenas cobri-lo com tábuas, sem selar de vez, evitando o contato prolongado com o ar que faria o vinho azedar.
"Dentro do poço" refere-se à cavidade caiada sob o lagar, destinada a recolher o vinho que escorre da prensa. Os "suportes" são tábuas de madeira — ele apenas cobre o vinho ali com essas tábuas para que não azede, sem tirá-lo do poço antes da hora. A halachá segue Rabi Yossei, que permite o processo completo.
Rashi explica que o "poço" fica junto ao lagar e recebe o vinho conforme escorre das uvas prensadas. "Derrama e termina como de costume" significa esvaziar o poço numa jarra e fechá-la com uma rolha completa, como em dia comum. "Faz para ele suportes" significa que, na posição de Rabi Yehudá, ele não pode selar por completo — apenas prender o vinho com tábuas soltas, o bastante para que não azede, deixando o selamento final para depois da festa.