E estes cortam o cabelo no Chol HaMoed: quem chega do exterior; e quem é liberado do cativeiro; e quem sai da prisão no Chol HaMoed; e quem estava banido e os sábios o liberaram do banimento no Chol HaMoed; e do mesmo modo, quem havia feito um voto de não cortar o cabelo e pediu a um sábio que dissolvesse seu voto e foi liberado dele no Chol HaMoed; e o nazireu cujo período de nazireado terminou no Chol HaMoed; e o leproso que precisa se purificar no Chol HaMoed. — O princípio geral, explicado pela própria mishná ao final, é que a todas essas pessoas foi negada a oportunidade de se arrumar na véspera da festa por circunstâncias fora de seu controle — a viagem, o cativeiro, a prisão, a espera pela liberação do banimento ou do voto, o prazo do nazireado, o processo de purificação do leproso — e por isso lhes é permitido cortar o cabelo justamente nos dias em que, para todos os demais, isso é proibido, evitando que entrem desleixados no primeiro dia da festa seguinte.
É este versículo que fixa a raspagem completa como etapa obrigatória do processo de purificação do leproso — e, quando o sétimo dia da purificação cai justamente no Chol HaMoed, a obrigação bíblica de raspar não pode esperar, o que abre uma exceção clara à proibição geral de cortar cabelo na festa. A mishná generaliza essa lógica de "impedimento genuíno" a todos os outros casos da lista — a proibição de gilua'ch no Chol HaMoed é rabínica e visa impedir que alguém adie deliberadamente o corte para a festa, mas onde o impedimento é real e comprovável, como no leproso obrigado por lei bíblica, essa preocupação simplesmente não se aplica.
Rambam explica o propósito geral da proibição de cortar cabelo no Chol HaMoed e detalha cada exceção da lista.
Bartenura detalha as condições de cada um dos sete casos da lista; Rashi confirma a leitura da Guemará sobre a estrutura geral da mishná.
Rambam esclarece que "quem chega do exterior" beneficia-se dessa leniência apenas se viajou por comércio ou outra necessidade genuína — se viajou apenas por lazer, sem propósito real, permanece proibido de cortar o cabelo no Chol HaMoed, pois teve controle sobre seu próprio calendário e poderia ter voltado a tempo.
Bartenura esclarece que "quem sai da prisão" inclui até mesmo quem estava preso por um tribunal judeu, pois o sofrimento do cativeiro por si só já justifica a leniência. Sobre o leproso, confirma a leitura ligada diretamente ao versículo de Vayikrá: se o sétimo dia de sua purificação cai no Chol HaMoed, ele já está autorizado a cortar o cabelo por força do próprio mandamento bíblico.
Rashi reafirma o motivo por trás de toda a lista: a proibição existe justamente para que ninguém deixe de propósito o corte de cabelo para o Chol HaMoed — período em que, de qualquer forma, o trabalho cotidiano já está suspenso —, chegando desarrumado ao início da próxima festa. É esse mesmo raciocínio, explica Rashi, que também fundamenta a proibição paralela de lavar roupas, tratada na mishná seguinte.