E estes documentos se escrevem no Chol HaMoed: casamentos de mulheres, divórcios e quitações, testamento de moribundo, doação e prosbul, cartas de avaliação e cartas de sustento, documentos de chalitzá e de recusa, e documentos de arbitragem, decretos do tribunal, e cartas comuns. — O documento de casamento é permitido porque, sem ele, outro poderia se antecipar e desposar a mulher primeiro; o divórcio, porque adiá-lo deixaria a mulher presa a um marido ausente; a quitação de dívida, porque sem ela o credor poderia negar o pagamento já feito. O testamento do moribundo não pode esperar, pois a pessoa pode morrer antes do fim da festa; a doação em vida corre o risco de o doador se arrepender se adiada; o prosbul — o documento que preserva o direito do credor de cobrar após o ano sabático — perderia sua função se atrasado. As cartas de avaliação de bens penhorados e as de sustento da viúva e das filhas dependem de prazos judiciais que não esperam; o documento de chalitzá — que libera a cunhada do vínculo do levirato — e o de recusa da menor órfã liberam a mulher para se casar com outro, e adiá-los a deixaria presa desnecessariamente; os documentos que registram a escolha de árbitros pelas partes de um litígio fixam decisões que poderiam ser desfeitas se demoradas; os decretos judiciais formalizam sentenças já proferidas; e as cartas comuns entre pessoas — de saudação ou de negócios cotidianos — são permitidas porque, sendo comércio corriqueiro sem urgência aparente, a Guemará explica que não há preocupação de que sejam confundidas com trabalho proibido.
É esta advertência bíblica contra a relutância em emprestar às vésperas do ano sabático que gerou, séculos depois, a instituição do prosbul de Hilel — o documento que permite ao credor continuar cobrando sua dívida mesmo depois da shemitá, evitando que o medo da remissão feche o crédito aos pobres. A mishná inclui o prosbul entre os documentos escritos no Chol HaMoed precisamente porque sua função é proteger direitos que se perderiam com qualquer atraso — a mesma urgência que justifica cada um dos demais documentos da lista, do casamento à quitação de dívida.
Rambam explica os termos técnicos "shovarin", "diatiki" e "igrot shum".
Bartenura detalha o motivo de urgência de cada documento da lista, incluindo a origem do prosbul; Rashi confirma os termos técnicos a partir da Guemará.
Rambam explica que os "documentos de arbitragem" registram o processo em que cada litigante escolhe um juiz próprio — mecanismo detalhado mais adiante em Sanhedrin. Os "decretos do tribunal" são simplesmente as sentenças formais dos juízes, e as "cartas comuns" são a correspondência cotidiana que as pessoas trocam entre si, de um lugar a outro.
Bartenura explica que o prosbul evita que o ano sabático anule a dívida e o credor perca seu dinheiro, e conta a origem da instituição: Hilel a criou como um documento no qual o credor declara perante os juízes que transfere a eles o direito de cobrar qualquer dívida em seu favor a qualquer momento, contornando assim a remissão automática que a Torá determina para o fim da shemitá. Já as "cartas de avaliação" são o registro judicial da entrega de bens do devedor ao credor, quando o tribunal avalia a propriedade para saldar a dívida.
Rashi confirma, a partir da própria estrutura da mishná no Talmud, que o documento de casamento é o texto escrito com o qual o noivo consagra a noiva — pois a Torá permite que uma mulher seja desposada por meio de um documento formal, sem que outro objeto de valor precise ser entregue. E resume o prosbul em uma frase precisa: o documento com o qual o credor garante que sua dívida não será varrida pelo ano sabático.