Não se escrevem notas promissórias no Chol HaMoed. E, se o credor não confia no devedor, ou se o escriba não tem o que comer, escreve-se. Não se escrevem rolos, tefilin e mezuzot no Chol HaMoed, e não se corrige sequer uma letra, mesmo no Sefer Ezrá. Rabi Yehudá diz: um homem escreve para si tefilin e mezuzot, e fia para si, sobre a própria coxa, o fio azul do tzitzit. — A nota promissória, diferente dos documentos da mishná anterior, é adiável sem prejuízo real — o empréstimo já foi feito, e o documento apenas registra formalmente uma dívida que continua válida mesmo sem ele. Por isso é proibida por padrão. Mas há duas exceções: se o credor desconfia do devedor e recusa emprestar sem garantia escrita, o próprio empréstimo — necessidade real de alguém — depende do documento; e se o escriba contratado para escrevê-lo não tem o que comer, seu próprio sustento justifica o trabalho, como qualquer salário pago a quem passa necessidade. Quanto aos textos sagrados, o primeiro tanna proíbe até mesmo corrigir uma única letra, mesmo no rolo oficial guardado no pátio do Templo — por tratar-se de um trabalho de escriba com todas as suas regras técnicas. Rabi Yehudá discorda apenas quanto ao uso estritamente pessoal: escrever tefilin e mezuzot para si mesmo, e fiar o fio de tzitzit sobre a própria coxa, com a mão apenas roçando o fio sem o método técnico usado em dia comum, é permitido por cumprir diretamente um preceito.
É este versículo que estabelece a obrigação do fio azul do tzitzit — e é justamente por se tratar do cumprimento direto de um mandamento bíblico, tal como escrever um Sefer Torá, tefilin ou mezuzot, que a mishná permite fiá-lo mesmo no Chol HaMoed, quando feito da forma simplificada descrita, sobre a própria coxa. O contraste com a nota promissória, proibida por padrão, ilumina o princípio geral que percorre toda a lista de documentos deste capítulo: o Chol HaMoed cede à necessidade religiosa genuína e ao prejuízo real, mas não ao que pode legitimamente esperar.
Rambam explica a exceção de sustento do escriba e confirma que a halachá segue Rabi Yehudá quanto aos demais casos da mishná.
Bartenura detalha a técnica permitida de fiar o tzitzit e a permissão de escrever mesmo o Sefer Torá lido no Templo; Rashi confirma a fonte da permissão de fiar sobre a coxa.
A técnica permitida no Chol HaMoed é apenas a mais simples: colocar o fio sobre a própria coxa e esfregá-lo com a mão, deixando que se fie por si só, sem usar os dedos com a destreza técnica de um artesão profissional, nem o fuso usado em dias comuns — a mesma lógica de "modo tosco" que rege outros trabalhos permitidos no capítulo.
Bartenura observa que a proibição do primeiro tanna é tão abrangente que impede corrigir sequer uma única letra até mesmo no rolo oficial guardado no pátio do Templo, do qual o Cohen Gadol lê em Yom Kipur — apesar de ser um bem que serve a toda a comunidade. Sobre a posição de Rabi Yehudá, que a halachá segue, esclarece que a permissão vale apenas para quem escreve os textos sagrados para cumprir o próprio preceito, nunca para vendê-los ou alugá-los como negócio comercial.
Rashi confirma a mesma leitura de Rambam sobre a técnica permitida: o fio é fiado apenas sobre a coxa, nunca com a técnica manual completa nem com o instrumento do fuso, que marcariam o trabalho como profissional demais para os dias intermediários da festa.