Quem enterra seu morto três dias antes da festa, fica isento do decreto dos sete dias. Oito dias antes, fica isento do decreto dos trinta dias — porque disseram: o Shabat soma ao luto e não o interrompe; as festas interrompem o luto e não somam a ele. — O luto tradicional tem duas fases: sete dias de restrições intensas, e mais vinte e três dias adicionais — completando trinta — de restrições mais leves. Quando uma festa chega no meio desse período, ela anula completamente o restante das restrições daquela fase, como se o tempo já tivesse se cumprido. Por isso, se o enterro ocorreu apenas três dias antes da festa, os sete dias intensos de luto já são considerados encerrados quando a festa chega, e o enlutado não precisa completá-los depois. Mas, se o enterro ocorreu oito dias antes — um dia a mais que os sete iniciais —, a fase intensa já havia se completado antes da festa chegar, e é a fase dos trinta dias que a festa então anula. A mishná explica a diferença entre o Shabat, que soma seus dias à contagem do luto sem interromper as restrições — o enlutado continua a observá-las mesmo no Shabat, apenas de forma discreta — e as festas, que interrompem o luto por completo, mas cujos próprios dias não contam como parte da contagem que restava.
É deste versículo — sobre a cativa de guerra que chora seus pais por um "mês de dias" — que a tradição deriva, por meio de uma analogia verbal entre "mês" e "dias", a duração de trinta dias para a segunda fase, mais leve, do luto tradicional. A mishná pressupõe essa estrutura de sete dias intensos seguidos por trinta dias totais, e explica como a chegada de uma festa — Pessach, Sucot ou, como a próxima mishná discutirá, Shavuot — interrompe e anula o que resta de cada uma dessas fases, segundo o ponto exato em que o luto se encontrava quando a festa chegou.
Rambam esclarece que mesmo uma hora de luto antes da festa já basta para anular o decreto dos sete dias, e reafirma como não se separam os regimes de sete e de trinta dias.
Bartenura detalha a lógica da regra "as festas interrompem e não somam"; Rashi confirma a mesma leitura a partir da Guemará.
Rambam explica o princípio por trás da distinção entre Shabat e festa: as restrições de luto praticadas discretamente — como a abstinência conjugal, a proibição de banho quente e de descobrir a cabeça — continuam a valer mesmo no Shabat, pois nada nelas contradiz publicamente a alegria do dia. Já na festa, nenhuma restrição de luto é observada, pois a alegria da festa é incompatível com qualquer sinal de luto, público ou privado.
Bartenura distingue dois cenários: se o luto já havia começado antes da festa chegar, a festa interrompe e anula por completo o que restava — daí "interrompem e não somam". Mas se o próprio enterro ocorreu durante a festa, sem nenhum dia de luto observado antes dela, a lógica se inverte: os dias da festa não contam para os primeiros sete dias intensos — que só começam depois —, mas contam sim para a fase mais leve dos trinta dias, encurtando-a proporcionalmente.
Rashi explica por que a mishná escolhe justamente o número "três dias" como o marco mínimo mencionado explicitamente: os primeiros três dias são o núcleo mais essencial do luto, e por isso, uma vez cumpridos, mesmo que a festa interrompa o restante dos sete, a pessoa não precisa retomar a contagem depois — o essencial já foi observado.