Quem diz a seu companheiro: konam, konach, konas — estas são expressões substitutas para oferenda. Cherek, cherech, cheref — estas são expressões substitutas para anátema. Nazik, naziach, paziach — estas são expressões substitutas para nazireado. Shevutá, shekuká, votou "bemota" — estas são expressões substitutas para juramento. — Esta mishná passa das yadot (alças do voto, tratadas na mishná anterior) para os kinuyim propriamente ditos: palavras que soam parecidas com o termo hebraico original, mas dele se distanciam por corrupção fonética ou por serem emprestadas de outras línguas. "Konam", "konach" e "konas" substituem "korban" (oferenda) — bastando que a pessoa diga uma dessas palavras junto com uma proibição para que o voto tenha a força de um voto de oferenda. "Cherek", "cherech" e "cheref" substituem "cherem" (anátema, consagração irrevogável). "Nazik", "naziach" e "paziach" substituem "nazir" (nazireu): quem usa uma dessas palavras para se comprometer assume as obrigações do nazireado. E "shevutá", "shekuká" e a fórmula "nadar bemota" (jurando "bemota", termo aramaico) substituem "shevuá" (juramento). Em todos os quatro grupos, o princípio é o mesmo estabelecido na mishná anterior: a Torá não exige a palavra exata, e sim a intenção clara de proibição expressa pela fala — mesmo que distorcida ou em outro idioma.
A Guemará deriva a validade dos kinuyim de nazireado — e, por analogia (hekesh), a de todos os demais tipos de voto — da própria formulação da lei do nazireu na Torá, que fala em "declarar" e não apenas em pronunciar a palavra técnica.
A Guemará repara que a Torá poderia ter escrito apenas "quando fizer um voto de nazireu", mas acrescenta a expressão "lehazir" (para se consagrar) — uma palavra "a mais" que os Sábios interpretam como incluindo qualquer expressão substituta que evoque a ideia de consagração, ainda que não seja o termo técnico "nazir". Desse excedente textual na lei do nazireado, a Guemará deriva por analogia (hekesh) que também os kinuyim de voto, de anátema e de juramento têm força vinculante — pois a Torá equipara explicitamente as diferentes categorias de voto entre si. É essa mesma leitura generosa da linguagem da Torá, atenta à intenção e não apenas à fórmula exata, que sustenta toda a lista de expressões substitutas desta mishná.
Rambam, no Mishné Torá, formula o princípio geral por trás desta lista: os kinuyim seguem o uso linguístico corrente em cada lugar e época, e não uma lista fechada e imutável.
Rambam explica o fenômeno linguístico por trás desta mishná: há lugares onde os moradores falam de forma corrompida ou gaga, distorcendo a pronúncia correta e chamando uma coisa pelo nome de outra — e é exatamente esse uso popular, ainda que tecnicamente "errado", que a halachá reconhece como válido para fins de voto. Rambam formula a regra geral: em qualquer caso semelhante aos listados nesta mishná, segue-se o uso linguístico do povo comum, naquele lugar e naquela época específicos — o que significa que a lista de kinuyim da mishná não é necessariamente exaustiva ou fixa para todas as gerações, mas exemplifica o princípio de que a linguagem coloquial distorcida tem a mesma força que o termo técnico correto, contanto que a intenção de proibição seja clara.
Bartenura explica a origem estrangeira dos termos "konam" e "bemota"; Rashi, sobre a Guemará, confirma que os kinuyim são palavras de povos gentios que os Sábios incorporaram por reconhecerem nelas a mesma intenção de voto.
Bartenura explica que "konam", "konach" e "konas" são termos de línguas gentias: entre os diferentes povos, havia quem chamasse a oferenda de uma forma e quem a chamasse de outra, e em qualquer uma dessas línguas, a pessoa que a pronuncia junto com uma proibição consagra o objeto por meio de uma oferenda. Sobre a última fórmula, "nadar bemota", Bartenura esclarece que significa "jurou por mota" — sendo esta uma variante de "momta", que é a palavra para "juramento" na língua do Targum (aramaico). O comentário confirma o padrão comum aos quatro grupos: cada um reúne variações fonéticas e empréstimos de outros idiomas que os Sábios reconheceram como referindo-se, sem ambiguidade, à categoria de voto correspondente.
Rashi confirma o pano de fundo linguístico: os kinuyim desta mishná são, em sua origem, palavras de povos gentios — pois entre as diversas nações havia quem chamasse a oferenda "konam" e quem a chamasse "konach", e assim por diante com os demais termos. A Guemará explica que os Sábios contaram justamente essas fórmulas porque os judeus da época eram versados nelas (bekiin), tendo contato com essas línguas; mas o princípio subjacente vale para qualquer expressão em qualquer idioma, pois a Torá proíbe "conforme tudo o que sair de sua boca" — ou seja, em qualquer língua que a pessoa use, desde que ela expresse de fato a intenção de um voto, a proibição se aplica. Rashi discute ainda, à luz da posição de Reish Lakish, a distinção entre kinuyim como fórmulas emprestadas de línguas estrangeiras e yadot como fórmulas que os próprios Sábios formularam.