Uma adulta que aguardou doze meses, ou uma viúva que aguardou trinta dias — Rabi Eliezer diz: uma vez que seu marido está obrigado a seu sustento, ele pode anular. Mas os sábios dizem: o marido não anula até que ela entre em sua autoridade. — A mishná trata de um estágio intermediário peculiar: uma bogueret (mulher já adulta, fora do poder paterno) cujo noivo demorou a casar-se com ela além do prazo costumeiro — doze meses após o compromisso para uma virgem, trinta dias para uma viúva —, o que, segundo a lei estabelecida em Ketubot, já o torna obrigado a sustentá-la financeiramente, mesmo enquanto ela ainda tecnicamente aguarda o casamento pleno. A pergunta da mishná é se essa obrigação de sustento — um vínculo econômico e prático já estabelecido entre eles — equivale, para fins de anulação de votos, a uma entrada efetiva em sua autoridade. Rabi Eliezer responde que sim: uma vez que ele já a sustenta, o vínculo já é suficientemente forte para lhe dar também o poder de anular seus votos, mesmo sem a consumação formal do casamento. Os sábios discordam, mantendo o critério estritamente formal: só a entrada efetiva na autoridade do marido — o casamento pleno em si — confere a ele esse poder, independentemente de quaisquer obrigações financeiras que já tenham surgido antes.
Os sábios fundamentam sua posição na mesma leitura estrita do versículo que exige a entrada efetiva na autoridade do marido — "entrar em sua autoridade" — sem admitir substitutos econômicos ou práticos para essa condição formal.
O versículo condiciona o poder do marido de ratificar ou anular explicitamente à situação em que o voto é feito "na casa de seu marido" — ou seja, depois que o casamento pleno já se consumou. Os sábios leem esta expressão de forma estrita, exigindo a entrada física e jurídica efetiva na "casa" (autoridade) do marido, e recusando-se a estender esse status a situações intermediárias, por mais que o vínculo econômico já exista. Rabi Eliezer, por sua vez, entende que a obrigação de sustento já constitui um vínculo substancialmente equivalente ao de "casa de seu marido" para este propósito específico, ainda que a Guemará precise, como mostram os comentadores abaixo, situar precisamente essa posição dentro do debate mais amplo sobre a natureza do vínculo pré-nupcial prolongado.
Rambam, no Perush HaMishná, remete à discussão paralela em Ketubot sobre o prazo padrão de espera e afirma expressamente que a lei segue os sábios, não Rabi Eliezer.
Rambam remete ao quinto perek de Ketubot, onde se explica que a noiva já adulta cujo casamento se atrasou além do prazo padrão passa a receber sustento do noivo mesmo antes das núpcias. Rambam expõe o raciocínio de Rabi Eliezer: como essa mulher já saiu da autoridade do pai (por ser adulta) e seu noivo já está obrigado a sustentá-la, ela já está, na prática, "vinculada exclusivamente" a ele — e por isso ele pode anular seus votos. Rambam encerra afirmando explicitamente que a lei segue os sábios, não Rabi Eliezer: a obrigação de sustento, por si só, não substitui a entrada formal na autoridade do marido para fins de anulação de votos.
Rashi detalha a fonte do prazo de doze meses em Ketubot e a posição paralela de Rabi Eliezer sobre a sombra do casamento (ke-nesuah); Rambam e Bartenura confirmam a decisão final a favor dos sábios.
Rashi confirma a fonte da regra em Massechet Ketubot: a noiva recebe um prazo de doze meses a partir do pedido de casamento para se preparar, e se esse prazo passa sem que o casamento se consume, o noivo passa a ser obrigado a sustentá-la de seus próprios recursos, tal como um marido pleno. Rashi conecta a posição de Rabi Eliezer a um princípio mais amplo, citado adiante na própria massechet: "toda mulher que faz voto o faz já contando com a vontade de seu futuro marido" — ou seja, uma vez que o vínculo de sustento já se estabeleceu, presume-se que ela mesma já considera seus votos sujeitos à vontade dele, o que justifica, para Rabi Eliezer, que ele já possa anulá-los.
Rambam reafirma a lógica de Rabi Eliezer — a combinação entre a saída da autoridade paterna (por ser adulta) e a nova obrigação de sustento assumida pelo noivo já constitui, para ele, uma "dedicação exclusiva" (yichud) suficiente à autoridade do marido — mas confirma que a halachá segue os sábios, exigindo a entrada formal e efetiva na autoridade conjugal, independentemente de qualquer obrigação de sustento já em vigor.
Bartenura esclarece que a mishná trata especificamente de uma bogueret — cujo pai já não tem, em nenhuma hipótese, poder de anular seus votos, precisamente por já ter deixado a naarut. O prazo de doze meses (para a virgem que ainda não foi noiva de ninguém antes) ou trinta dias (para a viúva ou já anteriormente noiva) conta a partir do momento em que ela solicita formalmente o casamento; passado esse prazo, o sustento passa a ser encargo do noivo. É exatamente esse ponto — se a obrigação de sustento já equivale à entrada em sua autoridade para fins de anulação de votos — que separa Rabi Eliezer dos sábios, cuja opinião prevalece como lei.