Os votos de exagero: disse, konam, se eu não vi neste caminho gente como os que saíram do Egito; se eu não vi uma serpente como a viga da casa do lagar. Os votos por engano: se eu comi e se eu bebi — e lembrou-se que já havia comido e bebido; que eu comerei e que eu beberei — e esqueceu, e comeu e bebeu. Disse: konam, minha esposa não desfruta de mim, porque me roubou minha bolsa, ou porque bateu em meu filho — e soube-se que não o bateu, e soube-se que não o roubou. Viu-os comendo figos e disse: eis que sobre vós, korban — e descobriu-se que ali estavam seu pai e seus irmãos, e havia outros junto com eles: Beit Shamai dizem, eles estão permitidos, e os que estavam com eles, proibidos; e Beit Hilel dizem, tanto estes quanto aqueles estão permitidos. — A mishná passa ao segundo e terceiro tipos de votos permitidos. Os votos de exagero são declarações que, por sua própria natureza exagerada e evidentemente impossível, revelam que o votante não pretendia afirmar um fato literal, mas apenas expressar admiração ou espanto — como jurar ter visto, num único caminho, uma multidão do tamanho do povo que saiu do Egito, ou uma serpente tão grossa quanto a viga central de uma casa de prensagem de azeite: exageros retóricos evidentes, não afirmações literais que possam constituir a base de um voto vinculante. Os votos por engano cobrem duas situações opostas: primeiro, quando a pessoa vota sobre algo que julgava não ter feito mas na verdade já havia feito — como jurar "se eu comi" pensando não ter comido, quando na verdade já havia comido, revelando o voto sem objeto real desde o início; e depois, quando a pessoa vota para o futuro e depois se esquece do próprio voto e o transgride sem perceber — caso em que o esquecimento no momento da transgressão também isenta, pela mesma lógica de que falta a consciência plena exigida. O caso da esposa acusada de roubo ou de agredir o filho é outro exemplo de voto por engano: fundamentado numa premissa factual que se revela falsa, o voto inteiro cai por terra. O caso final, mais complexo, envolve alguém que vê um grupo comendo seus figos sem permissão e vota genericamente "korban sobre vós todos" — e depois descobre que, entre os transgressores, estavam seu próprio pai e irmãos, que ele certamente não pretendia incluir. Beit Shamai distingue: como o pai e os irmãos certamente não estavam nas intenções do votante, ficam liberados, mas os demais, que realmente eram os alvos pretendidos, permanecem proibidos. Beit Hilel aplica o princípio de que "um voto parcialmente liberado fica totalmente liberado": como parte do voto original se revela formulada por engano quanto ao seu alcance, o voto inteiro perde a validade, e todos ficam permitidos.
O princípio de que um voto exige uma afirmação real e consciente encontra eco no mandamento contra o falso testemunho e a falsa declaração — a Torá não reconhece como vinculante aquilo que a boca profere sem correspondência com a realidade ou sem plena consciência.
O versículo, base do juramento de expressão (shevuat bituy), já reconhece a categoria do "oculto" — algo que escapou momentaneamente à consciência do declarante. A tradição oral estende esse mesmo princípio de consciência exigida aos votos por engano desta mishná: assim como a Torá isenta, em certas condições, aquele cuja consciência plena falhou no momento da declaração ou da transgressão, também o voto pronunciado sobre uma premissa falsa, ou esquecido no instante de sua violação, carece do elemento de plena intencionalidade que a Torá pressupõe em toda declaração vinculante da boca.
Rambam, em Mishné Torá, codifica os votos de exagero, por engano e por coação como isentos, remetendo à explicação paralela já dada em Hilchot Shevuot.
Rambam codifica que os votos por coação, por engano e de exagero são todos permitidos, seguindo o mesmo tratamento dado aos juramentos paralelos em Hilchot Shevuot — o princípio comum é a ausência de correspondência plena entre a intenção real e a formulação verbal do voto. Sobre o caso específico dos votos por engano, Rambam explica que a chave é justamente a falta de consciência: quando a pessoa vota tendo por base um fato que julgava verdadeiro e este se revela falso — como acreditar que a esposa a roubou ou agrediu o filho —, o voto inteiro se dissolve, pois nunca houve, de fato, a base real sobre a qual ele foi erguido.
Rambam, no Perush HaMishná, explica a imagem da viga do lagar; Bartenura detalha o mecanismo dos votos por engano e o princípio de que "voto parcialmente liberado fica todo liberado"; Rashi, sobre a Guemará, abre a discussão da mishná sobre os votos por engano.
Rambam explica um ponto gramatical importante: "se eu não vi" é, na verdade, uma afirmação disfarçada — equivale a dizer "eu vi", com a negação servindo apenas de reforço retórico do juramento, forma comum na linguagem dos votos de exagero. Sobre a comparação com a serpente, esclarece que a viga da casa do lagar tinha uma forma característica: base larga e alto triangular, afinando-se progressivamente até ficar fina como uma lápide de sepultura — uma forma que nenhuma serpente real poderia ter, o que confirma tratar-se de exagero retórico evidente, e não de descrição literal.
Bartenura explica o segundo tipo de voto por engano: quando alguém vota não comer nem beber, e no próprio momento em que come e bebe já se havia esquecido do voto — o esquecimento exatamente no instante em que o voto se ativaria o torna sem efeito, por analogia à exigência da Torá quanto ao juramento de que "o homem" precisa estar plenamente consciente no momento em que a proibição recai sobre ele. Sobre a disputa final da mishná, Bartenura explica o raciocínio de Beit Hilel: o princípio de que "um voto parcialmente liberado fica totalmente liberado" se aplica porque a pessoa não desejava que seu voto recaísse senão exatamente da forma como o pronunciou originalmente — e, como uma parte dele se revelou formulada por engano (pois certamente não pretendia incluir o próprio pai), o voto inteiro perde sua validade original.
Rashi abre a discussão da Guemará sobre os votos por engano precisamente no primeiro caso da mishná: quem vota "konam" pensando não ter comido nem bebido, e depois se lembra que já o havia feito, fica isento — porque, no momento em que pronunciou o voto, seu coração estava, por assim dizer, coagido pelo próprio engano: ele genuinamente acreditava estar fazendo uma declaração verdadeira e vazia de consequência prática, e não um voto real sobre um fato já consumado. Essa mesma lógica de ausência de consciência plena, nota Rashi, é o fio condutor de todos os casos de "nidrei shegagot" reunidos nesta mishná.