E separa a sua teruma e seus dízimos, com o conhecimento dele. E sacrifica por ele as oferendas de aves de zavim, de zavot, de parturientes, chatot e ashamot. E ensina-lhe Midrash, Halachot e Agadot, mas não lhe ensina Mikrá. Mas ensina Mikrá a seus filhos e filhas. E sustenta sua esposa e seus filhos, ainda que esteja obrigado ao sustento deles. Mas não sustenta seu animal, seja impuro seja puro. Rabi Eliezer diz: sustenta o impuro, mas não sustenta o puro. Disseram-lhe: qual a diferença entre o impuro e o puro? Disse-lhes: porque o puro, sua alma pertence aos céus e seu corpo é dele; e o impuro, sua alma e seu corpo pertencem aos céus. Disseram-lhe: também o impuro, sua alma pertence aos céus e seu corpo é dele, pois se quiser, eis que o vende a gentios ou o dá de comer aos cães. — A mishná continua a lista de atos permitidos apesar do voto, todos unidos pela mesma lógica: cumprir um mandamento independente não é gerar benefício pessoal. Separar teruma e dízimos "com o conhecimento dele" significa que o votante age por autorização geral do dono — "quem quiser separar, que venha e separe" —, não como seu agente pessoal designado, o que evitaria a aparência de prestar-lhe um serviço direto. O sacerdote votado pode oferecer os sacrifícios de aves do israelita votante porque a Torá o obriga a fazê-lo para qualquer israelita. No ensino, a mishná distingue Midrash, Halachot e Agadot — que ninguém pode cobrar para ensinar, por serem tradição oral transmitida gratuitamente — de Mikrá, o texto bíblico, cujo ensino costuma envolver pagamento pela cantilação; por isso ensinar Mikrá de graça equivaleria a um desconto, um benefício real. Sustentar esposa e filhos é permitido porque essa obrigação já recai sobre o próprio marido/pai independentemente do voto de outrem. O debate final, entre Rabi Eliezer e os sábios, gira sobre alimentar o animal do companheiro: Rabi Eliezer distingue entre o animal impuro, cujo corpo pertence inteiramente aos céus — isto é, não tem valor comestível para seu dono israelita —, e o puro, cujo corpo é propriedade plena do dono e cuja engorda aumenta diretamente seu valor de mercado; os sábios replicam que mesmo o animal impuro tem valor de mercado, pois pode ser vendido a gentios ou dado como alimento a cães, de modo que engordá-lo também beneficia o dono.
A regra de que ninguém pode cobrar para ensinar Torá Oral — base da distinção entre Midrash/Halachot/Agadot e Mikrá na mishná — deriva do modelo de Moshé, que recebeu e transmitiu a Torá gratuitamente por ordem divina.
Da expressão "e a mim ordenou o Eterno... para vos ensinar", a tradição rabínica deriva o princípio "assim como eu de graça, vós também de graça" — Moshé recebeu a Torá sem pagamento e a ensinou sem pagamento, estabelecendo o modelo para todo ensino de Torá Oral, que não pode ser vendido. É esse princípio que fundamenta, na mishná, a permissão de ensinar Midrash, Halachot e Agadot ao companheiro votado mesmo de graça — pois cobrar por isso já seria proibido a qualquer pessoa, com ou sem voto —, em contraste com o ensino de Mikrá, cuja cantilação costuma envolver pagamento legítimo, tornando seu ensino gratuito um benefício real e vedado pelo voto.
Rambam, no Perush HaMishná, explica o critério que separa o ensino permitido do proibido, e por que a decisão prática segue os sábios contra Rabi Eliezer no debate sobre o animal impuro.
Rambam esclarece que a proibição de ensinar Mikrá aplica-se apenas onde é costume cobrar por esse ensino; onde o Mikrá é ensinado gratuitamente como norma, também ele pode ser ensinado ao votado sem restrição, pois deixaria de haver qualquer benefício econômico envolvido. Sobre o debate entre Rabi Eliezer e os sábios a respeito do animal impuro, Rambam decide expressamente que a lei segue os sábios: mesmo o animal impuro tem valor comercial real — pela venda a gentios ou como alimento para cães —, de modo que sustentá-lo e engordá-lo também beneficia diretamente seu dono, e por isso permanece vedado ao votado.
Rashi, na Guemará (Nedarim 35b e 38a), explica o mecanismo dos sacrifícios de aves e a lógica de "não engordar" o animal do companheiro; Bartenura detalha cada cláusula da longa lista de atos permitidos e proibidos.
Rashi confirma que, se o votado for sacerdote, ele pode oferecer os sacrifícios de aves do israelita votante — obrigação sacerdotal que não depende da relação entre eles. Sobre o sustento da família, Rashi explica a distinção decisiva entre pessoas e animais: sustentar esposa e filhos não configura "benefício grande", pois a intenção não é engordá-los para lucro, e basta prover o mínimo necessário; mas sustentar o animal do companheiro é, por definição, um ato de engorda que aumenta seu valor de mercado — por isso constitui um "benefício grande" e permanece proibido pelo voto.
Rambam retoma o princípio já estabelecido: cumprir uma obrigação preexistente do outro não conta como benefício, mesmo quando lhe traz alívio real — o sustento da família é, para o marido/pai, uma dívida que a Torá lhe impõe independentemente do voto de terceiros. Sobre a proibição de ensinar Mikrá em lugares onde se cobra por isso, Rambam observa, com certo espanto, que há quem tente justificar cobrar por ensino de Torá em geral, e reafirma: a regra bíblica é ensinar Torá gratuitamente, e a única exceção tolerada é o pagamento específico pela técnica de cantilação e vigilância das crianças, não pelo conteúdo do ensino em si.
Bartenura precisa o mecanismo de "com o conhecimento dele": o dono precisa ter feito um anúncio geral e impessoal — "quem quiser separar, que venha e separe" —, nunca uma instrução direta ao votante, pois isso o tornaria seu agente designado, o que já constituiria benefício. Sobre o ensino de Mikrá, Bartenura explica que, como é costume receber pagamento pelo ensino da cantilação correta, ensinar de graça equivale a conceder um desconto real — daí a proibição, restrita aos lugares onde esse costume prevalece. Quanto ao debate sobre o animal, Bartenura resume a posição final dos sábios: como o dono sempre pode vender o animal impuro a gentios ou alimentá-lo aos cães, seu corpo também lhe pertence economicamente, e por isso a lei não segue Rabi Eliezer.