Do pickle, não fica proibido senão do pickle de verdura. Pickle que eu não provo, fica proibido em todos os pickles. Do fervido em excesso, não fica proibido senão do fervido em excesso de carne. Fervido que eu não provo, fica proibido em todos os fervidos. Do assado, não fica proibido senão do assado de carne — palavras de Rabi Yehuda. Assado que eu não provo, fica proibido em todos os assados. Do salgado, não fica proibido senão do salgado de peixe. Salgado que eu não provo, fica proibido em todos os salgados. — A mishná repete quatro vezes a mesma estrutura gramatical para consolidar o princípio: quando o votado usa o substantivo com o artigo definido — "do pickle", "do fervido", "do assado", "do salgado" — a linguagem corrente entende que ele se refere ao alimento representativo e mais comum daquela categoria: a verdura em conserva, a carne fervida em excesso, a carne assada e o peixe salgado, respectivamente. Mas quando formula o voto sem o artigo, dizendo simplesmente "pickle", "fervido", "assado" ou "salgado" como predicado — "que eu não provo" —, a expressão perde essa referência específica e se torna abrangente, capturando qualquer alimento preparado daquele modo, seja carne, peixe, verdura ou qualquer outra coisa.
A última categoria da mishná — o salgado — remete ao mandamento de salgar toda oferenda, ligando a linguagem cotidiana do voto ao vocabulário técnico já usado pela própria Torá para o sal como agente de preparo.
A Torá já trata "salgar" como um verbo técnico e determinado, aplicado a um alimento específico com uma finalidade específica — a oferenda —, e não como um adjetivo genérico aplicável a qualquer coisa temperada com sal. Essa mesma precisão terminológica, em que a palavra técnica remete a um objeto típico e conhecido, é o que a mishná identifica na fala cotidiana dos homens: assim como "o sal do pacto" na Torá aponta especificamente para o sal da oferenda, "o salgado" no voto aponta especificamente para o peixe salgado, o alimento mais tipicamente associado a essa palavra na linguagem popular da época — enquanto a forma sem artigo, mais solta e menos vinculada a um referente fixo, abre a proibição para qualquer alimento salgado, tal como o mandamento da minchá é específico, mas o próprio ato de salgar é universal a toda oferenda.
Sem citação direta correspondente na Mishné Torá para este caso específico, Rambam explica no Perush HaMishná a regra gramatical do artigo definido que sustenta os quatro pares de termos.
Rambam explica que toda esta mishná assenta sobre uma regra gramatical universal, válida em todas as línguas: o substantivo com artigo definido — "o pickle", "o fervido" — aponta para um referente específico e conhecido dentro daquela categoria, enquanto o mesmo substantivo sem artigo, usado de forma indefinida e genérica, engloba todos os tipos possíveis daquela categoria sem distinção. Rambam adverte ainda que a halachá não segue a opinião de Rabi Yehuda sobre o assado — que restringe seu alcance apenas à carne —, mas sim a posição dos sábios, mais ampla nesse ponto específico.
Rashi, na Guemará (Nedarim 51b), fixa o princípio de que o padrão de nomenclatura de cada terra determina o alcance do voto; Bartenura resume a regra do artigo definido aplicada aos quatro pares.
Rashi confirma que "pickle" sem qualificação, na linguagem simples e corrente, remete naturalmente à verdura em conserva — o tipo de pickle mais comum e cotidiano —, e por isso o votado com artigo definido permanece restrito a ele. Mas quando o votado formula seu voto na forma "pickle que eu não provo", sem o artigo determinado, ele está usando uma expressão de tipo diferente, que a Guemará entende como abrangente, e assim o mesmo raciocínio se estende a cada um dos outros três pares: o mesmo princípio vale igualmente, explica Rashi, se o votado disser "fervido" sem o artigo — fica proibido em todos os fervidos —, exatamente como se explica para os salgados.
Rambam nota brevemente, ao final de sua explicação da regra gramatical, que a opinião individual de Rabi Yehuda sobre o assado de carne não é seguida na prática — os sábios sustentam uma posição diferente sobre o alcance exato desse termo, ainda que a estrutura geral do argumento gramatical, aplicada aos outros três pares da mishná, permaneça válida e consensual entre todas as opiniões citadas.
Bartenura sintetiza os quatro casos numa única regra: "pickle que eu não provo", sem o artigo definido, abrange todo tipo de pickle — e o mesmo vale, explica, para "fervido", "assado" e "salgado" usados da mesma forma solta e predicativa, todos abrangendo o universo completo daquela categoria de preparo. Bartenura confirma assim que a estrutura sintática da frase — presença ou ausência do artigo, e a posição do substantivo na frase — é o único critério decisivo para determinar se o voto é restrito ao alimento típico ou expandido a toda a categoria.