Toda pessoa examina pragas, exceto as próprias pragas. Rabi Meir diz: nem mesmo as pragas de seus parentes. Toda pessoa dissolve votos, exceto os próprios votos. Rabi Yehudá diz: nem mesmo os votos de sua esposa que dizem respeito somente entre ela e outros. Toda pessoa examina primogênitos, exceto os próprios primogênitos.
Esta mishná de encerramento desloca-se de questões sensoriais — luz, postura, tom de pele — para uma restrição de outra natureza: o impedimento de julgar o próprio caso, ainda que o julgador seja tecnicamente competente. O princípio se repete em três áreas do direito tanaítico que, à primeira vista, nada têm em comum: o sacerdote não certifica a própria praga, mesmo sendo apto a certificar a de qualquer outro; o sábio não dissolve seu próprio voto, mesmo sendo apto a dissolver o de qualquer outro; e o perito não examina seus próprios primogênitos para determinar se podem ser abatidos por defeito. Rabi Meir estende a restrição das pragas aos parentes próximos, comparando pragas a litígios (rivim), que também exigem juízes sem relação de parentesco com as partes; a halachá, porém, não segue Rabi Meir. Rabi Yehudá estende de modo semelhante a restrição de votos aos votos da própria esposa quando afetam terceiros, temendo que o marido julgue com leniência excessiva por interesse pessoal; mas ele pode integrar-se a um colegiado de três leigos, pois a pluralidade de juízes afasta a suspeita de parcialidade.
Já se explicou em Bechorot (37a) que, quando surgem defeitos no primogênito, ele é comido por causa de seu defeito e não é oferecido, e ali se explicaram todas as condições disto. E a halachá não é como Rabi Yehudá, nem como Rabi Meir.
Sobre “Rabi Meir diz: nem mesmo as pragas de seus parentes”: pois as pragas são equiparadas aos litígios, como está escrito (Devarim 21:5): “todo litígio e toda praga” — assim como os litígios não são julgados por parentes, também as pragas não são examinadas por parentes. E a halachá não é como Rabi Meir.
Sobre “exceto os próprios votos”: pois está escrito (Bamidbar 30:3): “não profanará sua palavra” — ele mesmo não a profana (dissolve), mas outros podem dissolvê-la para ele.
Sobre “nem mesmo os votos de sua esposa que dizem respeito somente entre ela e outros”: como votos que não são de aflição pessoal, e assuntos que não são entre ele e ela, os quais exigem investigação por um sábio — pois talvez ele seja leniente por causa de sua esposa e não investigue bem. E especificamente sozinho ele não pode dissolvê-los, mesmo sendo um perito único; mas pode integrar-se ao conjunto de três leigos, pois, havendo três, não há suspeita de que deixem de investigar bem.
Sobre “toda pessoa examina primogênitos”: se podem ser comidos por causa de seu defeito.
Com esta quinta mishná, encerra-se o Perek Bet de Massechet Negaim — o perek que, tendo o Perek Alef já fixado o vocabulário e as tonalidades da tzaraat, volta-se para a mecânica prática do próprio exame. A mishná 1 tratou do tom de pele do examinado, mostrando como germânicos e etíopes distorcem a leitura das quatro tonalidades e reunindo quatro soluções tanaíticas para o problema. A mishná 2 fixou as janelas horárias do dia em que a luz permite um exame confiável. A mishná 3 excluiu o sacerdote de visão comprometida e proibiu criar luz artificial numa casa escura. A mishná 4 descreveu as posturas corporais exatas — sachar, colher azeitonas, amassar, amamentar, tecer — que expõem as axilas ao exame sem contá-las como lugar oculto, regra estendida também à raspagem do metzora. E esta quinta e última mishná fechou o capítulo com um princípio de outra ordem: ninguém julga o próprio caso, seja em pragas, em votos ou em primogênitos.
O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Guimel de Massechet Negaim, que tratará de quem pode contrair impureza de tzaraat, de quem está qualificado para examinar as pragas e de quem, entre eles, tem autoridade para pronunciar o veredicto de impuro ou puro.