Uma vara que está sobre a porta, ainda que esteja a cem cúbitos de altura, traz a impureza em qualquer medida — palavras de Rabi Yehoshua. Rabi Yochanan ben Nuri diz: que esta não seja mais rigorosa que a saliência.
Esta breve mishná registra uma controvérsia sobre uma vara colada à parede, esticada ao longo de seu comprimento acima da porta. Rabi Yehoshua sustenta que ela é mais rigorosa que a própria saliência: mesmo estando a cem cúbitos de altura — muito além do limite de doze palmos estabelecido em 14:1 —, ela ainda traz a impureza em qualquer medida, sem precisar de um palmo aberto. O Bartenura explica o motivo desse rigor: a vara, ao contrário da saliência fixada na construção, é um objeto móvel (mitaltel), e por isso a lei a trata com mais severidade. Rabi Yochanan ben Nuri discorda dessa distinção: para ele, não há razão para ser mais rigoroso com a vara do que com a saliência, de modo que, acima de doze palmos, também a vara passa a exigir um palmo aberto para trazer a impureza, exatamente como qualquer saliência comum. Tanto o Rambam quanto o Bartenura confirmam que a halachá segue Rabi Yochanan ben Nuri, e não Rabi Yehoshua.
Rabi Yehoshua diz que, sendo a vara esticada ao longo de seu comprimento e colada à parede, ainda que esteja a mais de doze palmos de altura, ela traz a impureza para a casa em qualquer medida. E Rabi Yochanan ben Nuri disse que esta não deve ser mais rigorosa que a saliência, que não traz a impureza, quando está a mais de doze palmos, a não ser com um palmo aberto, como já foi dito. E a halachá é como Rabi Yochanan ben Nuri.
Sobre “ainda que esteja a cem cúbitos de altura”: ainda que a medida da altura da saliência acima da porta seja de doze palmos, com a vara foram rigorosos, porque ela é móvel (mitaltel). E Rabi Yochanan ben Nuri entende que não se deve ser mais rigoroso com a vara do que com a saliência, e que, acima de doze palmos, sua medida é de um palmo aberto. E a halachá é como Rabi Yochanan ben Nuri.