As saliências, os balcões, os pombais, as reentrâncias das rochas, as pedras salientes, as covas, os dentes de rocha, os ramos entrelaçados e as pedras que se projetam do muro, quando conseguem sustentar uma argamassa fina — palavras de Rabi Meir. Mas os sábios dizem: uma argamassa mediana.
Quais são os ramos entrelaçados? Uma árvore que dá sombra sobre o chão. E as pedras que se projetam? As que saem do muro.
Esta segunda mishná do Perek Chet dá continuidade à primeira categoria — o que traz e bloqueia a impureza — acrescentando à lista de vasos e coberturas uma série de elementos arquitetônicos e naturais que se projetam de um muro ou de uma rocha: saliências isoladas de pedra ou madeira, sacadas construídas, pombais salientes, fendas e penhascos nas encostas, cavidades por onde entra luz, pontas rochosas, árvores frondosas e pedras que se destacam de uma cerca. Retomando o critério já estabelecido no Perek Guimel para a espessura mínima de uma parede que serve de teto, esta mishná exige que cada uma dessas projeções seja suficientemente firme para sustentar uma camada de argamassa por cima — caso contrário, se a argamassa despencasse ao ser colocada, a projeção não teria a solidez necessária para bloquear ou trazer a impureza como uma cobertura verdadeira. Rabi Meir contenta-se com uma argamassa fina, feita de ramos delgados de salgueiro ou de canas cobertos por uma leve camada de barro; os sábios exigem uma argamassa de espessura mediana, mais pesada, e a halachá segue os sábios. A mishná fecha definindo dois dos termos mais obscuros da lista: os “ramos entrelaçados” são simplesmente uma árvore cuja copa lança sombra sobre o chão, e as “pedras que se projetam” são as que saem, salientes, da própria cerca.
Sobre “saliências e sacadas”: são as vigas ou pedras salientes que saem do muro; e a tradução de “yatzia” é “ziza”. E “gezeriot” é uma expressão da construção — a “gezerá” e a “ziz” são acréscimos ao que já se estende para a terra, e a “gezerá” é o que se estende para o céu.
Sobre “pombais”: os ninhos das pombas que saem do muro. Sobre “reentrâncias”: os acréscimos dos montes, e a tradução de “saifei hasela” é “shekifei”. Sobre “pedras”: as pedras salientes dos muros.
Sobre “as covas”: é o acréscimo do muro. Sobre “os dentes de rocha”: o conjunto de pontas de rocha, isto é, a ponta do monte.
Sobre “ramos entrelaçados e pedras que se projetam”: já os explicamos; “ramos entrelaçados” vem de “os que fazem sombra com suas asas”, e “pedras que se projetam” vem de “deixar crescer o cabelo solto da cabeça”. E a condição, em tudo isto, é que tenha a força e a capacidade de suportar um teto e uma argamassa, quando colocam sobre ele as extremidades das tábuas do teto, sem que caia; e então bloqueará diante da impureza e trará a impureza, como já foi dito. Mas, se esta coisa saliente é fraca, de modo que, ao colocarem sobre ela a argamassa, ela não a suporta e cai, então não bloqueia diante da impureza.
Sobre “a argamassa”: ela varia, pois há teto que se faz de tábuas grossas, que nem os próprios muros suportariam; e às vezes se faz um teto de ramos finos de salgueiro ou de canas, e se coloca sobre ele um pouco de barro, o que é um peso leve. Rabi Meir diz que, quando a projeção suporta esse peso leve, ela traz a impureza; e os sábios dizem que é preciso que suporte uma argamassa mediana, entre a pesada e a leve. E a halachá não é como Rabi Meir.
Sobre “as saliências”: madeira ou pedra isolada que sai do muro chama-se ziz.
Sobre “os balcões”: como sacadas — construção de pedras ou de madeiras que sai do muro.
Sobre “os pombais”: de pombos.
Sobre “as reentrâncias e as pedras salientes”: já explicamos anteriormente, no final do Perek Guimel.
Sobre “as covas”: um tipo de fendas por onde entra a luz; e há os que explicam como um tipo de cavernas e brechas.
Sobre “os dentes de rocha”: os dentes da rocha.
Sobre “argamassa fina”: como quando se faz de salgueiro e de canas, e se coloca sobre eles um pouco de barro.
Sobre “argamassa mediana”: mas, se não conseguem suportar senão uma argamassa fina, não trazem a impureza nem bloqueiam. E a halachá é como os sábios.
Sobre “a árvore que dá sombra”: expressão de “os que fazem sombra com suas asas”.
Sobre “as pedras que se projetam da cerca”: modo de cerca em que se colocam, em seu topo, espinhos e cardos, que ultrapassam a cerca e se projetam para fora. E peraot é expressão de “deixar crescer solto”.