Se ela estava elevada um palmo do chão: a impureza debaixo dela ou sobre ela — tudo fica impuro, exceto seu interior. Em seu interior, tudo fica impuro. A que se referem essas palavras? A quando ela é um vaso. Se ela estava rompida e tapada com palha, ou, segundo os sábios, comporta quarenta se’á: um azeitona de cadáver colocado debaixo dela — diante dele, até o abismo, fica impuro. Sobre ela: diante dele, até o firmamento, fica impuro. Em seu interior, nada fica impuro senão seu interior. Se ela estava elevada um palmo do chão: a impureza debaixo dela fica impura. Em seu interior: seu interior fica impuro. Sobre ela: diante dele, até o firmamento, fica impuro.
Esta décima segunda mishná dobra sobre si mesma toda a estrutura lógica que abriu o capítulo, agora aplicada ao cenário da colmeia ao ar livre introduzido na mishná anterior. Primeiro repete, sem o domínio da casa, a regra da elevação de um palmo já vista na segunda mishná: elevada dessa forma, a colmeia se torna uma tenda plena, e a impureza debaixo dela ou sobre ela impurifica tudo exceto seu interior, enquanto a impureza dentro dela impurifica tudo. Em seguida, a mishná faz a mesma ressalva que fez na terceira mishná: tudo isso vale apenas quando a colmeia é um vaso íntegro; se ela está rompida e tapada com palha, ou se comporta quarenta se’á segundo a opinião dos sábios — que consideram esse tamanho equivalente, para este efeito, a uma colmeia rompida —, ela volta a se comportar como um pedaço de terra sólida, e a impureza debaixo dela ou sobre ela se limita à coluna direta até o abismo ou até o firmamento, enquanto a impureza dentro dela fica restrita ao próprio interior. E por fim, a mishná fecha somando a elevação de um palmo a essa mesma colmeia rompida: elevada dessa forma, o espaço debaixo dela volta a se comportar como tenda, de modo que a impureza debaixo dela contamina o que está debaixo, a impureza dentro dela contamina seu interior, e a impureza sobre ela volta a se limitar à coluna direta até o firmamento — repetindo, ponto por ponto, a estrutura já vista na quarta mishná, agora sem casa alguma envolvida.
Esta divisão é a mesma que já foi apresentada no início do capítulo, exceto que aqui ela a separou do contexto da casa, e por isso repetiu sua menção. E aqui não se diz “vaso vazado” nem “calafetada”, e por isso também não se diz aqui “se calafetada”; e condicionou que ela comporte quarenta se’á segundo a opinião dos sábios, ainda que esteja rompida, pois a regra é a mesma. E é evidente a diferença entre dizer “debaixo dela” e dizer “diante dele, até o abismo, fica impuro”: quando dizem “diante dele, até o abismo, fica impuro”, querem dizer que impurifica apenas o que está diretamente diante dele, e a impureza penetra e desce; e quando dizem “debaixo dela fica impuro”, querem dizer que ela se torna como uma tenda, e impurifica tudo o que está debaixo dela — e guarda isso.
Sobre “quando ela é um vaso”: onde ela está de pé ao ar livre, não cabe mencionar “vazada”, e por isso não se ensina aqui “ou calafetada” como se ensina acima, pois “calafetada” só faz sentido em relação a uma colmeia vazada.
Sobre “ou, segundo os sábios, comporta quarenta se’á”: pois discordam do primeiro sábio e entendem que comportar quarenta se’á é como estar rompida e ter perdido a condição de vaso, e ela protege o que está debaixo dela, dentro dela e sobre ela.
Sobre “um azeitona de cadáver colocado debaixo dela”: sua regra é como a da colmeia rompida, que não está elevada e cuja boca está voltada para fora, como ensinamos acima.
Sobre “se ela estava elevada um palmo do chão”: também esta tem a mesma regra da colmeia com boca voltada para fora, rompida, tapada e elevada um palmo, como ensinamos acima.