A que se referem essas palavras? A quando ela é um vaso. Se ela estava rompida e tapada com palha, ou, segundo os sábios, comporta quarenta se’á: a impureza debaixo dela, em seu interior, ou sobre ela — a impureza penetra e sobe, penetra e desce. Rabi Eliezer e Rabi Shimon dizem: a impureza não sobe para ela, nem desce dela. Se ela estava elevada um palmo do chão: a impureza debaixo dela — debaixo dela fica impuro. Em seu interior, ou sobre ela: diante dele, até o firmamento, fica impuro.
Esta décima quarta mishná faz, para a colmeia sentada sobre o fundo, a mesma ressalva já vista repetidamente ao longo do capítulo: a regra da mishná anterior — de que a impureza penetra e sobe, penetra e desce, sem se espalhar para os lados — só vale enquanto a colmeia é um vaso íntegro. Se ela está rompida e tapada com palha, ou se comporta quarenta se’á segundo a opinião dos sábios, a maioria dos sábios ainda mantém essa mesma regra da coluna vertical única; mas aqui a mishná registra pela primeira vez neste capítulo uma controvérsia: Rabi Eliezer e Rabi Shimon discordam radicalmente, sustentando que, sendo a colmeia como um pedaço de terra sólida, a impureza colocada debaixo dela sequer sobe para o interior, nem a impureza colocada dentro dela desce para o espaço debaixo — ou seja, para esses dois sábios, a colmeia rompida bloqueia totalmente a comunicação vertical entre seus três domínios, ao contrário da opinião anônima da mishná, segundo a qual essa comunicação vertical persiste. A mishná fecha acrescentando a elevação de um palmo do chão: nesse caso, a impureza debaixo dela volta a contaminar todo o espaço debaixo como uma tenda, enquanto a impureza dentro dela ou sobre ela volta a se limitar à coluna direta até o firmamento.
Já explicamos várias vezes que, quando ela está rompida e tapada com palha, ela é como um pedaço arrancado da terra, e toda a discussão fica clara depois de se compreender tudo o que já foi dito. E o sentido de dizerem “a impureza não sobe para ela” é: quando a impureza estava debaixo dela, nem seu interior nem o que está acima dela fica impuro, pois, estando ela sentada sobre o próprio fundo, ela bloqueia diante da impureza; o que está debaixo dela não fica impuro — e tudo isso desde que não haja entre ela e a terra um palmo. Já se havia ali um vão de um palmo, ela já é uma tenda, e por isso impurifica tudo o que está debaixo dela quando a impureza está debaixo dela. Já se a impureza estava dentro dela ou sobre ela, é como se estivesse enterrada dentro da terra ou sobre a terra, impurificando até o firmamento tudo o que estiver diante dela, segundo o que já foi dito, por ela não ser como um vaso; e a lei não é como Rabi Elazar e Rabi Shimon.
Sobre “se ela estava rompida”: que se rompeu e perdeu a condição de vaso.
Sobre “segundo os sábios”: que discordam do primeiro sábio e equiparam a que comporta quarenta se’á à que está rompida e tapada com palha.
Sobre “a impureza não sobe para ela”: quando a impureza está debaixo dela, ela não sobe para seu interior.
Sobre “nem desce dela”: quando a impureza está em seu interior, ela não desce para debaixo dela.
Sobre “debaixo dela fica impuro”: mas seu interior e sua parte de cima permanecem puros.
Sobre “diante dele, até o firmamento, fica impuro”: mas debaixo dela permanece puro.