Rabán Gamliel tinha figuras das formas da lua numa tábua, na parede de seu sótão, com as quais mostrava aos leigos e dizia: Foi assim que viste, ou assim? — Para ajudar testemunhas sem vocabulário técnico a descrever com precisão o que haviam observado, Rabán Gamliel mantinha diagramas ilustrando as diferentes formas possíveis da lua nova, e as apresentava às testemunhas, perguntando-lhes qual delas correspondia ao que tinham visto.
Aconteceu que vieram dois e disseram: Vimo-la de manhã no oriente e à tarde no ocidente. Disse Rabi Yochanan ben Nuri: São testemunhas falsas. Quando vieram a Iavne, Rabán Gamliel os aceitou. — Duas testemunhas relataram ter visto a lua minguante pela manhã a leste e, no mesmo dia, a lua nova ao entardecer a oeste — relato que Rabi Yochanan ben Nuri considerou astronomicamente impossível e por isso rejeitou como falso; ainda assim, quando os mesmos homens se apresentaram em Iavne, Rabán Gamliel os aceitou como testemunhas válidas.
E ainda vieram dois e disseram: Vimo-la em seu tempo, mas na noite de seu acréscimo não foi vista; e Rabán Gamliel os aceitou. — Em outro caso, duas testemunhas relataram ter visto a lua nova no trigésimo dia, mas não na noite seguinte — um relato igualmente questionado, mas que Rabán Gamliel novamente aceitou.
Disse Rabi Dosa ben Harkinas: São testemunhas falsas; como testemunham sobre a mulher que deu à luz, e no dia seguinte seu ventre está entre seus dentes? — Rabi Dosa ben Harkinas contesta esse segundo caso com uma analogia contundente: assim como é absurdo que uma mulher, tendo já dado à luz, ainda pareça grávida no dia seguinte, é igualmente absurdo que a lua, já claramente visível e "nascida" no trigésimo dia, "regrida" e deixe de ser vista na noite imediatamente seguinte.
Disse-lhe Rabi Yehoshua: Vejo teus argumentos. — Rabi Yehoshua reconhece, diante desse argumento, a força lógica da objeção de Rabi Dosa — reconhecimento que se tornará o ponto de partida do confronto narrado na mishná seguinte.
O salmista descreve a lua como um instrumento criado especificamente para marcar os tempos — e essa mesma regularidade previsível é o que torna possível, e ao mesmo tempo perigoso, o sistema de testemunho ocular que esta mishná examina. Porque a lua "foi feita para os tempos determinados", seu comportamento segue leis fixas e calculáveis: os sábios sabiam de antemão, por cálculo, quando ela poderia ou não ser vista, e por isso podiam avaliar a plausibilidade de cada relato de testemunha. É exatamente esse conhecimento prévio que permite a Rabi Yochanan ben Nuri e a Rabi Dosa ben Harkinas declarar certos testemunhos como impossíveis — não por desconfiança pessoal das testemunhas, mas porque o relato contradiz a ordem regular que o próprio salmo celebra. E é também esse conhecimento que Rabán Gamliel evoca, na Guemará, ao responder que a jornada da lua "às vezes vem por caminho longo, às vezes por caminho curto" — reconhecendo variações dentro da regularidade, mas sem jamais abandonar o princípio de que a lua segue um curso ordenado e cognoscível.
Bartenura explica por que Rabán Gamliel aceitou os testemunhos questionados — não por ingenuidade, mas por cálculo astronômico próprio que validava a parte essencial de cada relato.
"Rabán Gamliel os aceitou" — não porque considerasse possível que a lua fosse vista de manhã a leste no início do nascer do sol e, no mesmo dia, a oeste com o pôr do sol, pois isso é impossível. Mas aceitou o testemunho quanto ao que disseram ter visto a lua a oeste, à tarde, porque sabia, por seus próprios cálculos astronômicos, que era possível que ela fosse vista naquela noite; e quanto ao que disseram ter visto de manhã, considerou que se enganaram, tomando por lua uma nuvem em forma semelhante.
Ele desenhava na tábua o formato da lua com a inclinação de seus chifres em relação ao horizonte — prática comum também entre os astrônomos, que costumam desenhar essas mesmas figuras para fins de ensino e verificação.
Rashi identifica o objeto da mishná seguinte que já se anuncia aqui — o testemunho sobre a lua vista de manhã, considerado por ele referente à lua velha, não à nova.
"A mishná: aconteceu que vieram dois etc." — "vimo-la de manhã no oriente" — a lua velha, já minguante. "E à tarde no ocidente" — a lua nova. "São testemunhas falsas" — pois é regra estabelecida que, entre o desaparecimento da lua velha e o reaparecimento da lua nova, o corpo celeste fica encoberto por cerca de vinte e quatro horas; um intervalo tão curto entre os dois avistamentos relatados pareceria, portanto, contradizer essa regra — e é sobre essa aparente contradição, e sobre como Rabán Gamliel a resolveu por seu próprio cálculo mais preciso, que a Guemará se estende longamente.