O burro sai com sua manta, desde que ela esteja amarrada nele desde a véspera de Shabat — sendo então considerada roupa do animal, e não carga. Os machos — os carneiros — saem com o couro amarrado sobre o membro genital, para que não subam sobre as fêmeas. As ovelhas saem com a cauda voltada para cima e amarrada, ou amarrada por cima na garupa, ou envolvida em pano. As cabras saem com os úberes amarrados. Rabi Yossei proíbe em todos esses casos, exceto nas ovelhas com a cauda envolvida em pano, que considera adorno, não carga. Rabi Yehudá diz: as cabras saem com os úberes amarrados quando o propósito é secar o leite, mas não quando o propósito é preservar o leite para ordenhar depois — nesse caso é considerado carga.
A Mishná continua detalhando, caso a caso, a linha divisória entre o que é considerado adorno ou proteção do animal — permitido — e o que é considerado carga que ele transporta — proibido — em cumprimento ao repouso do animal ordenado no Shabat.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. O mesmo princípio da Mishná anterior — "nem teu animal" — se aplica agora a situações mais delicadas: mantas, amarras nos órgãos genitais, na cauda, nos úberes. A disputa entre Rabi Yossei e os Sábios, e entre Rabi Yehudá e o primeiro tanná, mostra como o critério de "carga versus adorno/proteção" nem sempre é óbvio — a mesma amarra no úbere de uma cabra pode ser interpretada como cuidado com o animal (secar o leite, evitando desconforto) ou como conveniência do dono (preservar o leite para ordenha), e só a intenção por trás do ato determina se ele é permitido no Shabat.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a exigência de que a manta já esteja amarrada desde véspera, e a halachá decidida a favor de Rabi Yossei quanto aos demais casos.
O que os grandes comentadores dizem sobre cada termo técnico — levuvim, shechuzot, kevulot, kevunot, tzerurot — e por que a Guemará decide a favor de Rabi Yossei.
E o que se disse "amarrada nele" quer dizer desde a véspera de Shabat. E levuvim é quando se amarram couros sobre os órgãos genitais dos machos, para que não subam sobre as fêmeas e não as engravidem. E shechuzot é quando se amarra a cauda das fêmeas voltada para cima, para que os machos subam sobre elas com força e as engravidem. E kevulot é o oposto disso — amarra-se a cauda para baixo, impedindo a cópula.
E kevunot significa "guardadas" — protegidas: envolve-se um pano sobre a lã delas para que não se suje com poeira e permaneça úmida e macia; e isso se faz apenas com as ovelhas fêmeas, pois sua lã é mais macia que a dos machos. E tzerurot são as tetas amarradas para que delas não escorra o leite e se perca. E Rabi Yehudá discorda disso e diz que é proibido tirá-las amarradas para preservar o leite — ou seja, quando a intenção da amarra dos úberes é para que se acumule o leite e não escorra, para depois ordenhar dele muito leite; mas é permitido tirá-las amarradas para secar, se a intenção é apenas secar o leite dos úberes por completo. E a halachá segue Rabi Yossei, e não segue Rabi Yehudá.
"Marde'et" (manta): espécie de sela pequena, que se coloca sobre o burro o dia inteiro para aquecê-lo. "Quando está amarrada nele": desde a véspera de Shabat.
"Levuvin": com uma correia que se enrola em torno do local dos órgãos genitais deles, para que não subam sobre as fêmeas. "Shechuzot": que seguram suas caudas amarradas para cima, para que os machos subam sobre elas. "Kevulot": amarram suas caudas às pernas, para que os machos não subam sobre elas. "Kevunot": envolvem um pano sobre sua lã durante o dia para protegê-la de se sujar.
"Tzerurot": às vezes amarram seus úberes para interromper o fluxo de leite e secá-lo, e às vezes para acumular o leite. "Exceto as kevunot": pois isso é proteção para a lã, para que não se suje, e é considerado adorno e não carga. E a halachá segue Rabi Yossei.
"Nossa Mishná: 'Marde'et'" — Rashi traduz para o francês medieval, referindo-se a uma espécie de cobertor de sela, e explica: colocam-no sobre o burro o dia inteiro para aquecê-lo, pois as pessoas dizem: o burro sente frio mesmo no auge do verão. "Que está amarrada nele" — o motivo exato é explicado na Guemará. "Machos" — refere-se aos carneiros.
"Levuvim, shechuzot, kevulot e kevunot" — cada termo é explicado na Guemará em detalhe. "Saem tzerurot para secar" — Rashi observa que Rabi Yehudá concorda com o primeiro tanná de que isso não é considerado carga; porém, quanto a secar, a amarra fica bem apertada e não há receio de que caia e venha o dono a carregá-la; mas quanto a preservar o leite para ordenha, a amarra não fica tão apertada e há receio de que caia e o dono a recolha, violando a proibição de carregar no domínio público.
"É uma disputa de tanaim" — Rashi nota que a mesma disputa aparece em outra Mishná: ali, Rabi Meir permite e Rabi Yossei proíbe — confirmando que a posição de Rabi Yossei, adotada como halachá, é consistente entre os diferentes contextos.