E com que o animal não sai? Não sai o camelo com a correia presa sob a cauda, para segurar a sela — pois teme-se que caia e o dono venha a carregá-la, nem com as patas dianteiras amarradas, nem com as patas dianteira e traseira dobradas e atadas uma à outra, e assim também todos os demais animais. Não se amarra um camelo a outro para puxá-los em fileira, mas é permitido segurar as cordas soltas na mão e puxá-las, contanto que não as entrelace umas nas outras, formando um só nó, o que pareceria estar levando-as ao mercado.
A partir desta Mishná, o Perek Hei muda de foco: em vez de listar o que é permitido, passa a listar o que é proibido — casos em que o objeto no animal deixa de ser adorno ou proteção e se torna carga, ou em que a aparência do ato lembra uma atividade proibida (levar animais ao mercado para vender).
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. Devarim especifica "teu boi... teu burro... e todo o teu animal", reforçando que o repouso animal se estende a todo tipo de behemá e não apenas a um caso genérico. A proibição de amarrar vários camelos em fileira, mesmo sem carregar nada de fato, ilustra um segundo nível dessa proteção: não basta que o animal não esteja fisicamente carregando algo proibido — o próprio ato não pode ter a aparência de uma atividade de trabalho, como conduzir uma caravana comercial ao mercado. Já a permissão de segurar as cordas soltas na mão, desde que não entrelaçadas, mostra que os Sábios buscaram um equilíbrio: permitir o manejo prático e necessário dos animais sem abrir a porta para o que pareceria, aos olhos de quem vê, uma transação de trabalho no Shabat.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam — a proibição da correia sob a cauda e das patas amarradas, e a regra de segurar cordas soltas sem entrelaçá-las.
O que os grandes comentadores dizem sobre metutelet, akud e ragul, e o motivo pelo qual entrelaçar as cordas é proibido — uma razão ligada não ao Shabat, mas à proibição de misturas (kilayim).
Metutelet é um pedaço de pano amarrado na cauda do animal, como sinal ou para alguma outra finalidade. E akud é a pata dianteira amarrada junto com a traseira. E ragul é quando se dobra a pata dianteira sobre o antebraço do animal e se amarra.
"Não se amarra um camelo a outro para puxá-los" — mesmo que estivessem amarrados desde a véspera de Shabat — para que não pareça estar conduzindo-os ao mercado de venda de animais como se fosse dia de comércio. E o que se disse "contanto que não entrelace" não se refere apenas ao Shabat, mas ao Shabat e aos demais dias, pois o motivo é por causa de kilayim (mistura proibida de espécies em tecidos) — pois quando as cordas com que se conduz o animal são em parte de lã e em parte de linho, é proibido entrelaçá-las e amarrá-las juntas.
E o que se permitiu quanto às demais cordas no Shabat é sob a condição de que as pontas das cordas não fiquem penduradas e saindo de baixo da mão em direção ao chão por um palmo ou mais, para que não pareça estar carregando cordas penduradas na mão.
"Metutelet": pedaço de pano amarrado na sua cauda como sinal ou para outra finalidade. "Akud": amarram suas mãos e pés com correntes para que não fujam. "Ragul": dobra sua mão sobre seu antebraço e a amarra.
"Não se amarra um camelo a outro para puxá-los": um só, e todos vão atrás dele, para que não pareça estar conduzindo-os ao mercado para vendê-los. "Mas mete as cordas dentro da mão": desde que as pontas das cordas não fiquem penduradas e saindo por baixo de suas mãos ao chão por um palmo ou mais, para que não pareça estar carregando cordas penduradas na mão.
"Contanto que não entrelace": este trecho não fala aqui do assunto do Shabat, mas do assunto de kilayim (misturas proibidas).
"Nossa Mishná: 'Metutelet'" — Rashi apresenta duas interpretações: alguns explicam tratar-se da correia de retenção que passa sob a cauda (presa à sela), e outros explicam tratar-se da própria manta. E a última opinião parece correta aos seus olhos, pois, se fosse a correia sob a cauda, amarrada e ligada à sela, como cairia? Sendo que o motivo da Mishná é justamente o receio de que caia e o dono venha a trazê-la de volta carregando.
"Nem akud nem ragul" — os termos são explicados na Guemará com mais detalhe. "Não se amarra um camelo a outro para puxá-los" — um só se amarra à frente, e os demais seguem atrás, como se explica na Guemará.
"Contanto que não entrelace" — as cordas em um único enlace; e na Guemará se explica o motivo — tratando-se, como esclarece o Rambam, da proibição de misturar lã e linho.