De onde se aprende que aquela que expele sêmen — de seu marido, tendo tido relação com ele — no terceiro dia — após a relação — é impura — por esse sêmen, se ele ainda mantém sua forma original — como está dito (Shemot 19): "estejam prontos para o terceiro dia" — na preparação para o dom da Torá, indicando que o sêmen ainda é considerado apto a fecundar até o terceiro dia. De onde se aprende que se banha o circuncidado no terceiro dia — após a circuncisão — quando este cai no Shabat — mesmo usando água aquecida no próprio Shabat, por ser dia de risco à saúde do menino — como está dito (Bereshit 34): "e sucedeu que, ao terceiro dia, estando eles doloridos" — relativo aos homens de Shechem que se circuncidaram, mostrando que o terceiro dia é o de maior sofrimento e risco, exigindo cuidado especial. De onde se aprende que se ata uma fita de lã escarlate na cabeça do bode que é enviado — a Azazel, no deserto, em Yom Kipur — como está dito (Yeshayahu 1): "ainda que vossos pecados sejam como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve."
Três versículos de três livros diferentes, todos unidos por uma mesma palavra-chave: "terceiro" — ainda que a terceira alusão, sobre a fita escarlate, funcione de modo distinto das duas primeiras.
Por que este versículo prova a impureza do terceiro dia. Moshé ordenou ao povo que se abstivesse de relações conjugais durante os três dias que antecederam a entrega da Torá no Sinai — precisamente porque o sêmen expelido dentro desse período ainda seria considerado "vivo" e capaz de transmitir impureza a quem o tocasse, o que teria contaminado quem se preparava para receber a revelação. A Guemará (Shabat 86a) deduz daí que o limite de viabilidade do sêmen para efeitos de impureza é de três dias completos: passado esse prazo, o sêmen se deteriora e deixa de ser considerado apto à fecundação, e portanto deixa de transmitir impureza.
Por que este versículo prova o cuidado do terceiro dia após a mila. Os homens de Shechem, que haviam se circuncidado para que Diná pudesse se casar com o filho de Chamor, foram atacados por Shimon e Levi precisamente no terceiro dia — o momento em que a dor da circuncisão é mais intensa e o corpo está mais debilitado, tornando-os incapazes de reagir. A Guemará (Shabat 86a) extrai daí a halachá: se o terceiro dia após a circuncisão de um menino cai no Shabat, é permitido banhá-lo em água quente, mesmo aquecida no próprio Shabat, pois esse é um dia de risco à saúde (sakanat nefashot), e todo cuidado com risco à vida afasta as proibições do Shabat.
Por que este versículo se relaciona à fita do bode enviado. Diferentemente das duas primeiras alusões, que derivam uma halachá diretamente do texto, esta terceira funciona de outro modo: a fita de lã escarlate atada à cabeça do bode enviado a Azazel (Vayikra 16) é um costume já estabelecido, e o versículo de Yeshayahu não prova sua origem, mas descreve um sinal miraculoso associado a ela — segundo a tradição, quando o bode era empurrado do penhasco no deserto e o povo era perdoado, a fita de lã vermelha atada à porta do Templo se tornava branca, cumprindo literalmente a imagem profética de que os pecados "vermelhos como o carmesim se tornarão brancos como a neve". Por isso o Bartenura observa que este terceiro item, apesar de estar reunido aqui pelo padrão retórico "de onde se aprende", não prova propriamente uma halachá, mas ilustra visualmente uma verdade espiritual.
Como o Rambam codifica estas leis — notando uma reviravolta importante na primeira delas.
A reviravolta na primeira halachá. O sentido simples da Mishná parece afirmar que o sêmen expelido no terceiro dia é impuro. No entanto, tanto o Rambam quanto o Bartenura assinalam que a halachá decidida é exatamente o oposto: a mulher que expele sêmen no terceiro dia (contado a partir do dia da relação, inclusive) é considerada pura, pois o sêmen já se deteriorou o suficiente para não ser mais considerado apto à fecundação. A leitura do versículo de Shemot, portanto, não define o limite de impureza como "até o fim do terceiro dia", mas sim que o terceiro dia contado a partir da revelação no Sinai correspondia ao quarto dia desde a última relação conjugal do povo — e é esse o critério real de corte. A halachá prática, com todos os seus detalhes, é desenvolvida no tratado de Mikvaot.
Os comentadores esclarecem a reviravolta da primeira halachá, o motivo do risco no terceiro dia da mila, e o significado da fita escarlate.
Da advertência sobre a abstinência conjugal da mulher, três dias antes do dom da Torá, tira-se prova de que quando cai da mulher sêmen dentro de três dias de sua relação, ela se torna impura por esse mesmo sêmen. E se ela expeliu o sêmen após três dias, ela é pura, pois esse sêmen já se deteriorou e não transmite impureza por ele.
E sobre o segundo item: o terceiro dia é difícil para a circuncisão, pois os fluidos escorrem e descem, formando um ferimento, e as dores se multiplicam; por isso permitiram banhá-lo em água quente no Shabat, mesmo aquecida no próprio Shabat, pois há risco de vida.
"Que ela é impura" — explicando o sentido simples da Mishná: pois no terceiro dia o sêmen ainda não se deteriorou, e é apto a ser recebido pelo útero e tornar-se um feto formado a partir dele... Mas a decisão da halachá é que aquela que expele no terceiro dia é pura, e o texto da Mishná está com uma inversão — a versão correta ensina: "de onde se aprende que aquela que expele sêmen no terceiro dia é pura."
"Fita de lã escarlate" — uma espécie de fita de lã vermelha; atavam metade dela na cabeça do bode enviado a Azazel e metade num penhasco rochoso, e quando o bode era empurrado do penhasco para baixo, aquela fita se tornava branca, e assim sabiam que seus pecados haviam sido perdoados.
"A Mishná: que ela é impura" — pois no terceiro dia o sêmen ainda não se deteriorou, e é apto a ser recebido e tornar-se feto a partir dele, e chamamos esse sêmen de "apto a fecundar".
"Para o terceiro dia" — pois a Escritura se preocupou com a impureza de emissão seminal na entrega da Torá — e o cálculo dos dias, explica Rashi mais adiante, na verdade recua um dia: quem teve relação na quarta-feira (o dia anterior à separação ordenada por Moshé) estaria em seu terceiro dia exatamente no Shabat em que a Torá foi entregue, e o texto não se preocupou que expelissem sêmen nesse dia — sinal de que, a essa altura, o sêmen já estava deteriorado.
"De onde se aprende que se banha o circuncidado" — pois mesmo no terceiro dia há risco.