Tanto o que entra no átrio quanto o que entra no acréscimo do átrio — pois não se acrescenta à cidade e aos átrios senão com rei, profeta, Urim VeTumim, Sinédrio de setenta e um, duas oferendas de agradecimento e cântico. E o tribunal caminha, e duas oferendas de agradecimento atrás deles, e todo Israel atrás deles. A interna é comida, e a externa é queimada. E tudo o que não foi feito com todos esses — aquele que entra ali não é obrigado por causa disso. — A mishná continua diretamente o tema iniciado na mishná anterior — a impureza esquecida no contexto do Templo — esclarecendo primeiro um ponto prévio: os limites do próprio Templo não são fixos ao longo da história, pois a cidade de Jerusalém e os átrios do Templo podem ser ampliados. Contudo, tal ampliação não é um ato arbitrário ou meramente administrativo: exige a convergência de uma autoridade extraordinária — o rei, um profeta reconhecido, o Urim VeTumim (o oráculo do Sumo Sacerdote), e o Sinédrio pleno de setenta e um juízes — acompanhada de uma cerimônia pública e solene. Essa cerimônia consistia em uma procissão: o tribunal caminhava à frente, seguido por duas oferendas de agradecimento (dois pães de agradecimento carregados em círculo até o limite da nova área a ser consagrada), e todo o povo de Israel seguia atrás. Ao alcançar o limite desejado, uma das oferendas era comida e a outra, queimada — a Guemará detalhará adiante o significado exato dessa distinção. A mishná conclui com a consequência prática: qualquer extensão do átrio ou da cidade que não tenha sido realizada com todos esses requisitos formais simplesmente não adquire a santidade do Templo — e, portanto, quem entra impuro nessa área não incorre em nenhuma das obrigações discutidas na mishná anterior, pois tecnicamente não se trata do Templo.
Rambam explica que o Divino ordenou a Moshé "conforme tudo o que eu te mostrar... assim fareis" — estabelecendo que qualquer construção sagrada futura deve replicar o modelo revelado a Moshé, que reunia em si as qualificações de rei, profeta e portador do Urim VeTumim, cercado pelo Sinédrio dos setenta anciãos. Rambam identifica ainda a origem bíblica da cerimônia das "duas oferendas de agradecimento" no relato de Nechemyá (12:31), que descreve a consagração dos muros de Jerusalém no retorno do exílio babilônico com exatamente essa prática.
Bartenura detalha o mecanismo da cerimônia de consagração: as "duas oferendas de agradecimento" eram, na verdade, os dois pães de agradecimento (associados a um sacrifício de oferenda de paz do tipo todá), carregados em procissão até o limite exato da área a ser santificada. Ali, uma delas era comida e a outra queimada, conforme instrução profética. O cântico recitado era o Salmo 30, "Eu te exaltarei, ó Senhor, pois me erguestes". Bartenura observa ainda que, mesmo no Segundo Templo — quando já não havia rei ungido nem Urim VeTumim em funcionamento pleno —, a santidade original conferida por Salomão permaneceu válida para sempre, e a cerimônia de Neemias, filho de Hacalías, funcionou apenas como comemoração, sem reconsagrar tecnicamente o espaço.
Rashi confirma que a expressão "átrio" na mishná abrange tanto a área original quanto qualquer extensão posterior, precisamente porque a extensão só é válida quando realizada com o procedimento formal completo — e, sendo válida, ela adquire exatamente a mesma santidade da área original, sem distinção. Sobre "duas oferendas de agradecimento", Rashi remete a explicação técnica (dos dois pães e da procissão em círculo) à discussão detalhada da Guemará mais adiante no capítulo.