Tornou-se impuro no átrio, e a impureza foi-lhe ocultada, mas lembrou-se do Templo; foi-lhe ocultado o Templo e lembrou-se da impureza; foi-lhe ocultado isto e aquilo, e prostrou-se, ou demorou-se pelo tempo de uma prostração, [ou] saiu pelo caminho longo — é obrigado. Pelo caminho curto — está isento. Esta é a mitzvá positiva do Templo pela qual não se é obrigado. — Enquanto a mishná anterior tratava de quem já estava impuro e depois entrou no Templo, esta mishná considera o caso de quem se tornou impuro estando já dentro do átrio — situação em que a mera presença ali, após o esquecimento, ainda não basta para gerar obrigação. É necessário um ato adicional: que a pessoa se prostre (mesmo sem demora alguma), ou que permaneça no local pelo tempo mínimo equivalente a uma prostração (mesmo sem efetivamente prostrar-se), ou que, ao sair, tome o caminho mais longo quando havia um caminho mais curto disponível. Qualquer uma dessas três condições — a prostração, a demora, ou o desvio evitável — gera a obrigação da oferenda ascendente e descendente, uma vez que a pessoa se recorde depois do que havia esquecido. Se, ao contrário, a pessoa sai imediatamente pelo caminho mais curto possível, sem se prostrar nem se demorar, ela está isenta — pois cumpriu de imediato a mitzvá positiva de retirar-se do santuário assim que percebe (ou deveria perceber) sua impureza. A mishná fecha com uma observação técnica importante: esta mitzvá específica — sair do Templo quando impuro — é classificada, em outro contexto (Massechet Horayot), como um tipo de mitzvá positiva pela qual o Sinédrio não fica obrigado a trazer o touro comunitário por erro de instrução, distinção que será explicada mais adiante.
Rambam fixa a medida técnica do tempo de "demora": o intervalo necessário para que alguém recite, em ritmo pausado — nem apressado, nem excessivamente lento — o versículo de II Crônicas 7:3, "e inclinaram os rostos até o chão sobre o pavimento, e se prostraram, agradecendo ao Senhor, pois Ele é bom, pois eterna é a Sua bondade". Rambam explica ainda que a "mitzvá positiva" mencionada ao final é o mandamento de que o impuro saia do Templo — e que, quando o Sinédrio erra ao instruir alguém a sair pelo caminho longo, ele não fica obrigado a trazer o touro comunitário, embora o próprio indivíduo continue obrigado a trazer sua oferenda pessoal se sair pelo caminho longo. Rambam remete o desenvolvimento completo do tema a Massechet Horayot.
Bartenura explica que a escolha do caminho é, por si só, decisiva: se, ao descobrir sua impureza, a pessoa opta pela rota mais longa quando havia uma mais curta disponível, ela é responsabilizada por essa escolha, mesmo que não tenha se prostrado nem se demorado propositalmente. Já quem toma o caminho mais curto, sem prostração e sem demora, cumpre plenamente a mitzvá de sair e fica isento. Bartenura confirma que a isenção final do tribunal refere-se especificamente ao touro trazido por erro de instrução coletiva — caso o Sinédrio tenha equivocadamente instruído alguém a sair pelo caminho mais longo, este erro específico não gera a obrigação do touro comunitário.
Rashi confirma que a impureza tratada aqui pressupõe consciência real e inicial ("soube que se tornara impuro"), e que a prostração ou a demora referem-se especificamente ao período em que a impureza já lhe fora esquecida. Rashi observa um ponto essencial: as medidas exatas — o que conta como "prostração" e o que conta como "demora suficiente" — não são derivadas de nenhum versículo, mas constituem uma halachá transmitida a Moshé no Sinai (halachá leMoshé miSinai), aplicável especificamente a quem se torna impuro estando já dentro do átrio.