Juramento de que não comerei — e comeu pão de trigo, e pão de cevada, e pão de espelta — não é culpado senão uma vez. Juramento de que não comerei pão de trigo, e pão de cevada, e pão de espelta — e comeu — é culpado por cada um e cada um. — A diferença entre as duas cláusulas está inteiramente na formulação da fala. Na primeira, a pessoa jura de modo genérico — "não comerei" — sem especificar quais alimentos; ainda que depois coma três tipos diferentes de pão, todos caem sob a mesma proibição única, e uma única violação basta para consumir o juramento inteiro, de modo que comer os três tipos gera apenas uma culpa. Na segunda cláusula, porém, a pessoa enumera explicitamente cada tipo de pão — "não comerei pão de trigo, e pão de cevada, e pão de espelta" — repetindo a palavra "pão" antes de cada grão. Essa repetição não é estilística: ela revela a intenção de tratar cada tipo de pão como objeto de um juramento distinto e independente, como se a pessoa tivesse jurado três vezes separadamente. Por isso, quem come os três incorre em três culpas, uma para cada juramento embutido na fala repetida.
Rambam explica que a pessoa poderia ter dito apenas "pão de trigo, de cevada e de espelta" sem repetir a palavra "pão" a cada menção. Ao repeti-la deliberadamente, ela revelou sua própria intenção — que cada tipo de pão fosse objeto de uma obrigação juramentada distinta e independente.
Bartenura chega à mesma conclusão de Rambam por caminho paralelo: do fato de a mishná repetir a palavra "pão" para cada espécie de grão, aprende-se que a intenção da fala foi dividir (lechalek) a proibição em juramentos separados — pois, se a intenção fosse apenas proibir esses tipos em bloco, sem dividi-los, bastaria dizer "pão de trigo, e de cevada, e de espelta", sem repetir a palavra "pão".
Rashi esclarece por que a mishná precisa insistir na repetição da palavra "pão" antes de cada tipo de grão: sem essa repetição, poder-se-ia entender que o juramento genérico visava apenas um pão feito da mistura de todos os grãos numa só massa, deixando livre o pão de cada tipo separado. É a repetição de "pão" — pão de trigo, pão de cevada, pão de espelta — que exclui essa leitura e estabelece a divisão em três proibições distintas.