Seder Nezikin · Massechet Shevuot · Perek Guimel · Mishná 3 de 11

Vinho, óleo e mel: o mesmo princípio aplicado à bebida

יַיִן וָשֶׁמֶן וּדְבַשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná repete, quase palavra por palavra, a estrutura da anterior — mas trocando o comer pelo beber, e o pão pelas bebidas — confirmando que o princípio da divisão pela fala vale igualmente para líquidos.

Juramento de que não beberei — e bebeu muitas bebidas — não é culpado senão uma vez. Juramento de que não beberei vinho, e óleo, e mel — e bebeu — é culpado por cada um e cada um.O paralelismo com a mishná anterior é deliberado: assim como o juramento genérico "não comerei" gera uma só culpa mesmo diante de vários tipos de pão, o juramento genérico "não beberei" gera uma só culpa mesmo diante de várias bebidas — vinho, óleo, mel, ou qualquer outra. Mas, quando a pessoa enumera cada bebida separadamente por seu nome — "não beberei vinho, e óleo, e mel" —, a fala revela novamente a intenção de dividir a proibição em juramentos distintos, e a transgressão de cada um gera culpa própria. A Guemará situa este caso concretamente: tratava-se de alguém cujo amigo o pressionava a beber com ele, oferecendo vinho, óleo e mel um após o outro; bastaria à pessoa dizer "juro que não beberei contigo", mas, ao nomear cada bebida individualmente em resposta à insistência do amigo, ela assumiu, sem necessidade, três juramentos distintos.

שְׁבוּעָה שֶׁלֹּא אֶשְׁתֶּה וְשָׁתָה מַשְׁקִין הַרְבֵּה, אֵינוֹ חַיָּב אֶלָּא אַחַת. שְׁבוּעָה שֶׁלֹּא אֶשְׁתֶּה יַיִן וָשֶׁמֶן וּדְבַשׁ וְשָׁתָה, חַיָּב עַל כָּל אַחַת וְאֶחָת:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Shevuot 3:3
שבועה שלא אשתה ושתה משקין הרבה כו׳: יתכן היותו חייב על כל אחת ואחת בענין זה, והוא שאמר לו חבירו בא ושתה עמי יין ושמן ודבש, ואמר לו שבועה שלא אשתה יין ושמן ודבש, ולפיכך חייב על כל אחת ואחת, לפי שהיה יכול לומר לו שבועה שלא אשתה עמך ולא אמר יין ושמן ודבש אלא לחלק, לפיכך חייב על כל אחת ואחת:

Rambam fornece o contexto concreto da segunda cláusula: um amigo convidou a pessoa a beber vinho, óleo e mel junto com ele, e a pessoa respondeu com o juramento de não beber esses três. Como bastaria dizer "juro que não beberei contigo" para cumprir a recusa, o fato de ter nomeado cada bebida individualmente mostra que sua intenção foi dividir a proibição — daí a culpa múltipla.

Bartenura · Shevuot 3:3
שְׁבוּעָה שֶׁלֹּא אֶשְׁתֶּה יַיִן וָשֶׁמֶן וּדְבַשׁ. בַּגְּמָרָא מוֹקֵי לַהּ כְּגוֹן שֶׁהָיָה חֲבֵרוֹ מְסָרֵב בּוֹ וְאוֹמֵר לוֹ בֹּא וּשְׁתֵה עִמִּי יַיִן וְשֶׁמֶן וּדְבַשׁ. הָיָה לוֹ לוֹמַר שְׁבוּעָה שֶׁלֹּא אֶשְׁתֶּה עִמָּךְ וְתוּ לֹא, דְּכִי אִשְׁתָּבַע, אַמַּאי דִּמְסָרֵב בּוֹ אִשְׁתָּבַע, יַיִן וָשֶׁמֶן וּדְבַשׁ לָמָּה לִי, שְׁמַע מִנַּהּ לְחַלֵּק.

Bartenura confirma a mesma leitura da Guemará: a mishná só faz sentido no contexto de um amigo insistindo com convites concretos de "vinho, óleo e mel". Já que a pessoa poderia ter respondido apenas ao pedido em geral, o fato de repetir e nomear cada bebida separadamente ensina que houve intenção de dividir a proibição em três juramentos.