Juramento de que não beberei — e bebeu muitas bebidas — não é culpado senão uma vez. Juramento de que não beberei vinho, e óleo, e mel — e bebeu — é culpado por cada um e cada um. — O paralelismo com a mishná anterior é deliberado: assim como o juramento genérico "não comerei" gera uma só culpa mesmo diante de vários tipos de pão, o juramento genérico "não beberei" gera uma só culpa mesmo diante de várias bebidas — vinho, óleo, mel, ou qualquer outra. Mas, quando a pessoa enumera cada bebida separadamente por seu nome — "não beberei vinho, e óleo, e mel" —, a fala revela novamente a intenção de dividir a proibição em juramentos distintos, e a transgressão de cada um gera culpa própria. A Guemará situa este caso concretamente: tratava-se de alguém cujo amigo o pressionava a beber com ele, oferecendo vinho, óleo e mel um após o outro; bastaria à pessoa dizer "juro que não beberei contigo", mas, ao nomear cada bebida individualmente em resposta à insistência do amigo, ela assumiu, sem necessidade, três juramentos distintos.
Rambam fornece o contexto concreto da segunda cláusula: um amigo convidou a pessoa a beber vinho, óleo e mel junto com ele, e a pessoa respondeu com o juramento de não beber esses três. Como bastaria dizer "juro que não beberei contigo" para cumprir a recusa, o fato de ter nomeado cada bebida individualmente mostra que sua intenção foi dividir a proibição — daí a culpa múltipla.
Bartenura confirma a mesma leitura da Guemará: a mishná só faz sentido no contexto de um amigo insistindo com convites concretos de "vinho, óleo e mel". Já que a pessoa poderia ter respondido apenas ao pedido em geral, o fato de repetir e nomear cada bebida separadamente ensina que houve intenção de dividir a proibição em três juramentos.