Seder Nezikin · Massechet Shevuot · Perek Chet · Mishná 5 de 6

O que toma emprestado: sempre obrigado a pagar

אָמַר לַשּׁוֹאֵל הֵיכָן שׁוֹרִי
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná retorna ao esquema de permutações da Mishná 8:2, agora aplicado ao que toma emprestado (sho'el) — o guardião de posição mais pesada, que paga em qualquer hipótese, e por isso o juramento sobre a causa da perda nunca constitui negação de dinheiro devido.

Disse ao que toma emprestado: Onde está meu boi? Disse-lhe: Morreu — sendo que estava ferido, ou capturado, ou furtado, ou perdido. Ferido — sendo que morreu, ou foi capturado, ou furtado, ou perdido. Capturado — sendo que morreu, ou foi ferido, ou furtado, ou perdido. Furtado — sendo que morreu, ou foi ferido, ou capturado, ou perdido. Perdido — sendo que morreu, ou foi ferido, ou capturado, ou furtado. "Eu te faço jurar" — e disse "Amém" — está isento.A estrutura é idêntica à da Mishná 8:2, mas o resultado, embora igualmente de isenção, tem uma razão distinta: o guardião gratuito é isento porque juraria sobre algo que, em qualquer hipótese, o isentaria do pagamento; o que toma emprestado, ao contrário, é isento precisamente porque paga em qualquer hipótese — conforme já estabelecido na Mishná 8:1, ele responde inclusive pelo acidente inevitável. Assim, seja qual for a causa verdadeira da perda, e seja qual for a causa que ele alegou, o resultado prático é sempre o mesmo: ele deve pagar. Por isso, sua resposta falsa sobre a causa específica não constitui negação de dinheiro devido — ele nunca negou dever o pagamento, apenas errou (ou mentiu) sobre a circunstância —, e por essa razão está isento do sacrifício de culpa por juramento falso, ainda que tecnicamente tenha jurado uma mentira.

אָמַר לַשּׁוֹאֵל הֵיכָן שׁוֹרִי, אָמַר לוֹ מֵת, וְהוּא שֶׁנִּשְׁבַּר אוֹ נִשְׁבָּה אוֹ נִגְנַב אוֹ אָבַד. נִשְׁבָּר, וְהוּא שֶׁמֵּת אוֹ נִשְׁבָּה אוֹ נִגְנַב אוֹ אָבַד. נִשְׁבָּה, וְהוּא שֶׁמֵּת אוֹ נִשְׁבַּר אוֹ נִגְנַב אוֹ אָבַד. נִגְנָב, וְהוּא שֶׁמֵּת אוֹ נִשְׁבַּר אוֹ נִשְׁבָּה אוֹ אָבַד. אָבַד, וְהוּא שֶׁמֵּת אוֹ נִשְׁבַּר אוֹ נִשְׁבָּה אוֹ נִגְנַב. מַשְׁבִּיעֲךָ אָנִי, וְאָמַר אָמֵן, פָּטוּר:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Shevuot 8:5
[אָמַר לַשּׁוֹאֵל כוּ׳] זֶה גַּם כֵּן מְבֹאָר, לְפִי שֶׁלֹּא פָּטַר עַצְמוֹ בְּטַעֲנָה זוֹ מִכְּלוּם, אֲבָל חַיָּב הוּא לְשַׁלֵּם עַל כָּל פָּנִים, וּלְפִיכָךְ הוּא פָּטוּר עַל הַשְּׁבוּעָה:

Rambam explica que este caso também está claro, pois o que toma emprestado não se isentou de nada com esta alegação — ao contrário, ele é obrigado a pagar de qualquer modo — e por isso está isento quanto ao juramento, isto é, do sacrifício devido a quem jura falsamente sobre negação de dinheiro.

Bartenura · Shevuot 8:5
אָמַר לַשּׁוֹאֵל וְכוּ׳ פָּטוּר. שֶׁהֲרֵי אַף כְּשֶׁנִּשְׁבַּע לַשֶּׁקֶר חִיֵּב אֶת עַצְמוֹ בְתַשְׁלוּמִין וְאֵין בִּשְׁבוּעָה זוֹ כְּפִירַת מָמוֹן:

Bartenura explica: "Disse ao que toma emprestado etc., está isento" — pois, mesmo quando jurou falsamente, ele se obrigou ao pagamento por essa própria mentira, e este juramento não constitui negação de dinheiro devido.