Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Alef · Mishná 4 de 11

Quem treliça sobre a sucá a videira, a aboboreira ou a hera

הִדְלָה עָלֶיהָ אֶת הַגֶּפֶן
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Treliçar uma planta ainda ligada à terra sobre a sucá e usá-la como cobertura invalida a sucá — o sechach deve ser algo destacado do solo, não algo em crescimento.

Quem treliça sobre ela a videira, a aboboreira e a hera, e cobre por cima, é inválida.Se alguém deixa crescer sobre a sucá uma videira, uma planta de abóbora ou uma hera, ainda ligadas ao solo por suas raízes, e as usa como parte da cobertura, a sucá é inválida — pois o sechach precisa ser feito daquilo que já foi destacado da terra, e não de algo que ainda está em processo de crescimento.

הִדְלָה עָלֶיהָ אֶת הַגֶּפֶן וְאֶת הַדְּלַעַת וְאֶת הַקִּסּוֹם וְסִכֵּךְ עַל גַּבָּהּ, פְּסוּלָה:
Duas exceções restauram a validade: se o sechach válido já é a maior parte da cobertura, ou se as plantas ligadas à terra foram cortadas e balançadas de modo a constituir um novo ato de cobertura.

E, se o sechach válido era maioria delas, ou se as cortou, é válida.Se, ao lado dessas plantas ainda ligadas ao solo, há sechach válido em quantidade maior, o material proibido se anula na maioria e a sucá é válida. Da mesma forma, se as plantas foram cortadas de suas raízes — e, além disso, balançadas de modo que se movam e se reacomodem sobre a sucá —, elas deixam de ser "o que já estava feito" antes da intenção de cobrir, e passam a valer como um novo ato de cobertura, tornando a sucá válida.

וְאִם הָיָה סִכּוּךְ הַרְבֵּה מֵהֶן, אוֹ שֶׁקְּצָצָן, כְּשֵׁרָה:
A regra geral que rege todo o material de sechach: precisa crescer da terra e não estar sujeito a impureza ritual — o que exclui tanto utensílios quanto plantas ainda ligadas ao solo.

Esta é a regra: tudo o que recebe impureza e não cresce da terra, não se cobre com ele; e tudo o que não recebe impureza e cresce da terra, cobre-se com ele.A regra que sintetiza os requisitos do sechach válido combina dois critérios: o material precisa ter crescido da terra — o que exclui, por exemplo, peles de animais e metais — e não pode ser suscetível a impureza ritual — o que exclui utensílios de madeira, tecidos e esteiras já destinadas a certos usos. Somente o que satisfaz ambos os critérios ao mesmo tempo — como palha, ramos e folhas destacadas — serve como cobertura válida da sucá.

זֶה הַכְּלָל, כֹּל שֶׁהוּא מְקַבֵּל טֻמְאָה וְאֵין גִּדּוּלוֹ מִן הָאָרֶץ, אֵין מְסַכְּכִין בּוֹ. וְכָל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ מְקַבֵּל טֻמְאָה וְגִדּוּלוֹ מִן הָאָרֶץ, מְסַכְּכִין בּוֹ:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Devarim 16:13
חַג הַסֻּכֹּת תַּעֲשֶׂה לְךָ שִׁבְעַת יָמִים, בְּאָסְפְּךָ מִגָּרְנְךָ וּמִיִּקְבֶךָ.
A festa das Sucot farás para ti, sete dias, quando ajuntares da tua eira e do teu lagar.

A Guemará recebe por tradição que a expressão "quando ajuntares da tua eira e do teu lagar" define o material do sechach: aquilo que sobra depois de recolhida a colheita da eira e do lagar — como palha e sarmentos —, e não a colheita em si, que é suscetível a impureza como alimento. Essa mesma frase, junto ao princípio geral de que a sucá deve ser "feita" — e não resultar de algo que já estava pronto —, é o que exige que o material esteja destacado da terra: uma planta ainda enraizada e crescendo continua em processo, e não é um ato acabado de construção.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica as duas condições que restauram a validade — quantidade e corte com movimento — e liga o princípio geral do material do sechach ao versículo sobre a eira e o lagar.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 1:4
אִם הָיָה הַסִּכּוּךְ הַרְבֵּה מֵהֶם כְּשֵׁרָה, בִּתְנַאי שֶׁיָּקֹץ אוֹתָן, שֶׁאִם לֹא קְצָצָן יִצְטָרֵף סְכָךְ כָּשֵׁר לְסְכָךְ פָּסוּל וּפְסוּלָה. עוֹד אָמַר אוֹ שֶׁקְּצָצָן כְּשֵׁרָה, בִּתְנַאי שֶׁיְּנַעְנֵעַ אוֹתָן, וְאָז תִּהְיֶה כְּשֵׁרָה.

"Se o sechach válido era maioria delas, é válida" — desde que as tenha cortado; pois, se não as cortou, o sechach válido se junta ao inválido e a torna inválida. E disse ainda "ou se as cortou, é válida" — desde que as balance depois de cortá-las, e só então será válida.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 1:4 (continuação)
כִּי כָּל שֶׁגִּדּוּלָיו מִן הָאָרֶץ אֵינוֹ מְקַבֵּל טֻמְאָה, וְהוּא שֶׁלֹּא יִהְיֶה כְּגוֹן מַחְצְלָאוֹת וּבִגְדֵי פִּשְׁתָּן וּכְלֵי עֵץ שֶׁמְּקַבְּלִין כֻּלָּם טֻמְאָה, הוּא עִקָּר אֲמִתִּי וְרָאוּי לִסְמֹךְ עָלָיו. וְהָרְאָיָה בָּזֶה: אָמַר הַשֵּׁם יִתְעַלֶּה, "חַג הַסֻּכֹּת תַּעֲשֶׂה לְךָ שִׁבְעַת יָמִים" וְגוֹ', וּבָאָה הַקַּבָּלָה: בִּפְסֹלֶת גֹּרֶן וָיֶקֶב הַכָּתוּב מְדַבֵּר.

Pois tudo o que cresce da terra e não recebe impureza — desde que não seja como esteiras, roupas de linho e utensílios de madeira, que todos recebem impureza — este é o princípio verdadeiro e digno de confiança. E a prova disso: disse o Nome Elevado, "a festa das Sucot farás para ti, sete dias" etc., e veio a tradição: da sobra da eira e do lagar fala o versículo.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura detalha por que balançar as plantas cortadas equivale a um novo ato de cobertura, e por que utensílios de madeira e tecidos, apesar de crescerem da terra, ainda assim são excluídos por serem suscetíveis a impureza; Rashi, na Guemará, esclarece o requisito de que o material esteja destacado.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 1:4
אוֹ שֶׁקְּצָצָן. אַף לְאַחַר שֶׁסִּכֵּךְ בָּהֶן, כְּשֵׁרָה. וְהוּא שֶׁיְּנַעְנְעֵם לְאַחַר קְצִיצָה, דְּאִי לָאו הָכִי פְּסוּלָה, דְּאָמְרָה תוֹרָה חַג הַסֻּכּוֹת תַּעֲשֶׂה, וְלֹא מִן הֶעָשׂוּי. כְּלוֹמַר, כְּשֶׁתַּעֲשֶׂה תְּהֵא רָאוּי לְסֻכָּה, וְלֹא מִן הֶעָשׂוּי בִּפְסוּל.

"Ou se as cortou" — mesmo depois de já ter coberto com elas, é válida. E isso é desde que as balance depois de cortá-las; pois, sem isso, é inválida, já que a Torá disse "a festa das Sucot farás" — e não a partir do que já estava feito. Isto é, quando fizeres, que já seja apropriado para sucá, e não a partir do que já foi feito de forma inválida.

"Tudo o que não recebe impureza etc." — isso exclui utensílios de madeira, roupas de linho e esteiras, que, embora cresçam da terra, não se cobre com eles, pois recebem impureza.

"E cresce da terra etc." — pois está escrito "a festa das Sucot farás, quando ajuntares da tua eira e do teu lagar" — do resto da eira e do lagar fala o versículo, isto é, do que sobra depois de recolhida a colheita, como palha e sarmentos: com isso faz-se a sucá.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 11a
הַדְלָה — הֵרִים וּפָשַׁט עָלֶיהָ כְּעֵין דְּלִית. קִיסּוֹם — עֵשֶׂב הַמִּתְפַּשֵּׁט מְאֹד וְשָׁרָשָׁיו כָּאִילָן וְעִקָּרוֹ כָּאִילָן, וּמִתְפַּשֵּׁט וְעוֹלֶה עַל הַחוֹמוֹת. פְּסוּלָה — מִשּׁוּם מְחֻבָּר.

"Treliçou" — ergueu e estendeu sobre ela como uma parreira. "Hera" — uma planta que se espalha muito, cujas raízes e caule são como os de uma árvore, e se espalha e sobe pelos muros. "É inválida" — por estar ainda ligada ao solo.