Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Alef · Mishná 6 de 11

Cobre-se com tábuas, segundo Rabi Yehuda

מְסַכְּכִין בִּנְסָרִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Disputa sobre o uso de tábuas de madeira como sechach: Rabi Yehuda permite, temendo que a proibição leve à confusão com o teto de uma casa; Rabi Meir proíbe.

Cobre-se com tábuas — palavras de Rabi Yehuda; e Rabi Meir proíbe.Rabi Yehuda permite usar tábuas de madeira como sechach, pois, sendo estreitas — sem a largura mínima de quatro palmos que as tornaria um "espaço significativo" —, elas se equiparam a varas comuns. Rabi Meir, porém, proíbe seu uso mesmo assim, por receio de que, por serem tábuas planas e contínuas, alguém confunda a sucá com uma casa comum e passe a tratá-la como habitação permanente, esquecendo-se de que está sob a cobertura temporária da mitsvá.

מְסַכְּכִין בִּנְסָרִים, דִּבְרֵי רַבִּי יְהוּדָה. וְרַבִּי מֵאִיר אוֹסֵר:
Uma única tábua larga, sobre a qual ninguém dorme diretamente, é aceita por todos como sechach — pois o problema de confusão com um teto de casa só se coloca quando se dorme sob a tábua.

Colocou sobre ela uma tábua que é larga quatro palmos, é válida, contanto que não durma debaixo dela.Mesmo segundo quem proíbe tábuas em geral, uma única tábua larga — de quatro palmos ou mais — pode ser colocada sobre a sucá, desde que o restante da cobertura seja de sechach válido comum; a única condição é que ninguém durma diretamente sob essa tábua específica, pois é justamente ali, sob uma superfície plana e contínua como a de um teto de casa, que existiria o receio de confusão.

נָתַן עָלֶיהָ נֶסֶר שֶׁהוּא רָחָב אַרְבָּעָה טְפָחִים, כְּשֵׁרָה, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִישַׁן תַּחְתָּיו:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:42-43
בַּסֻּכֹּת תֵּשְׁבוּ שִׁבְעַת יָמִים... לְמַעַן יֵדְעוּ דֹרֹתֵיכֶם כִּי בַסֻּכּוֹת הוֹשַׁבְתִּי אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל.
Em sucot habitareis sete dias... para que saibam vossas gerações que em sucot fiz habitar os filhos de Israel.

A disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Meir gira, em última análise, em torno do mesmo princípio de "para que saibam": a sucá precisa ser reconhecível como habitação temporária, e não confundível com uma casa. Rabi Yehuda considera que, enquanto o material não atinge o "shiur makom" — a medida mínima de quatro palmos que o torna um espaço significativo por si mesmo —, ele continua sendo tratado como um simples fio de cobertura, tal qual uma vara fina, e não gera risco de confusão. Rabi Meir teme que, mesmo abaixo dessa medida, o uso de tábuas planas leve à familiaridade excessiva com o teto de uma casa comum.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam delimita com precisão as três faixas de largura das tábuas — abaixo de três palmos, de três a quatro, e quatro ou mais — e mostra onde exatamente recai a disputa entre os dois Sábios, decidindo a halachá como Rabi Yehuda.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 1:6
נְסָרִים הֵם הַלּוּחוֹת. אִם הָיוּ אוֹתָם הַנְּסָרִים קְצָרוֹת שֶׁאֵין בְּרָחְבָּן ג' טְפָחִים, מֻתָּר לְסַכֵּךְ בָּהֶם לְדִבְרֵי הַכֹּל, לְפִי שֶׁהֵם כְּקָנִים. וְאִם הָיָה בְּרֹחַב כָּל נֶסֶר מֵהֶן ד' טְפָחִים, שֶׁהוּא שִׁעוּר מָקוֹם, אָסוּר לְסַכֵּךְ בָּהֶם לְדִבְרֵי הַכֹּל. וְאִם הָיָה רֹחַב אוֹתָן הַנְּסָרִים פָּחוֹת מִד' וְיוֹתֵר מִג', בָּזֶה נֶחְלְקוּ רַבִּי יְהוּדָה וְרַבִּי מֵאִיר... וַהֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה.

"Nesarim" são as tábuas. Se essas tábuas eram estreitas, sem três palmos de largura, é permitido cobrir com elas segundo todos, pois se equiparam a varas. E se a largura de cada tábua era de quatro palmos — que é a medida de um espaço significativo — é proibido cobrir com elas segundo todos. E se a largura dessas tábuas era menor que quatro e maior que três, nisso discordam Rabi Yehuda e Rabi Meir... e a halachá é como Rabi Yehuda.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica a lógica de cada opinião na disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Meir, e por que a halachá segue Rabi Yehuda; Rashi, na Guemará, define os termos "tikrá" e "maazivá" que aparecem já na mishná seguinte, em conexão direta com este tema.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 1:6
כִּי פְלִיגֵי מִשְּׁלֹשָׁה וְעַד אַרְבָּעָה. רַבִּי יְהוּדָה סָבַר כֵּיוָן דְּלֵית בְּהוּ שִׁעוּר מָקוֹם חָשׁוּב לֹא גָּזְרִינַן שֶׁמָּא יֵשֵׁב תַּחַת תִּקְרַת הַבַּיִת. וְרַבִּי מֵאִיר סָבַר כֵּיוָן דְּנָפְקֵי מִתּוֹרַת לָבוּד גָּזְרִינַן שֶׁמָּא יֹאמַר מַה לִּי לְסַכֵּךְ בְּאֵלּוּ מַה לִּי לֵישֵׁב תַּחַת תִּקְרַת בֵּיתִי. וַהֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה.

Pois discordam apenas quando a largura vai de três a quatro palmos. Rabi Yehuda entende que, como essas tábuas não têm a medida de um espaço significativo, não decretamos a proibição por receio de que alguém se sente sob o teto de uma casa comum. E Rabi Meir entende que, como essas tábuas já saem da categoria de "lavud" (consideradas unidas por sua proximidade), decretamos a proibição, para que ninguém diga: "que diferença faz cobrir com estas ou me sentar sob o teto da minha casa?" E a halachá é como Rabi Yehuda.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 15a
תִּקְרָה. גַּג הֶעָשׂוּי מִקּוֹרוֹת אוֹ נְסָרִים. מַעֲזִיבָה. הַטִּיט אוֹ הַסִּיד שֶׁרְגִילִין לִתֵּן עַל גַּבֵּי הַקּוֹרוֹת וְהַנְּסָרִים, קָרוּי מַעֲזִיבָה.

"Tikrá" — teto feito de vigas ou tábuas. "Maazivá" — a argamassa ou a cal que se costuma colocar sobre as vigas e as tábuas chama-se "maazivá".