Cobre-se com tábuas — palavras de Rabi Yehuda; e Rabi Meir proíbe. — Rabi Yehuda permite usar tábuas de madeira como sechach, pois, sendo estreitas — sem a largura mínima de quatro palmos que as tornaria um "espaço significativo" —, elas se equiparam a varas comuns. Rabi Meir, porém, proíbe seu uso mesmo assim, por receio de que, por serem tábuas planas e contínuas, alguém confunda a sucá com uma casa comum e passe a tratá-la como habitação permanente, esquecendo-se de que está sob a cobertura temporária da mitsvá.
Colocou sobre ela uma tábua que é larga quatro palmos, é válida, contanto que não durma debaixo dela. — Mesmo segundo quem proíbe tábuas em geral, uma única tábua larga — de quatro palmos ou mais — pode ser colocada sobre a sucá, desde que o restante da cobertura seja de sechach válido comum; a única condição é que ninguém durma diretamente sob essa tábua específica, pois é justamente ali, sob uma superfície plana e contínua como a de um teto de casa, que existiria o receio de confusão.
A disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Meir gira, em última análise, em torno do mesmo princípio de "para que saibam": a sucá precisa ser reconhecível como habitação temporária, e não confundível com uma casa. Rabi Yehuda considera que, enquanto o material não atinge o "shiur makom" — a medida mínima de quatro palmos que o torna um espaço significativo por si mesmo —, ele continua sendo tratado como um simples fio de cobertura, tal qual uma vara fina, e não gera risco de confusão. Rabi Meir teme que, mesmo abaixo dessa medida, o uso de tábuas planas leve à familiaridade excessiva com o teto de uma casa comum.
O Rambam delimita com precisão as três faixas de largura das tábuas — abaixo de três palmos, de três a quatro, e quatro ou mais — e mostra onde exatamente recai a disputa entre os dois Sábios, decidindo a halachá como Rabi Yehuda.
"Nesarim" são as tábuas. Se essas tábuas eram estreitas, sem três palmos de largura, é permitido cobrir com elas segundo todos, pois se equiparam a varas. E se a largura de cada tábua era de quatro palmos — que é a medida de um espaço significativo — é proibido cobrir com elas segundo todos. E se a largura dessas tábuas era menor que quatro e maior que três, nisso discordam Rabi Yehuda e Rabi Meir... e a halachá é como Rabi Yehuda.
Bartenura explica a lógica de cada opinião na disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Meir, e por que a halachá segue Rabi Yehuda; Rashi, na Guemará, define os termos "tikrá" e "maazivá" que aparecem já na mishná seguinte, em conexão direta com este tema.
Pois discordam apenas quando a largura vai de três a quatro palmos. Rabi Yehuda entende que, como essas tábuas não têm a medida de um espaço significativo, não decretamos a proibição por receio de que alguém se sente sob o teto de uma casa comum. E Rabi Meir entende que, como essas tábuas já saem da categoria de "lavud" (consideradas unidas por sua proximidade), decretamos a proibição, para que ninguém diga: "que diferença faz cobrir com estas ou me sentar sob o teto da minha casa?" E a halachá é como Rabi Yehuda.
"Tikrá" — teto feito de vigas ou tábuas. "Maazivá" — a argamassa ou a cal que se costuma colocar sobre as vigas e as tábuas chama-se "maazivá".