Um teto sem argamassa por cima, Rabi Yehuda diz. — A mishná trata do caso de um teto de casa já pronto, feito de vigas ou tábuas, ao qual ainda não se aplicou a camada de argamassa ou barro que normalmente o completaria. Como esse teto, tal como está, tem status de "tikrá" — teto de casa —, é preciso um gesto que o requalifique como sechach de sucá.
Bet Shamai dizem: solta e retira uma do meio; e Bet Hilel dizem: solta, ou retira uma do meio. — Bet Shamai exigem que se façam as duas coisas: soltar todas as tábuas de seus pregos, desmontando o teto como teto de casa, e além disso retirar uma delas do meio, preenchendo o vão com sechach válido. Bet Hilel entendem que basta um dos dois gestos — ou soltar as tábuas, ou substituir uma delas —, pois qualquer um já demonstra que o teto foi reconstituído com a intenção de servir como sucá.
Rabi Meir diz: retira uma do meio, e não solta. — Rabi Meir entende que apenas a substituição de uma tábua por sechach válido resolve o problema — pois soltar as tábuas, sem trocar nenhuma delas por material válido, não introduz de fato nenhum sechach kosher no teto, e por isso esse gesto sozinho não basta.
Toda esta mishná gira em torno do princípio "farás — e não a partir do que já estava feito", aplicado agora a um teto de casa preexistente. Como o teto de vigas ou tábuas, mesmo sem a argamassa final, já tem status de construção de casa, ele não pode simplesmente ser aproveitado como sucá sem um gesto que o desfaça enquanto teto de casa e o refaça, ainda que minimamente, como cobertura da mitsvá. É esse mesmo princípio — a exigência de um ato genuíno e novo de cobertura — que fundamenta tanto a proibição vista na mishná anterior aos feixes amarrados quanto, aqui, a exigência de soltar ou substituir parte do teto.
O Rambam define os termos técnicos "mefakpek" e "notel achat mibeintayim", explica a lógica de cada uma das três opiniões, e conclui que a halachá segue Rabi Yehuda — que, segundo ele, relata a posição de Bet Hilel.
"Tikrá" é um teto ou cobertura de madeira. E "maazivá" é o barro, a terra ou a cal que se coloca sobre as tábuas. E "mefakpek" significa que ele as solta de seu lugar e dos pregos nelas fincados. E "retira uma do meio" significa que retira uma tábua entre outras duas e preenche o lugar da que retirou com sechach válido.
E a halachá é como Rabi Yehuda, tal como ele mesmo instruiu segundo as palavras de Bet Hilel.
Bartenura explica por que, segundo Rabi Yehuda, soltar as tábuas basta para Bet Hilel — pois ele próprio permite cobrir com tábuas —, e por que Rabi Meir, coerente com sua opinião de proibir tábuas como sechach, exige a substituição efetiva por material válido.
"Ou retira uma do meio" — e coloca sechach válido em seu lugar. E Rabi Yehuda segue seu próprio critério, pois ele mesmo valida cobrir com tábuas; por isso, para ele, soltar já é suficiente — o simples ato de desmontar o teto já basta para requalificá-lo, já que as tábuas soltas, mesmo sem substituição, já são sechach válido a seus olhos.
Rabi Meir diz que Bet Shamai e Bet Hilel não discordam nesse ponto: todos concordam que é preciso retirar uma tábua do meio, e soltar não basta. E Rabi Meir segue seu próprio critério, pois ele afirma que não se cobre com tábuas de forma alguma — por isso, apenas a substituição por um material genuinamente válido resolve o problema.
"Mishná: um teto sem argamassa por cima" — trata-se, por padrão, de um teto de tábuas com quatro palmos de largura. "Rabi Yehuda diz" — introduzindo que Bet Shamai e Bet Hilel discordaram sobre o assunto. "Bet Shamai dizem" — isto é, se pretende sentar-se debaixo dele em nome da sucá.