Quem dorme debaixo da cama na sucá não cumpriu sua obrigação. — Uma cama inteira tem, por si só, a altura suficiente para ser considerada uma tenda; assim, quem dorme sob ela dorme, na verdade, sob uma tenda dentro da sucá — essa tenda intermediária se interpõe entre ele e o sechach, de modo que ele não está, propriamente, sob o teto da sucá. E o essencial da mitzvá da sucá é comer, beber e dormir sob a cobertura mesma.
Disse Rabi Yehudá: costumávamos dormir debaixo da cama na presença dos anciãos, e eles não nos disseram nada. — Rabi Yehudá relata um costume próprio, observado pelos sábios mais velhos sem que houvesse objeção — silêncio que, para ele, valida a prática, pois entende que uma tenda temporária, como a formada por uma cama, não anula o estatuto de tenda permanente que pertence à sucá.
Disse Rabi Shimon: houve um caso com Tavi, servo de Rabán Gamliel, que dormia debaixo da cama, e Rabán Gamliel disse aos anciãos: vistes Tavi, meu servo? Ele é um sábio erudito e sabe que os servos estão isentos da sucá; por isso ele dorme debaixo da cama. — Rabán Gamliel demonstra, ao comentar o comportamento de seu próprio servo — um homem versado na lei —, que a isenção que recai sobre os servos é o que permite a Tavi dormir fora da cobertura da sucá propriamente dita, já que, de todo modo, ele não está obrigado à mitzvá.
E, por nosso próprio caminho, aprendemos que quem dorme debaixo da cama não cumpriu sua obrigação. — Rabi Shimon extrai do relato de Rabán Gamliel — dito de passagem, por mera conversa cotidiana, sem intenção de ensinar — a confirmação halachica de que dormir debaixo da cama não cumpre a mitzvá: se Tavi precisou recorrer à isenção dos servos para justificar seu costume, é sinal de que, para quem está obrigado, tal prática não basta.
A mishná que abre o Perek Bet retoma o princípio de que habitar na sucá significa viver sob a cobertura mesma, e não sob qualquer estrutura interposta entre a pessoa e o sechach. A Guemará explica que uma cama de dez palmos de altura tem, por si própria, o status de "tenda" — e uma tenda dentro de outra tenda separa quem está embaixo da cobertura principal. O caso de Tavi mostra, por caminho indireto, que a regra permanece válida mesmo para quem, como um servo, está isento da mitzvá: sua isenção é o que lhe permite dormir sob a cama sem que isso constitua transgressão, precisamente porque, para quem é obrigado, tal prática não cumpre a sucá.
O Rambam fixa a medida exata que faz da cama uma "tenda dentro da tenda", e decide contra Rabi Yehudá; Bartenura explica por que os servos, como as mulheres, estão isentos da sucá.
E é necessário que a altura da cama seja de dez palmos — que é a medida mínima de uma sucá —, e assim ela é como uma sucá dentro de outra sucá. E a halachá não é como Rabi Yehudá.
Os servos estão isentos da sucá, pois toda mitzvá positiva vinculada ao tempo isenta as mulheres, e toda mitzvá em que a mulher é obrigada, o servo também é obrigado — mas a sucá, sendo vinculada ao tempo, isenta ambos igualmente.
Bartenura explica o essencial da mitzvá — comer, beber e dormir sob a cobertura mesma —; Rashi, na Guemará, esclarece por que o silêncio dos anciãos validou o costume de Rabi Yehudá e por que o relato de Rabán Gamliel, mesmo informal, tem valor de ensino.
"Quem dorme" — não cumpriu sua obrigação, e isso desde que a cama tenha dez palmos de altura, pois só então ela é considerada uma tenda, e há uma tenda que se interpõe entre ele e a sucá. E o essencial da mitzvá da sucá é comer, beber e dormir.
"Costumávamos etc." — pois Rabi Yehudá entendia que uma tenda temporária não vem e anula uma tenda permanente. E a halachá não é como Rabi Yehudá.
"Mishná: quem dorme não cumpriu" — pois uma tenda se interpõe entre ele e a sucá, e o essencial da permanência na sucá é comer, beber e dormir. "Houve um caso com Tavi, seu servo" — e os servos estão isentos da sucá, pois toda mitzvá positiva vinculada ao tempo isenta as mulheres, e toda mitzvá em que a mulher é obrigada, o servo também é obrigado.
"E por nosso próprio caminho aprendemos" — ou seja: ainda que Rabán Gamliel não tenha falado com intenção de ensinar, mas apenas por conversa cotidiana, gabando-se de seu servo em tom de brincadeira, aprendemos, por essa via de sua brincadeira, que quem dorme debaixo da cama não cumpre sua obrigação.