Quem apoia sua sucá nos pés da cama, é válida. — Quando o sechach de uma sucá está apoiado sobre os pés de uma cama, em vez de sobre postes ou paredes próprias, a sucá é ainda assim válida, pois basta que o material de cobertura esteja sustentado de algum modo — mesmo que o suporte seja um objeto móvel como uma cama.
Rabi Yehudá diz: se ela não consegue ficar de pé por si mesma, é inválida. — Para Rabi Yehudá, que entende que a sucá deve ser uma habitação permanente, é necessário que a estrutura da sucá — paredes e cobertura — seja capaz de se sustentar independentemente da cama; se a sucá desaba assim que a cama é removida, falta-lhe a estabilidade própria de uma habitação, e ela é inválida.
Uma sucá desalinhada, cuja sombra é maior que o sol, é válida. — Uma sucá cujo sechach não foi disposto de modo uniforme — com ramos que ora sobem, ora descem, deixando aberturas irregulares — permanece válida, contanto que, avaliando-a como se os ramos estivessem nivelados, a área de sombra ainda supere a área exposta ao sol.
A densa como uma casa, mesmo que as estrelas não sejam visíveis através dela, é válida. — Uma sucá cujo sechach é tão espesso que nem sequer as estrelas se veem através dele continua válida — a densidade excessiva não é motivo de invalidação, pois o requisito é que a sombra predomine sobre o sol, e não que haja uma medida máxima de cobertura.
A disputa entre o Tana Kama e Rabi Yehudá sobre a cama como suporte reflete, mais uma vez, a questão de fundo do perek: o que faz de uma estrutura uma "sucá" válida, um lugar em que "habitar" tem sentido pleno. O Tana Kama contenta-se com a existência de sombra suficiente, ainda que o suporte seja instável; Rabi Yehudá insiste que a estrutura deve poder se sustentar por si mesma, como convém a uma habitação. Já as duas últimas cláusulas tratam da qualidade do próprio sechach: a irregularidade da disposição dos ramos e sua espessura não invalidam a sucá, desde que a proporção essencial — mais sombra que sol — se mantenha.
O Rambam explica a lógica de Rabi Yehudá — a exigência de habitação permanente — e define precisamente o que é uma sucá medubelet; a halachá não segue Rabi Yehudá em nenhuma das duas disputas do perek.
Rabi Yehudá entende que a sucá deve ser uma habitação permanente — como já se conhece de sua opinião anterior —, e por isso ele exige que ela consiga ficar de pé por si mesma. E a halachá não é como Rabi Yehudá.
A sucá "desalinhada" é aquela cujo teto não é uniforme, mas tem um ramo que sobe e outro que desce — e mesmo assim, se ao nivelá-los mentalmente a sombra prevalecer, ela é válida.
Bartenura detalha o critério de "ver como se estivesse nivelado" para a sucá desalinhada; Rashi, na Guemará, explica por que apoiar-se nos pés da cama não desqualifica a sucá e distingue as duas leituras tanaíticas sobre a medubelet.
"Desalinhada" — quando não se dispuseram os ramos lado a lado de modo uniforme, mas um sobe e outro desce, de forma que, à primeira vista, o sol prevalece sobre a sombra; e a mishná nos ensina que se avalia como se estivessem nivelados, e se então a sombra prevalecer, a sucá é válida.
"Mishná: nos pés da cama" — refere-se a uma cama inteira, com pés. "Rabi Yehudá diz etc." — a razão é explicada na Guemará: ele entende que, por ser algo removível através da cama, falta-lhe a fixação própria de uma sucá permanente.
"Mishná: sucá desalinhada" — a Guemará adiante explica o termo. "Densa como uma casa" — cujo sechach é muito espesso, a ponto de nem as estrelas se verem através dele; ainda assim válida, pois não há medida máxima de espessura para o sechach.