Quem faz sua sucá na proa de uma carroça ou na proa de um navio, é válida, e sobe-se a ela em Yom Tov. — Uma sucá construída no ponto mais alto de uma carroça ou de um navio é válida, pois basta que ela sirva de habitação temporária — e não há, aqui, nenhum decreto que proíba subir a ela, mesmo em Yom Tov, já que carroça e navio não são objetos que a lei rabínica tenha restringido nesse contexto.
No topo de uma árvore ou sobre um camelo, é válida, mas não se sobe a ela em Yom Tov. — Uma sucá construída no alto de uma árvore ou sobre um camelo também é válida, contanto que suas paredes e cobertura estejam devidamente montadas ali; mas os Sábios decretaram que não se suba a ela em Yom Tov, por receio de que, ao subir, a pessoa acabe arrancando galhos da árvore para uso — uma atividade proibida no dia sagrado.
Duas paredes na árvore e uma feita por mãos humanas, ou duas feitas por mãos humanas e uma na árvore, é válida, mas não se sobe a ela em Yom Tov. — Quando a maior parte das paredes depende da árvore, ainda que apenas uma seja feita por mãos humanas, a sucá é válida, mas subir a ela continua proibido em Yom Tov, pois a estrutura, no fim, ainda se apoia essencialmente na árvore.
Três feitas por mãos humanas e uma na árvore, é válida, e sobe-se a ela em Yom Tov. Esta é a regra: tudo o que, removida a árvore, consegue ficar de pé por si mesmo, é válido, e sobe-se a ela em Yom Tov. — Quando apenas uma parede depende da árvore e as outras três são independentes dela, a sucá se sustenta por si mesma mesmo sem a árvore — e por isso é permitido subir nela em Yom Tov, já que o uso da árvore, nesse caso, é apenas incidental, e não essencial à existência da sucá.
A mishná explora até onde o requisito de "habitar" na sucá tolera suportes incomuns — um veículo em movimento, uma árvore viva, um animal. Em todos os casos, a validade da sucá em si é ampla: basta que a estrutura, no momento em que se está sentado nela, tenha paredes e cobertura na forma exigida. Mas, quando a árvore está envolvida, entra em cena uma restrição adicional, própria do Yom Tov: o decreto rabínico contra o uso da árvore, que impede subir à sucá mesmo que ela seja perfeitamente válida — a menos que a estrutura já se sustente independentemente da árvore.
O Rambam explica a condição de estabilidade da sucá sobre o navio e situa a proibição de subir na árvore entre os decretos gerais de Yom Tov; Bartenura detalha como se constrói a sucá com duas paredes na árvore e uma em terra.
No topo do navio é válida, contanto que a sucá seja forte o bastante para não ser derrubada pelo vento comum na terra firme, sem necessidade extraordinária. E mais adiante se explicará que, entre as coisas proibidas em Yom Tov, está subir em árvore e montar sobre um animal.
"Duas na árvore" — apoiou a maior parte do piso da sucá na árvore, e fez ao redor, no topo da árvore, duas paredes, e uma fez por mãos humanas em terra, apoiando o piso da sucá no meio dessa parede terrestre e elevando-a a partir dali em dez palmos.
Bartenura explica por que se ensina primeiro a permissão de subir e depois a proibição, e o caso da parede única dependente da árvore; Rashi, na Guemará, esclarece os detalhes físicos de carroça, navio e árvore.
"E sobe-se a ela em Yom Tov" — como a mishná precisa ensinar depois "não se sobe", ensinou primeiro "sobe-se", por uma questão de estilo. "Ou duas feitas por mãos humanas e uma na árvore" — visto que, se a árvore fosse removida, o piso da sucá cairia, pois não consegue se sustentar apoiado apenas nas duas paredes terrestres, não se sobe a ela em Yom Tov, já que isso equivaleria a fazer uso da árvore.
"Mishná: quem faz sua sucá na proa da carroça" — ainda que ela seja móvel e não fixa. "E na proa do navio" — que é o ponto elevado do navio, e o mar é muito alto, sem montanhas ao redor, e o vento domina ali e a arranca; ainda assim válida, pois basta uma habitação temporária.
"No topo da árvore" — arrumou seu assento no alto dela, e fez ali as paredes e o sechach. "E não se sobe a ela em Yom Tov" — porque os Sábios decretaram que não se sobe em árvore e não se faz uso dela, por receio de que se arranque um galho.