Quem faz sua sucá entre as árvores, e as árvores são paredes para ela, é válida. — Quando alguém constrói sua sucá no espaço entre árvores, usando os próprios troncos como paredes — sem necessidade de erguer paredes adicionais —, a sucá é válida, contanto que as árvores sejam suficientemente grossas e firmes para não ceder a um vento comum, e que os espaços entre os galhos sejam preenchidos para que a parede seja contínua.
Enviados em missão de mitzvá estão isentos da sucá. — Quem está a caminho para cumprir uma mitzvá — como visitar seu mestre ou resgatar cativos — está isento de habitar na sucá durante essa viagem, pois quem está ocupado com uma mitzvá está isento de outra, e essa isenção vale mesmo quando a pessoa está momentaneamente parada, e não apenas enquanto se desloca.
Doentes e quem os assiste estão isentos da sucá. — Alguém que esteja enfermo — mesmo com um mal-estar relativamente leve — está isento de habitar na sucá, e o mesmo vale para quem cuida diretamente dele, já que a mitzvá da sucá exige que ela seja como uma habitação verdadeira, e não se pode exigir que alguém se agrave ou negligencie um doente para cumpri-la.
Come-se e bebe-se ocasionalmente fora da sucá. — Mesmo quem está plenamente obrigado à mitzvá pode comer ou beber, fora da sucá, uma pequena quantidade — o suficiente apenas para aplacar momentaneamente a fome ou a sede, sem que isso constitua uma refeição propriamente dita, cuja intenção seja saciar-se por completo.
O princípio de que "habitareis" na sucá deve ser entendido "como se aí morásseis" — teshevu k'ein taduru — atravessa toda esta mishná. A árvore que serve de parede é aceitável porque, na prática, ela cumpre a função de uma parede comum. Já as isenções — do enviado em missão, do doente e de seu cuidador — decorrem do mesmo princípio por via inversa: assim como alguém sairia de sua própria casa para cumprir uma mitzvá urgente ou por causa de doença, também pode sair da sucá nessas circunstâncias, pois exigir o contrário contradiria a própria ideia de que a sucá deve equivaler a uma habitação normal.
O Rambam detalha as duas condições para que as árvores sirvam de parede válida; Bartenura explica o alcance da isenção dos doentes e a medida da "achilat arai" permitida fora da sucá.
As árvores só servem de paredes sob duas condições: a primeira, que sejam suficientemente grossas e firmes para que o vento não as balance nem as incline ao chão, como ocorreria com galhos finos; a segunda, que se preencha o topo da árvore e entre os galhos com palha ou material semelhante, para que a parede se mantenha estável e o vento não a mova.
"Come-se e bebe-se ocasionalmente" — uma quantidade pequena, apenas para tirar a fome, com a intenção de fazer a refeição completa depois, dentro da sucá.
Bartenura explica por que mesmo um mal-estar leve isenta o doente e seu cuidador, e o princípio "k'ein taduru" por trás de todas as isenções; Rashi, na Guemará, esclarece a razão estrutural pela qual árvores frágeis não servem de parede.
"Doentes e quem os assiste estão isentos" — mesmo com uma doença qualquer, por menor que seja. E a razão é que está escrito "em sucot habitareis", entendido como "habitareis como se morásseis" — e sempre que há algo que faria a pessoa sair de sua própria casa, ela também pode sair de sua sucá por essa mesma razão.
"Mishná: quem faz sua sucá entre as árvores" — e as árvores são paredes para ela, é válida — e isso desde que as árvores sejam grossas e firmes, de modo que não se movam para lá e para cá com um vento comum. "Mishná: enviados em missão de mitzvá estão isentos" — pois quem está ocupado com uma mitzvá está isento de outra; e não apenas enquanto está de fato ocupado nela, mas mesmo quando não está — como quem vai receber seu mestre ou resgatar cativos — está isento mesmo no momento em que faz uma parada no caminho.