Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Bet · Mishná 4 de 9

Quem faz sua sucá entre as árvores

הָעוֹשֶׂה סֻכָּתוֹ בֵּין הָאִילָנוֹת
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Uma sucá construída entre árvores vivas, usando os próprios troncos como paredes, é válida — desde que sejam firmes o bastante para resistir a um vento comum. A partir daqui, a mishná passa das leis estruturais da sucá para as isenções da mitzvá.

Quem faz sua sucá entre as árvores, e as árvores são paredes para ela, é válida.Quando alguém constrói sua sucá no espaço entre árvores, usando os próprios troncos como paredes — sem necessidade de erguer paredes adicionais —, a sucá é válida, contanto que as árvores sejam suficientemente grossas e firmes para não ceder a um vento comum, e que os espaços entre os galhos sejam preenchidos para que a parede seja contínua.

Enviados em missão de mitzvá estão isentos da sucá.Quem está a caminho para cumprir uma mitzvá — como visitar seu mestre ou resgatar cativos — está isento de habitar na sucá durante essa viagem, pois quem está ocupado com uma mitzvá está isento de outra, e essa isenção vale mesmo quando a pessoa está momentaneamente parada, e não apenas enquanto se desloca.

הָעוֹשֶׂה סֻכָּתוֹ בֵּין הָאִילָנוֹת, וְהָאִילָנוֹת דְּפָנוֹת לָהּ, כְּשֵׁרָה. שְׁלוּחֵי מִצְוָה פְּטוּרִין מִן הַסֻּכָּה.
Doentes e quem os assiste também estão isentos, ainda que se trate de um mal-estar leve; e mesmo os obrigados podem comer e beber pequenas quantidades fora da sucá, contanto que a intenção seja apenas saciar a fome momentânea, e não fazer uma refeição completa.

Doentes e quem os assiste estão isentos da sucá.Alguém que esteja enfermo — mesmo com um mal-estar relativamente leve — está isento de habitar na sucá, e o mesmo vale para quem cuida diretamente dele, já que a mitzvá da sucá exige que ela seja como uma habitação verdadeira, e não se pode exigir que alguém se agrave ou negligencie um doente para cumpri-la.

Come-se e bebe-se ocasionalmente fora da sucá.Mesmo quem está plenamente obrigado à mitzvá pode comer ou beber, fora da sucá, uma pequena quantidade — o suficiente apenas para aplacar momentaneamente a fome ou a sede, sem que isso constitua uma refeição propriamente dita, cuja intenção seja saciar-se por completo.

חוֹלִין וּמְשַׁמְּשֵׁיהֶן פְּטוּרִין מִן הַסֻּכָּה. אוֹכְלִין וְשׁוֹתִין עֲרַאי חוּץ לַסֻּכָּה:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:42-43
בַּסֻּכֹּת תֵּשְׁבוּ שִׁבְעַת יָמִים... לְמַעַן יֵדְעוּ דֹרֹתֵיכֶם כִּי בַסֻּכּוֹת הוֹשַׁבְתִּי אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל.
Em sucot habitareis sete dias... para que saibam vossas gerações que em sucot fiz habitar os filhos de Israel.

O princípio de que "habitareis" na sucá deve ser entendido "como se aí morásseis" — teshevu k'ein taduru — atravessa toda esta mishná. A árvore que serve de parede é aceitável porque, na prática, ela cumpre a função de uma parede comum. Já as isenções — do enviado em missão, do doente e de seu cuidador — decorrem do mesmo princípio por via inversa: assim como alguém sairia de sua própria casa para cumprir uma mitzvá urgente ou por causa de doença, também pode sair da sucá nessas circunstâncias, pois exigir o contrário contradiria a própria ideia de que a sucá deve equivaler a uma habitação normal.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam detalha as duas condições para que as árvores sirvam de parede válida; Bartenura explica o alcance da isenção dos doentes e a medida da "achilat arai" permitida fora da sucá.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 2:4
הָאִילָנוֹת אֵין רְאוּיוֹת שֶׁיִּהְיוּ דְּפָנוֹת אֶלָּא בִּשְׁנֵי תְּנָאִים: הָאֶחָד שֶׁיִּהְיוּ אוֹתָם הָאִילָנוֹת בְּתַכְלִית הָעֹבִי וְהַחֹזֶק כְּדֵי שֶׁלֹּא תְּנִיעֵם הָרוּחַ וְיִטּוּ לָאָרֶץ, כַּאֲשֶׁר יִקְרֶה לָעֲנָפִים הַדַּקִּים. וְהַשֵּׁנִי שֶׁיִּמָּלֵא רֹאשׁ הָאִילָן וּבֵין הָעֲנָפִים בְּתֶבֶן וְכַיּוֹצֵא בּוֹ, כְּדֵי שֶׁתִּתְקַיֵּם וְלֹא יְנִיעֶנּוּ הָרוּחַ.

As árvores só servem de paredes sob duas condições: a primeira, que sejam suficientemente grossas e firmes para que o vento não as balance nem as incline ao chão, como ocorreria com galhos finos; a segunda, que se preencha o topo da árvore e entre os galhos com palha ou material semelhante, para que a parede se mantenha estável e o vento não a mova.

Bartenura · Sucá 2:4
אוֹכְלִים וְשׁוֹתִים עֲרַאי. דָּבָר מֻעָט לְהָסִיר רַעֲבוֹנוֹ, וְדַעְתּוֹ לִסְעֹד אַחַר כֵּן.

"Come-se e bebe-se ocasionalmente" — uma quantidade pequena, apenas para tirar a fome, com a intenção de fazer a refeição completa depois, dentro da sucá.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura explica por que mesmo um mal-estar leve isenta o doente e seu cuidador, e o princípio "k'ein taduru" por trás de todas as isenções; Rashi, na Guemará, esclarece a razão estrutural pela qual árvores frágeis não servem de parede.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 2:4
חוֹלִין וּמְשַׁמְּשֵׁיהֶן פְּטוּרִים. וַאֲפִלּוּ בְּחֹלִי כָּל דְּהוּ. וְטַעְמָא הָוֵי מִשּׁוּם דִּכְתִיב (ויקרא כג) בַּסֻּכּוֹת תֵּשְׁבוּ, כְּעֵין תָּדוּרוּ, וְכָל הֵיכָא דְּאִית לֵיהּ מִידֵי שֶׁמִּפְּנֵי אוֹתוֹ דָּבָר הָיָה יוֹצֵא מִדִּירָתוֹ, יָכוֹל נַמִּי לָצֵאת מִסֻּכָּתוֹ.

"Doentes e quem os assiste estão isentos" — mesmo com uma doença qualquer, por menor que seja. E a razão é que está escrito "em sucot habitareis", entendido como "habitareis como se morásseis" — e sempre que há algo que faria a pessoa sair de sua própria casa, ela também pode sair de sua sucá por essa mesma razão.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 24b-25a
מַתְנִי׳ הָעוֹשֶׂה סֻכָּתוֹ בֵּין הָאִילָנוֹת — וְהָאִילָנוֹת דְּפָנוֹת לָהּ כְּשֵׁרָה, וְהוּא שֶׁהָאִילָנוֹת עָבִים וַחֲזָקִים וְלֹא אָזְלֵי וְאָתוּ בְּרוּחַ מְצוּיָה. מַתְנִי׳ שְׁלוּחֵי מִצְוָה פְּטוּרִין — שֶׁהָעוֹסֵק בְּמִצְוָה פָּטוּר מִן הַמִּצְוָה, וְלֹא בִּלְבַד בְּשָׁעָה שֶׁעוֹסְקִין בָּהּ, אֶלָּא אֲפִלּוּ בְּשָׁעָה שֶׁאֵין עֲסוּקִים בָּהּ, כְּגוֹן הוֹלֵךְ לְהַקְבִּיל פְּנֵי רַבּוֹ אוֹ לְפִדְיוֹן שְׁבוּיִים, פָּטוּר אַף בִּשְׁעַת חֲנִיָּתוֹ.

"Mishná: quem faz sua sucá entre as árvores" — e as árvores são paredes para ela, é válida — e isso desde que as árvores sejam grossas e firmes, de modo que não se movam para lá e para cá com um vento comum. "Mishná: enviados em missão de mitzvá estão isentos" — pois quem está ocupado com uma mitzvá está isento de outra; e não apenas enquanto está de fato ocupado nela, mas mesmo quando não está — como quem vai receber seu mestre ou resgatar cativos — está isento mesmo no momento em que faz uma parada no caminho.