Houve um caso em que trouxeram a Rabán Yochanan ben Zakai um pouco de comida para provar, e a Rabán Gamliel duas tâmaras e um balde de água, e disseram: subam-nos à sucá. — Em uma ocasião, trouxeram a Rabán Yochanan ben Zakai uma pequena porção de guisado apenas para prová-la, e a Rabán Gamliel duas tâmaras e um balde de água — quantidades pequenas, do tipo que a mishná anterior classificaria como "achilat arai", permitida fora da sucá. Ainda assim, os presentes disseram: subam-nos à sucá — exigindo, por rigor voluntário, que mesmo essa pequena porção fosse consumida dentro dela.
E, quando deram a Rabi Tzadok comida menor que um ovo, ele a pegou num guardanapo e a comeu fora da sucá, e não fez a bênção posterior sobre ela. — Rabi Tzadok, ao receber uma porção ainda menor — inferior ao volume de um ovo, medida abaixo da qual nem sequer se recita a bênção posterior à refeição —, não se preocupou em levá-la à sucá; ele a envolveu num guardanapo, comeu-a do lado de fora, e dispensou a bênção, precisamente porque a quantidade era pequena demais para constituir sequer uma refeição que a exigisse.
Os dois relatos desta mishná ilustram, em direções opostas, a mesma lei da mishná anterior sobre a "achilat arai" fora da sucá. No caso de Rabán Yochanan ben Zakai e Rabán Gamliel, os presentes exigem — não por exigência estrita da lei, mas por rigor pessoal — que até mesmo uma pequena porção seja levada à sucá, ensinando que quem se exige mais do que a lei exige é digno de louvor. No caso de Rabi Tzadok, o próprio sábio ilustra o limite oposto: a comida era tão pequena que não constituía sequer uma refeição, e por isso ele nem se preocupou em subir com ela nem recitou a bênção posterior, reservada às refeições de tamanho mínimo estabelecido.
O Rambam explica o valor exemplar do rigor voluntário e a medida de "achilat arai"; Bartenura detalha a razão pela qual Rabi Tzadok usou um guardanapo, ligada às leis de lavagem das mãos.
E "achilat arai" é quando a pessoa come uma quantidade pequena, sem a intenção de que seja uma refeição, mas apenas para aplacar o desejo até terminar sua refeição de fato depois. E este relato foi trazido para te ensinar que quem se exige a si mesmo, e não come nem bebe nada fora da sucá, é digno de louvor, ainda que não haja obrigação nisso.
"Comida menor que um ovo, ele a pegou num guardanapo" — para não precisar lavar as mãos, e para não precisar fazer a bênção posterior, ele pegou uma porção menor que um ovo; pois, quanto à sucá em si, já dissemos que se pode comer achilat arai fora dela mesmo em quantidade maior que um ovo.
Bartenura explica o valor de quem se exige além do estritamente obrigatório; Rashi, na Guemará, discute se o relato vem para ensinar rigor ou para descrever a prática comum dos sábios.
"E disseram: subam-nos à sucá" — e não por exigência estrita da lei, mas porque foram rigorosos consigo mesmos. E aprendemos daí que quem é rigoroso consigo mesmo, a ponto de não comer nem mesmo achilat arai fora da sucá, é digno de louvor.
"Mishná" — de passagem, já que a mishná anterior tratava do assunto de comer na sucá, esta mishná relata o caso: "houve um caso em que trouxeram a Rabán Yochanan ben Zakai um pouco de comida para provar" — ensinando, por meio do relato, o valor de quem se exige além do estritamente obrigatório.