Rabi Eliezer diz: catorze refeições é obrigado o homem a comer na sucá, uma de dia e uma de noite. — Segundo Rabi Eliezer, a pessoa deve comer na sucá exatamente catorze refeições ao longo dos sete dias da festa — uma durante o dia e outra durante a noite de cada dia —, entendendo que o versículo "em sucot habitareis" exige um uso da sucá equivalente ao uso normal e diário de uma casa.
E os Sábios dizem: não há medida fixa para a coisa, exceto a noite do primeiro dia da festa apenas. — Os Sábios discordam, entendendo que não existe um número obrigatório de refeições — a pessoa pode comer tanto ou tão pouco quanto quiser, contanto que tudo o que coma seja dentro da sucá —, com a única exceção da primeira noite da festa, quando há uma obrigação específica de comer ao menos uma refeição com pão na sucá.
E ainda disse Rabi Eliezer: quem não comeu na noite do primeiro dia da festa, deve repor na noite do último dia da festa. — Rabi Eliezer acrescenta que, se alguém deixou de cumprir a refeição obrigatória da primeira noite, ele pode — e deve — compensar essa falta comendo uma refeição equivalente na última noite da festa, tratando as duas noites como extremos que se equivalem para efeito dessa obrigação específica.
E os Sábios dizem: não há reposição para a coisa; sobre isso foi dito: "o que é torto não se pode endireitar, e o que falta não se pode contar." — Os Sábios rejeitam completamente a possibilidade de reposição: a obrigação da primeira noite, uma vez perdida, não pode ser recuperada em nenhum outro momento — e citam o versículo de Kohelet como fundamento poético para a ideia de que uma oportunidade perdida em seu tempo próprio não se restitui depois.
A disputa sobre o número de refeições decorre de uma analogia entre "sete dias" da sucá e "sete dias" da matzá em Pêssach. Os Sábios comparam as duas festas: assim como comer matzá é obrigatório apenas na primeira noite de Pêssach, sendo as demais refeições facultativas, também na sucá apenas a primeira noite traz obrigação fixa. Rabi Eliezer, por sua vez, lê o mandamento de "habitar" na sucá de modo mais amplo, exigindo um padrão constante de uso ao longo de toda a semana — o que leva à contagem precisa de catorze refeições e à possibilidade de repor a que faltou.
O Rambam explica a analogia entre a sucá e a matzá de Pêssach, e que a halachá não segue Rabi Eliezer em nenhuma das duas opiniões; Bartenura detalha a mesma derivação por meio da regra dos "quinze de quinze".
E os Sábios derivam o dia quinze de Tishrei do dia quinze de Nissan: assim como comer matzá é mitzvá apenas na primeira noite, e depois, se quiser comer, jejuar ou comer frutas, a escolha é livre, como explicamos em seu lugar — assim também em Sucot. E a halachá não é como Rabi Eliezer.
"Exceto a noite do primeiro Yom Tov" — pois derivamos "quinze" de "quinze" a partir da festa das matzot: assim como comer matzá na primeira noite é obrigação, e daí em diante é facultativo, também a sucá segue essa mesma regra.
Bartenura explica onde ocorre a reposição segundo Rabi Eliezer e por que a halachá rejeita ambas as suas opiniões; Rashi, na Guemará, situa a razão da disputa sobre o número de refeições.
"Catorze refeições" — duas refeições por dia, ao longo dos sete dias. "Não há medida fixa" — se quiser comer, que não coma fora da sucá; se quiser jejuar, que jejue, e ninguém o obriga a comer. "Reponha na noite do último Yom Tov" — na noite de Shemini Atzeret. E a halachá não é como Rabi Eliezer em nenhuma das duas opiniões.
"Mishná: Rabi Eliezer diz catorze refeições é obrigado o homem a comer na sucá" — qual é a razão de Rabi Eliezer? Explica-se na Guemará: deriva-se por uma analogia verbal de "sete dias" e "sete dias" da oferenda de Chagigá, que exige uma refeição a cada dia.