Quem tinha a cabeça e a maior parte do corpo na sucá, e sua mesa dentro de casa, Bet Shamai invalida, e Bet Hilel valida. — Quando alguém se senta de tal modo que sua cabeça e a maior parte de seu corpo estão dentro da sucá, mas a mesa sobre a qual come permanece dentro de casa, Bet Shamai considera que ele não cumpriu a mitzvá — pois entende que a refeição, incluindo a mesa, deve estar inteiramente dentro da sucá —, enquanto Bet Hilel valida, considerando suficiente que a maior parte do corpo da pessoa esteja sob a cobertura.
Disseram-lhes Bet Hilel a Bet Shamai: não foi assim o caso, que foram os anciãos de Bet Shamai e os anciãos de Bet Hilel visitar Rabi Yochanan ben HaChoranit, e o encontraram sentado com a cabeça e a maior parte do corpo na sucá e sua mesa dentro de casa, e não lhe disseram nada? — Bet Hilel apresenta um precedente concreto: os próprios anciãos de ambas as escolas visitaram Rabi Yochanan ben HaChoranit e o encontraram nessa exata situação — cabeça e maior parte do corpo na sucá, mesa em casa — sem que ninguém, incluindo os anciãos de Bet Shamai, tivesse objetado, o que seria uma prova silenciosa de que a prática é válida.
Disseram-lhes Bet Shamai: dali há prova? Eles também lhe disseram: se assim costumavas agir, nunca cumpriste a mitzvá da sucá em teus dias! — Bet Shamai rejeita a suposta prova, afirmando que o silêncio dos anciãos não implica aprovação; pelo contrário, relatam que, na mesma visita, os anciãos efetivamente repreenderam Rabi Yochanan ben HaChoranit, dizendo-lhe que, se esse era seu costume habitual, ele jamais havia cumprido a mitzvá da sucá em toda a sua vida.
A disputa sobre a mesa fora da sucá é, mais uma vez, uma disputa sobre o que conta como "habitar" — teshevu — dentro dela. Bet Shamai entende que uma refeição cuja mesa está fora da sucá não é, propriamente, uma refeição "na" sucá, ainda que o corpo da pessoa esteja majoritariamente lá dentro. Bet Hilel entende que a presença física da maior parte do corpo já satisfaz o requisito, mesmo que o objeto de onde se come esteja tecnicamente do lado de fora — e o episódio de Rabi Yochanan ben HaChoranit, embora usado por ambos os lados, mostra como um mesmo relato histórico podia ser lido de maneiras opostas pelas duas escolas.
O Rambam e Bartenura concordam que a halachá segue Bet Shamai neste caso — uma das raras exceções em que a lei não segue Bet Hilel —, e Bartenura explica o alcance da invalidação, tanto em sucá grande quanto pequena.
E a halachá é como Bet Shamai — uma das exceções nas quais a lei não segue a opinião de Bet Hilel.
"Bet Shamai invalida" — e a halachá é como Bet Shamai, seja numa sucá grande, quando a pessoa senta-se na entrada da sucá com a mesa dentro de casa, seja numa sucá pequena que não comporta sua cabeça, a maior parte de seu corpo e sua mesa — em ambos os casos é proibido, por decreto, para que a pessoa não acabe se deixando atrair para dentro de casa, atrás de sua mesa.
Bartenura explica o motivo do decreto — o receio de ser atraído para dentro de casa —; Rashi, na Guemará, contextualiza o relato da visita a Rabi Yochanan ben HaChoranit e a dupla leitura do mesmo episódio.
"Bet Shamai invalida" — por decreto, receando que a pessoa se deixe atrair para o interior da casa, atrás de sua mesa, e acabe comendo ali por completo, fora da sucá.
"Mishná: quem tinha a cabeça e a maior parte do corpo na sucá" — e sua mesa dentro de casa, Bet Shamai invalida e Bet Hilel valida. "Disseram-lhes Bet Hilel" — o caso de Rabi Yochanan ben HaChoranit é trazido para provar, a partir do silêncio dos anciãos, que a prática é válida; e Bet Shamai rejeita essa prova, trazendo do mesmo caso uma prova inversa — que os anciãos lhe disseram que, se esse era seu costume, ele nunca havia cumprido a mitzvá da sucá.