Todos os sete dias, o homem faz de sua sucá residência fixa e de sua casa residência ocasional. — Ao longo de toda a semana da festa, a pessoa deve tratar sua sucá como se fosse sua habitação principal e permanente — levando para lá seus utensílios e roupas de cama mais bonitos, e cuidando de sua aparência — enquanto sua casa comum passa a ocupar, nesse período, o papel secundário que a sucá normalmente ocupa no resto do ano.
Se choveu, a partir de quando é permitido esvaziar? A partir do momento em que o guisado azeda. — Quando chove sobre a sucá a ponto de torná-la desconfortável, a pessoa está isenta de permanecer nela — e o momento exato a partir do qual é permitido deixá-la e voltar para dentro de casa é definido pela imagem de um guisado que, exposto à chuva, começaria a se estragar: quando a chuva é intensa o bastante para arruinar até um prato de comida, ela também torna a sucá inabitável.
Fizeram uma parábola: a que se compara a coisa? A um servo que veio misturar uma taça para seu senhor, e ele derramou um jarro sobre seu rosto. — Os Sábios comparam a chuva que interrompe a habitação na sucá a um servo que se aproxima de seu senhor para servi-lo — misturando vinho e água numa taça, como era costume —, e o senhor, em vez de aceitar o serviço, derrama a água do jarro sobre o próprio rosto do servo, num gesto que expressa rejeição e desagrado. Assim também a chuva, quando interrompe a habitação na sucá, é entendida pelos Sábios como um sinal de que a oferta daquele serviço, naquele momento, não foi bem recebida.
Esta última mishná do perek formula, de modo explícito, o princípio geral por trás de quase todas as leis discutidas até aqui: "teshevu k'ein taduru" — habitareis como se aí morásseis. Ela fecha o círculo aberto na primeira mishná do perek, sobre dormir debaixo da cama: se a sucá deve ser tratada como residência fixa e principal, então tudo o que se faz numa casa de verdade — comer, dormir, guardar os pertences mais valiosos — deve, na medida do possível, ser feito na sucá. E, assim como alguém sairia de uma casa que se tornou desconfortável por causa de infiltração de chuva, também é permitido sair da sucá quando a chuva a torna igualmente inabitável.
O Rambam detalha o que significa, na prática, tornar a sucá residência "kevah", e explica o sentido da imagem do guisado que azeda; Bartenura acrescenta o horário exato de "mishetisrach hamikpah" e o sentido da parábola final.
O sentido de "kevah" (residência fixa) é o essencial e o pilar disto: que a pessoa leve para a sucá seus utensílios mais bonitos, arrume-os com o melhor arranjo que tiver, esforce-se por embelezá-la, coma, beba e durma nela, e trate sua casa comum como um mero depósito de uso, e a sucá como sua verdadeira residência.
"A partir de quando o guisado azeda" — a partir de quando o mikpá se estraga. Todo prato que não é nem líquido nem sólido, mas espesso e coeso, chama-se mikpá; e a maioria das pessoas rejeita esse tipo de prato quando um pouco de água cai sobre ele, pois se estraga por completo.
Bartenura explica o sentido moral da parábola do servo, e por que a chuva em Sucot é lida como sinal de desagrado; Rashi, na Guemará, situa a baraita que amplia esta mishná e detalha o significado do termo "mikpá de grissin".
"E derramou sobre ele" — seu senhor, o jarro sobre o rosto do servo, como quem diz: não desejo teu serviço. Também aqui, essas chuvas mostram que o Santo, bendito seja, não recebeu com agrado o serviço que estava sendo oferecido.
"Mishná: todos os sete dias, o homem faz de sua sucá residência fixa" — ensinaram os Sábios: todos os sete dias, o homem faz de sua sucá residência fixa e de sua casa residência ocasional. Como assim? Se tinha utensílios bonitos, leva-os para a sucá; roupas de cama bonitas, leva-as para a sucá; come, bebe e passeia na sucá — pois assim se cumpre plenamente "habitareis como se morásseis".