Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Guimel · Mishná 1 de 15 (primeira do perek)

O lulav roubado ou seco é inválido

לוּלָב הַגָּזוּל וְהַיָּבֵשׁ, פָּסוּל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Abre o Perek Guimel, dedicado às quatro espécies do lulav (palma, hadassim, aravot e etrog): a lista dos defeitos que invalidam o próprio lulav — origem ilícita, secura, folhas rompidas ou faltantes — e a medida mínima exigida para que possa ser agitado.

O lulav roubado ou seco é inválido.Um lulav obtido por roubo, ou que esteja completamente seco, não serve para cumprir o preceito, pois um preceito realizado por meio de uma transgressão não é considerado preceito, e a secura tira do lulav a beleza exigida pela Torá.

O de árvore idólatra ou de cidade destruída é inválido.Um lulav retirado de uma asherá (árvore que foi objeto de culto idólatra) ou de uma ir hanidachat (cidade condenada à destruição por idolatria, cujos bens estão destinados à queima) também é inválido — pois, sendo destinado à queima, não tem a permanência de posse necessária para servir de medida.

Se sua ponta foi cortada, ou suas folhas se romperam, é inválido; se suas folhas se separaram, é válido. Rabi Yehudá diz: deve amarrá-lo por cima.Se o topo do lulav foi cortado, ou se suas folhas se romperam de modo a não estarem mais presas ao caule, ele é inválido, por lhe faltar a beleza exigida. Mas se as folhas apenas se separaram umas das outras — permanecendo presas ao caule, porém abertas como os galhos de uma árvore — o lulav continua válido. Rabi Yehudá opina que, nesse caso, deve-se amarrar o lulav por cima, para que as folhas voltem a subir junto ao caule como nos demais lulavim.

Os lulavim de Tzinei Har HaBarzel são válidos. Todo lulav que tenha três palmos, suficiente para agitá-lo, é válido.Os lulavim que crescem nas palmeiras de Tzinei Har HaBarzel (cujas folhas são muito curtas e não sobem ao longo de todo o caule) são igualmente válidos. E, em geral, todo lulav cuja medida seja de ao menos três palmos — suficiente para que se possa agitá-lo com a mão — é válido.

לוּלָב הַגָּזוּל וְהַיָּבֵשׁ, פָּסוּל. שֶׁל אֲשֵׁרָה וְשֶׁל עִיר הַנִּדַּחַת, פָּסוּל. נִקְטַם רֹאשׁוֹ, נִפְרְצוּ עָלָיו, פָּסוּל. נִפְרְדוּ עָלָיו, כָּשֵׁר. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, יֶאֱגְדֶנּוּ מִלְמָעְלָה. צִנֵּי הַר הַבַּרְזֶל, כְּשֵׁרוֹת. לוּלָב שֶׁיֶּשׁ בּוֹ שְׁלֹשָׁה טְפָחִים כְּדֵי לְנַעְנֵעַ בּוֹ, כָּשֵׁר:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Vayicrá 23:40
וּלְקַחְתֶּם לָכֶם בַּיּוֹם הָרִאשׁוֹן פְּרִי עֵץ הָדָר כַּפֹּת תְּמָרִים וַעֲנַף עֵץ עָבֹת וְעַרְבֵי נָחַל, וּשְׂמַחְתֶּם לִפְנֵי ה' אֱלֹהֵיכֶם שִׁבְעַת יָמִים.
E tomareis para vós, no primeiro dia, fruto de árvore formosa, ramos de tamareiras, e ramo de árvore frondosa, e salgueiros do ribeiro; e vos alegrareis diante do Senhor vosso Deus por sete dias.

Esta mishná abre o Perek Guimel, que passa a tratar das quatro espécies mencionadas no versículo de Vayicrá 23:40: o lulav (a palma), o hadas (a murta), a aravá (o salgueiro) e o etrog (o "fruto de árvore formosa"). A frase "וּלְקַחְתֶּם לָכֶם" — "e tomareis para vós" — é a base para exigir que as espécies pertençam legitimamente a quem as usa: um lulav roubado não é "seu" no sentido exigido pelo versículo, e por isso é inválido mesmo depois que o dono original desiste de recuperá-lo. Já a exigência de que o fruto e os ramos sejam "הָדָר" — formosos, com beleza — é a base para invalidar tudo o que é seco, quebrado ou defeituoso: a mitzvá deve ser cumprida com objetos em seu estado de plenitude e beleza.

Halachot · הֲלָכוֹת

O Rambam explica por que um preceito cumprido por transgressão não é preceito, e detalha a medida mínima do lulav; Bartenura detalha cada uma das causas de invalidação, uma a uma.

Rambam · Perush HaMishná, Sucá 3:1
מִצְוָה הַבָּאָה בַּעֲבֵרָה אֵינָהּ מִצְוָה, וּלְפִיכָךְ לוּלָב הַגָּזוּל וְשֶׁל אֲשֵׁרָה וְשֶׁל עִיר הַנִּדַּחַת פָּסוּל. וְאָמַר שְׁלֹשָׁה טְפָחִים כְּדֵי לְנַעְנֵעַ אוֹתָם, רְצוֹנוֹ בּוֹ כְּדֵי שֶׁיֹּאחֲזֶנּוּ בְּיָדוֹ וִינַעְנְעֶנּוּ, וְהוּא שִׁעוּר טֶפַח. וּמִן הַחִיּוּב שֶׁלֹּא יִהְיֶה הַלּוּלָב פָּחוֹת מֵאַרְבָּעָה טְפָחִים.

Um preceito cumprido por meio de uma transgressão não é considerado preceito — por isso o lulav roubado, o de árvore idólatra e o de cidade destruída são inválidos. E quanto à medida de três palmos "para agitá-lo", sua intenção é que se possa segurá-lo na mão e agitá-lo, sendo essa a medida de um palmo adicional; e por obrigação, o lulav todo não deve ter menos de quatro palmos.

Bartenura · Sucá 3:1
לוּלָב הַגָּזוּל פָּסוּל. דִּכְתִיב וּלְקַחְתֶּם לָכֶם, מִשֶּׁלָּכֶם. וְהַיָּבֵשׁ פָּסוּל. דִּבְכֻלְּהוּ בָּעִינַן הָדָר וְלֵיכָּא. שֶׁל אֲשֵׁרָה. אִילָן הַנֶּעֱבָד. וְשֶׁל עִיר הַנִּדַּחַת פָּסוּל. דְּלִשְׂרֵפָה קָאֵי, וְלוּלָב בָּעֵי שִׁעוּר, וְהָנֵי כֵּיוָן דְּלִשְׂרֵפָה קַיְמֵי אֵין שִׁעוּרָן קַיָּם. נִקְטַם רֹאשׁוֹ פָּסוּל. דְּלֹא הָוֵי הָדָר.

"O lulav roubado é inválido" — pois está escrito "e tomareis para vós", isto é, do que é vosso. "E o seco é inválido" — pois em todas as espécies exige-se beleza (hadar), e essa lhe falta. "De árvore idólatra" — árvore que foi objeto de culto. "E de cidade destruída é inválido" — pois está destinado à queima, e o lulav precisa manter uma medida constante, o que não ocorre com o que está destinado a ser queimado. "Sua ponta foi cortada, é inválido" — pois não tem mais a beleza exigida.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Bartenura completa a explicação das folhas rompidas e separadas, e do lulav de Tzinei Har HaBarzel; Rashi, na Guemará, situa a discussão sobre a diferença entre o primeiro dia da festa e os demais.

Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Sucá 3:1
נִפְרְצוּ עָלָיו. וְאֵינָן מְחֻבָּרִין אֶלָּא עַל יְדֵי אֲגִידָה. נִפְרְדוּ עָלָיו. מְחֻבָּרִים הֵן בַּשִּׁדְרָה, אֶלָּא שֶׁלְּמַעְלָה הֵן נִפְרָדִין לְכָאן וּלְכָאן כְּעַנְפֵי אִילָן. יֶאֱגְדֶנּוּ מִלְמָעְלָה. אִם נִפְרְדוּ עָלָיו יְאַגְּדֵם שֶׁיִּהְיוּ עוֹלִים עִם הַשִּׁדְרָה כִּשְׁאָר לוּלָבִים. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי יְהוּדָה. צִנֵּי הַר הַבַּרְזֶל. יֵשׁ דְּקָלִים שֶׁלּוּלָבִין שֶׁלָּהֶן עֲלֵיהֶן קְצָרִים מְאֹד וְאֵין עוֹלִין עַל אֹרֶךְ הַשִּׁדְרָה.

"Suas folhas se romperam" — e não estão mais presas senão por meio de amarração. "Suas folhas se separaram" — permanecem presas no caule, mas por cima se separam para um lado e para outro, como os galhos de uma árvore. "Deve amarrá-lo por cima" — se suas folhas se separaram, deve amarrá-las para que subam junto ao caule como os demais lulavim; e a lei não segue Rabi Yehudá. "Tzinei Har HaBarzel" — há palmeiras cujos lulavim têm folhas muito curtas, que não sobem ao longo do caule.

Rashi · רַשִׁ״י
Comentário à Guemará, Sucá 29b
מַתְנִי׳ לוּלָב הַגָּזוּל — לוּלָב כַּף שֶׁל תְּמָרִים, וְהַדַּר תָּנֵי הֲדַס וַעֲרָבָה בְּאַפֵּי נַפְשַׁיְיהוּ. גָּזוּל — פָּסוּל, וּלְקַחְתֶּם לָכֶם כְּתִיב, מִשֶּׁלָּכֶם. יָבֵשׁ — דְּבָעֵינַן מִצְוָה מְהֻדֶּרֶת, דִּכְתִיב וְאַנְוֵהוּ.

"Mishná: o lulav roubado" — lulav é a folha da tamareira, e a seguir a mishná ensina hadas e aravá cada um por si. "Roubado" — inválido, pois está escrito "e tomareis para vós", isto é, do que é vosso. "Seco" — pois se exige um preceito embelezado, como está escrito "e o glorificarei" (Shemot 15:2).