O lulav roubado ou seco é inválido. — Um lulav obtido por roubo, ou que esteja completamente seco, não serve para cumprir o preceito, pois um preceito realizado por meio de uma transgressão não é considerado preceito, e a secura tira do lulav a beleza exigida pela Torá.
O de árvore idólatra ou de cidade destruída é inválido. — Um lulav retirado de uma asherá (árvore que foi objeto de culto idólatra) ou de uma ir hanidachat (cidade condenada à destruição por idolatria, cujos bens estão destinados à queima) também é inválido — pois, sendo destinado à queima, não tem a permanência de posse necessária para servir de medida.
Se sua ponta foi cortada, ou suas folhas se romperam, é inválido; se suas folhas se separaram, é válido. Rabi Yehudá diz: deve amarrá-lo por cima. — Se o topo do lulav foi cortado, ou se suas folhas se romperam de modo a não estarem mais presas ao caule, ele é inválido, por lhe faltar a beleza exigida. Mas se as folhas apenas se separaram umas das outras — permanecendo presas ao caule, porém abertas como os galhos de uma árvore — o lulav continua válido. Rabi Yehudá opina que, nesse caso, deve-se amarrar o lulav por cima, para que as folhas voltem a subir junto ao caule como nos demais lulavim.
Os lulavim de Tzinei Har HaBarzel são válidos. Todo lulav que tenha três palmos, suficiente para agitá-lo, é válido. — Os lulavim que crescem nas palmeiras de Tzinei Har HaBarzel (cujas folhas são muito curtas e não sobem ao longo de todo o caule) são igualmente válidos. E, em geral, todo lulav cuja medida seja de ao menos três palmos — suficiente para que se possa agitá-lo com a mão — é válido.
Esta mishná abre o Perek Guimel, que passa a tratar das quatro espécies mencionadas no versículo de Vayicrá 23:40: o lulav (a palma), o hadas (a murta), a aravá (o salgueiro) e o etrog (o "fruto de árvore formosa"). A frase "וּלְקַחְתֶּם לָכֶם" — "e tomareis para vós" — é a base para exigir que as espécies pertençam legitimamente a quem as usa: um lulav roubado não é "seu" no sentido exigido pelo versículo, e por isso é inválido mesmo depois que o dono original desiste de recuperá-lo. Já a exigência de que o fruto e os ramos sejam "הָדָר" — formosos, com beleza — é a base para invalidar tudo o que é seco, quebrado ou defeituoso: a mitzvá deve ser cumprida com objetos em seu estado de plenitude e beleza.
O Rambam explica por que um preceito cumprido por transgressão não é preceito, e detalha a medida mínima do lulav; Bartenura detalha cada uma das causas de invalidação, uma a uma.
Um preceito cumprido por meio de uma transgressão não é considerado preceito — por isso o lulav roubado, o de árvore idólatra e o de cidade destruída são inválidos. E quanto à medida de três palmos "para agitá-lo", sua intenção é que se possa segurá-lo na mão e agitá-lo, sendo essa a medida de um palmo adicional; e por obrigação, o lulav todo não deve ter menos de quatro palmos.
"O lulav roubado é inválido" — pois está escrito "e tomareis para vós", isto é, do que é vosso. "E o seco é inválido" — pois em todas as espécies exige-se beleza (hadar), e essa lhe falta. "De árvore idólatra" — árvore que foi objeto de culto. "E de cidade destruída é inválido" — pois está destinado à queima, e o lulav precisa manter uma medida constante, o que não ocorre com o que está destinado a ser queimado. "Sua ponta foi cortada, é inválido" — pois não tem mais a beleza exigida.
Bartenura completa a explicação das folhas rompidas e separadas, e do lulav de Tzinei Har HaBarzel; Rashi, na Guemará, situa a discussão sobre a diferença entre o primeiro dia da festa e os demais.
"Suas folhas se romperam" — e não estão mais presas senão por meio de amarração. "Suas folhas se separaram" — permanecem presas no caule, mas por cima se separam para um lado e para outro, como os galhos de uma árvore. "Deve amarrá-lo por cima" — se suas folhas se separaram, deve amarrá-las para que subam junto ao caule como os demais lulavim; e a lei não segue Rabi Yehudá. "Tzinei Har HaBarzel" — há palmeiras cujos lulavim têm folhas muito curtas, que não sobem ao longo do caule.
"Mishná: o lulav roubado" — lulav é a folha da tamareira, e a seguir a mishná ensina hadas e aravá cada um por si. "Roubado" — inválido, pois está escrito "e tomareis para vós", isto é, do que é vosso. "Seco" — pois se exige um preceito embelezado, como está escrito "e o glorificarei" (Shemot 15:2).