Os piedosos e homens de ação dançavam diante deles com tochas de fogo em suas mãos, e diziam diante deles palavras de cânticos e louvores. E os levitas, com liras, harpas, címbalos, trombetas e instrumentos musicais sem número, sobre os quinze degraus que desciam do Pátio de Israel ao Pátio das Mulheres, correspondentes aos quinze Cânticos dos Degraus dos Tehilim, sobre os quais os levitas se punham com instrumentos musicais e diziam cântico. — Os chassidim e homens de virtude notória dançavam com tochas acesas diante da multidão, entoando cânticos de louvor; enquanto isso, os levitas, munidos de diversos instrumentos musicais, posicionavam-se nos quinze degraus que ligavam os dois pátios do Templo — em correspondência simbólica com os quinze salmos "Shir HaMaalot" ("Cântico dos Degraus") do livro de Tehilim.
E dois sacerdotes se punham no portão superior que desce do Pátio de Israel ao Pátio das Mulheres, com duas trombetas em suas mãos. Cantou o galo: tocaram tekiá, teruá e tekiá. — Ao cantar o galo, anunciando o amanhecer, dois sacerdotes posicionados no portão superior soavam as trombetas em sinal.
Chegaram ao décimo degrau: tocaram tekiá, teruá e tekiá. Chegaram ao pátio: tocaram tekiá, teruá e tekiá. Iam tocando até chegar ao portão que sai a leste. — À medida que a procissão avançava, marcavam-se sucessivos toques até chegar ao portão oriental do complexo do Templo.
Chegando ao portão que sai a leste, viravam seus rostos para o ocidente e diziam: nossos pais, que estiveram neste lugar, davam as costas ao Santuário do Senhor e seus rostos para o oriente, e se prostravam ao sol para o oriente — e nós, para D-us são nossos olhos. Rabi Yehudá diz: repetiam e diziam: nós somos para D-us, e para D-us são nossos olhos. — Ao chegar ao portão leste, os participantes se voltavam deliberadamente para o ocidente — em direção ao Santo dos Santos — declarando sua fidelidade ao contrário do que fizeram idólatras de gerações passadas, mencionados pelo profeta Yechezkel, que davam as costas ao Templo para adorar o sol.
A fórmula recitada nesta mishná cita quase textualmente a visão do profeta Yechezkel, que repreendeu os homens de sua geração por darem as costas ao Templo para adorar o sol nascente. Ao se voltarem deliberadamente para o ocidente — em direção ao Santo dos Santos, e portanto de costas para o sol nascente — os participantes da celebração declaravam publicamente, através dessa inversão de postura, sua absoluta fidelidade a D-us, em contraste consciente com a idolatria denunciada pelo profeta.
Bartenura detalha o conteúdo dos cânticos entoados pelos piedosos, distinguindo duas fórmulas conforme a idade e a trajetória de vida de cada participante, e identifica o propósito de cada toque de trombeta na procissão.
"Palavras de cânticos e louvores" — havia entre eles os que diziam: "Louvada nossa juventude, que não envergonhou nossa velhice" — estes eram os piedosos e homens de virtude. E havia os que diziam: "Louvada nossa velhice, que expiou nossa juventude" — estes eram os penitentes. E uns e outros diziam: "Louvado aquele que não pecou; e aquele que pecou e lhe foi perdoado". "Tocaram tekiá, teruá e tekiá" — este era o sinal para ir e encher água para a libação, do Shilôach.
O Rambam explica a fórmula abreviada "para D-us são nossos olhos", detalhando seu sentido pleno; Rashi, na Guemará, descreve a técnica das tochas jogadas ao ar pelos piedosos durante a dança.
Disseram "nós somos para D-us, e para D-us são nossos olhos" — abreviando a expressão; sendo o sentido completo: "nós nos prostramos diante de D-us, e nossos olhos aguardam esperançosos por D-us".
"Com tochas de fogo" — jogavam-nas para cima e as recebiam de volta; e havia quem soubesse fazer isso com quatro tochas, ou até com oito, jogando uma e recebendo outra, jogando esta e recebendo aquela.