Não se toca menos de vinte e uma vezes no Templo, e não se acrescenta além de quarenta e oito. — Esses eram os limites mínimo e máximo do número de toques de trombeta ouvidos diariamente no Templo, variando conforme as circunstâncias do dia.
Todo dia havia vinte e uma tocadas no Templo: três para a abertura dos portões, nove para o tamid da manhã, e nove para o tamid da tarde. E nas oferendas adicionais, acrescentavam-se mais nove. — Em qualquer dia comum, contavam-se vinte e um toques: três ao abrir os portões do pátio pela manhã, nove durante a oferenda diária matinal (tamid), e nove durante a vespertina; em dias com oferenda adicional (Rosh Chodesh, festas), acrescentavam-se mais nove toques.
E na véspera de Shabat acrescentavam-se mais seis: três para suspender o povo do trabalho, e três para separar entre o sagrado e o comum. — Na sexta-feira, seis toques adicionais anunciavam a chegada do Shabat: três para que o povo interrompesse suas atividades, e três marcando o início efetivo do dia sagrado.
Na véspera de Shabat que caía dentro da festa, havia ali quarenta e oito: três para a abertura dos portões, três para o portão superior, e três para o portão inferior, e três para o enchimento da água, e três sobre o altar, nove para o tamid da manhã, e nove para o da tarde, e nove para as oferendas adicionais, três para suspender o povo do trabalho, e três para separar entre o sagrado e o comum. — Quando um dia de Shabat coincidia com a festa de Sucot — dia em que se somavam a cerimônia da aravá, a procissão da água e as demais tocadas já descritas nas mishnayot anteriores — o total de toques chegava a quarenta e oito, o máximo possível.
A obrigação de tocar trombetas sobre as oferendas — base bíblica da prática detalhada nesta mishná — está explícita neste versículo, referindo-se tanto às oferendas diárias quanto às dos dias de festa. A Guemará (Sucá 53b-54a) discute a fonte exata do número mínimo de vinte e um toques, derivando-o por comparação com os toques do próprio Rosh Hashaná, e explica que o número máximo de quarenta e oito ocorria justamente quando a maior quantidade possível de rituais — abertura dos portões, procissão da água, aravá e oferendas adicionais — se acumulava num único dia de véspera de Shabat durante a festa de Sucot.
Bartenura detalha, toque por toque, a que cada grupo de três tocadas correspondia; o Rambam observa que, em circunstâncias excepcionais — véspera de Pêssach caindo em Shabat —, o número podia superar mesmo o máximo de quarenta e oito indicado nesta mishná.
"Três para a abertura dos portões" — ao abrir os portões do pátio, tocavam tekiá, teruá e tekiá. "E nove para o tamid da manhã" — enquanto se faziam as libações da oferenda diária, os levitas cantavam, com três pausas; e a cada pausa, os sacerdotes tocavam três toques. "Para suspender o povo do trabalho" — o primeiro toque suspendia os que estavam nos campos, o segundo fazia fechar as lojas, o terceiro acendia as velas. "E três para separar entre o sagrado e o comum" — depois dos primeiros toques, esperava-se o tempo de assar um peixe pequeno, e então se tocava, anunciando que o dia se tornara sagrado.
O Rambam nota que, na véspera de Pêssach caindo em Shabat, quando o sacrifício pascal era abatido em três turnos, o número de toques podia superar os quarenta e oito mencionados aqui.
"E não se acrescenta além de quarenta e oito" — refere-se, com isso, à maioria dos casos, pois pode acontecer, em alguns anos, que haja um dia com cinquenta e sete toques — quando a véspera de Pêssach cai em Shabat, e o sacrifício pascal é abatido em três turnos sucessivos, cada um exigindo seus próprios toques.