Seder Moed · Massechet Sucá · Perek Hei · Mishná 5 de 8

Não menos de vinte e um toques no Templo

אֵין פּוֹחֲתִין מֵעֶשְׂרִים וְאַחַת תְּקִיעוֹת בַּמִּקְדָּשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Concluída a descrição narrativa da celebração noturna, a mishná muda de registro e passa a enumerar, com precisão quase contábil, o número de toques de trombeta ouvidos no Templo em um dia comum e num dia de festa que caísse na véspera de Shabat.

Não se toca menos de vinte e uma vezes no Templo, e não se acrescenta além de quarenta e oito.Esses eram os limites mínimo e máximo do número de toques de trombeta ouvidos diariamente no Templo, variando conforme as circunstâncias do dia.

Todo dia havia vinte e uma tocadas no Templo: três para a abertura dos portões, nove para o tamid da manhã, e nove para o tamid da tarde. E nas oferendas adicionais, acrescentavam-se mais nove.Em qualquer dia comum, contavam-se vinte e um toques: três ao abrir os portões do pátio pela manhã, nove durante a oferenda diária matinal (tamid), e nove durante a vespertina; em dias com oferenda adicional (Rosh Chodesh, festas), acrescentavam-se mais nove toques.

E na véspera de Shabat acrescentavam-se mais seis: três para suspender o povo do trabalho, e três para separar entre o sagrado e o comum.Na sexta-feira, seis toques adicionais anunciavam a chegada do Shabat: três para que o povo interrompesse suas atividades, e três marcando o início efetivo do dia sagrado.

Na véspera de Shabat que caía dentro da festa, havia ali quarenta e oito: três para a abertura dos portões, três para o portão superior, e três para o portão inferior, e três para o enchimento da água, e três sobre o altar, nove para o tamid da manhã, e nove para o da tarde, e nove para as oferendas adicionais, três para suspender o povo do trabalho, e três para separar entre o sagrado e o comum.Quando um dia de Shabat coincidia com a festa de Sucot — dia em que se somavam a cerimônia da aravá, a procissão da água e as demais tocadas já descritas nas mishnayot anteriores — o total de toques chegava a quarenta e oito, o máximo possível.

אֵין פּוֹחֲתִין מֵעֶשְׂרִים וְאַחַת תְּקִיעוֹת בַּמִּקְדָּשׁ, וְאֵין מוֹסִיפִין עַל אַרְבָּעִים וּשְׁמֹנֶה. בְּכָל יוֹם הָיוּ שָׁם עֶשְׂרִים וְאַחַת תְּקִיעוֹת בַּמִּקְדָּשׁ, שָׁלשׁ לִפְתִיחַת שְׁעָרִים, וְתֵשַׁע לְתָמִיד שֶׁל שַׁחַר, וְתֵשַׁע לְתָמִיד שֶׁל בֵּין הָעַרְבָּיִם. וּבַמּוּסָפִין הָיוּ מוֹסִיפִין עוֹד תֵּשַׁע. וּבְעֶרֶב שַׁבָּת הָיוּ מוֹסִיפִין עוֹד שֵׁשׁ, שָׁלשׁ לְהַבְטִיל הָעָם מִמְּלָאכָה, וְשָׁלשׁ לְהַבְדִּיל בֵּין קֹדֶשׁ לְחֹל. עֶרֶב שַׁבָּת שֶׁבְּתוֹךְ הֶחָג הָיוּ שָׁם אַרְבָּעִים וּשְׁמֹנֶה, שָׁלשׁ לִפְתִיחַת שְׁעָרִים, שָׁלשׁ לַשַּׁעַר הָעֶלְיוֹן, וְשָׁלשׁ לַשַּׁעַר הַתַּחְתּוֹן, וְשָׁלשׁ לְמִלּוּי הַמַּיִם, וְשָׁלשׁ עַל גַּבֵּי מִזְבֵּחַ, תֵּשַׁע לְתָמִיד שֶׁל שַׁחַר, וְתֵשַׁע לְתָמִיד שֶׁל בֵּין הָעַרְבַּיִם, וְתֵשַׁע לַמּוּסָפִין, שָׁלשׁ לְהַבְטִיל אֶת הָעָם מִן הַמְּלָאכָה, וְשָׁלשׁ לְהַבְדִּיל בֵּין קֹדֶשׁ לְחֹל:

Fonte na Torá · מָקוֹר בַּתּוֹרָה

Bemidbar 10:10
וּבְיוֹם שִׂמְחַתְכֶם וּבְמוֹעֲדֵיכֶם... וּתְקַעְתֶּם בַּחֲצֹצְרֹת עַל עֹלֹתֵיכֶם וְעַל זִבְחֵי שַׁלְמֵיכֶם.
E no dia de vossa alegria e em vossas festas... tocareis as trombetas sobre vossas oferendas de subida e sobre vossos sacrifícios pacíficos.

A obrigação de tocar trombetas sobre as oferendas — base bíblica da prática detalhada nesta mishná — está explícita neste versículo, referindo-se tanto às oferendas diárias quanto às dos dias de festa. A Guemará (Sucá 53b-54a) discute a fonte exata do número mínimo de vinte e um toques, derivando-o por comparação com os toques do próprio Rosh Hashaná, e explica que o número máximo de quarenta e oito ocorria justamente quando a maior quantidade possível de rituais — abertura dos portões, procissão da água, aravá e oferendas adicionais — se acumulava num único dia de véspera de Shabat durante a festa de Sucot.

Halachot · הֲלָכוֹת

Bartenura detalha, toque por toque, a que cada grupo de três tocadas correspondia; o Rambam observa que, em circunstâncias excepcionais — véspera de Pêssach caindo em Shabat —, o número podia superar mesmo o máximo de quarenta e oito indicado nesta mishná.

Bartenura · Sucá 5:5
שָׁלשׁ לִפְתִיחַת שְׁעָרִים. כְּשֶׁפּוֹתְחִים שַׁעֲרֵי הָעֲזָרָה הָיוּ תּוֹקְעִים תְּקִיעָה תְּרוּעָה תְּקִיעָה. וְתֵשַׁע לְתָמִיד שֶׁל שַׁחַר. כְּשֶׁהָיוּ מְנַסְּכִים נִסְכֵּי הַתָּמִיד הַלְוִיִּם אוֹמְרִים בְּשִׁיר, וּשְׁלֹשָׁה פְּרָקִים הָיוּ מַפְסִיקִים בּוֹ, וְעַל כָּל פֶּרֶק וּפֶרֶק הָיוּ הַכֹּהֲנִים תּוֹקְעִים שָׁלשׁ תְּקִיעוֹת. לְהַבְטִיל הָעָם מִמְּלָאכָה. תְּקִיעָה רִאשׁוֹנָה לְבַטֵּל הָעָם שֶׁבַּשָּׂדוֹת, תְּקִיעָה שְׁנִיָּה נִסְתַּלְּקוּ הַתְּרִיסִין וְנִנְעֲלוּ הַחֲנֻיּוֹת, תְּקִיעָה שְׁלִישִׁית הִדְלִיקוּ אֶת הַנֵּרוֹת. וְשָׁלשׁ לְהַבְדִּיל בֵּין קֹדֶשׁ לְחֹל. לְאַחַר הַתְּקִיעוֹת הָרִאשׁוֹנוֹת שָׁהָה כְּדֵי לִצְלוֹת דָּג קָטָן, וְתוֹקֵעַ וּמֵרִיעַ וְתוֹקֵעַ, לְהוֹדִיעַ שֶׁקָּדַשׁ הַיּוֹם.

"Três para a abertura dos portões" — ao abrir os portões do pátio, tocavam tekiá, teruá e tekiá. "E nove para o tamid da manhã" — enquanto se faziam as libações da oferenda diária, os levitas cantavam, com três pausas; e a cada pausa, os sacerdotes tocavam três toques. "Para suspender o povo do trabalho" — o primeiro toque suspendia os que estavam nos campos, o segundo fazia fechar as lojas, o terceiro acendia as velas. "E três para separar entre o sagrado e o comum" — depois dos primeiros toques, esperava-se o tempo de assar um peixe pequeno, e então se tocava, anunciando que o dia se tornara sagrado.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

O Rambam nota que, na véspera de Pêssach caindo em Shabat, quando o sacrifício pascal era abatido em três turnos, o número de toques podia superar os quarenta e oito mencionados aqui.

Rambam · רַמְבַּ״ם
Perush HaMishná, Sucá 5:5
וְאֵין מוֹסִיפִין עַל אַרְבָּעִים וּשְׁמֹנֶה — רוֹצֶה בָּזֶה עַל הָרֹב, כִּי יִתָּכֵן בִּקְצָת הַשָּׁנִים שֶׁיִּהְיֶה בּוֹ יוֹם שֶׁיִּהְיֶה בּוֹ שִׁבְעָה וַחֲמִשִּׁים תְּקִיעוֹת, וְהוּא כְּשֶׁיֶּחוּל עֶרֶב פֶּסַח בְּשַׁבָּת.

"E não se acrescenta além de quarenta e oito" — refere-se, com isso, à maioria dos casos, pois pode acontecer, em alguns anos, que haja um dia com cinquenta e sete toques — quando a véspera de Pêssach cai em Shabat, e o sacrifício pascal é abatido em três turnos sucessivos, cada um exigindo seus próprios toques.